Capítulo 20 - O fio de controle que ainda resta

1491 Words
Elena sentiu o corpo dele reagir antes mesmo das mãos a puxarem de volta. Não era mais um beijo era tudo o que eles tinham segurado por dias se rompendo de uma vez só. Mas antes que pudessem se perder completamente, uma verdade brutal atravessou a mente de Ethan como um raio. Ele afastou a testa da dela, respirando rápido, ainda segurando o rosto de Elena entre as mãos. — Espera — murmurou, como se a palavra doesse. Elena ficou imóvel, mas não recuou. Os olhos verdes dela buscavam os dele, sem medo só intensidade. — Ethan… — ela sussurrou, a voz ainda trêmula pelo que tinha acabado de acontecer. — Se você parar agora… vai ser por arrependimento? A pergunta o atingiu com força. Ele inspirou fundo. Uma, duas vezes. — Não. — respondeu, sem hesitar. — Eu nunca vou me arrepender de você. O que o fazia parar não era falta de vontade. Era o contrário. Ele a desejava tanto que doía. E justamente por isso, precisava recuperar o controle mesmo que por um fio. — Eu esperei por você a semana inteira — ele disse, a voz rouca. — E ainda assim… não quero que isso aconteça porque estamos magoados, cansados ou machucados pelo que aconteceu. Eu quero você inteira. Consciente. De verdade. Elena fechou os olhos por um segundo, não por recuo, mas porque a sinceridade dele era quase insuportável de tão profunda. — Eu estou aqui consciente — respondeu, com firmeza. — Não estou perdida… não estou confusa… e eu não quero estar longe de você. Ele engoliu em seco. — E ainda assim… nós estamos numa sala de aula — ele lembrou, com esforço sobre-humano. — Trancados. Depois do que aconteceu. Depois do que eu disse para você. Se a gente cruzar essa linha agora… não tem volta. Elena o encarou sem pressa, sem medo. — Eu sei. — ela disse. — E ainda assim, eu estou aqui. Ele tremeu por dentro. Ethan nunca se sentira vulnerável diante de ninguém. Nenhuma negociação, nenhuma reunião, nenhum conselho administrativo tinha conseguido desarmá-lo assim. Apenas ela. Elena levantou a mão devagar e tocou o rosto dele o primeiro toque que não era urgência, mas escolha. — Eu não quero que isso aconteça porque estamos machucados — ela disse. — Quero porque é real. Porque você importa para mim. E porque eu sei que eu importo para você — ela completou, com uma convicção suave, mas devastadora. Ele fechou os olhos quando ouviu aquilo. Importa. Era exatamente isso que ele estava tentando não admitir. Quando abriu os olhos de novo, o olhar dele estava diferente ainda desejoso, ainda intenso, mas com algo que nunca estivera ali antes: Rendição. Ethan a puxou para perto outra vez, agora com calma, não posse, não desespero, mas necessidade verdadeira. Ele encostou a testa na dela. — Eu quero você — ele confessou, num tom quase inaudível. — Mas quero do jeito certo. Não roubado. Não escondido. Não como se fosse algo para ter vergonha. Elena sentiu o ar ficar mais leve. — Então vamos fazer do jeito certo — ela disse. — Mas não me afaste agora. Não depois de tudo. Ele segurou a cintura dela, respirando fundo, demorando um segundo para decidir entre o instinto e o autocontrole. E então falou, com voz baixa, grave, cheia de promessaa respiração firme, o olhar decidido, como se não existisse mais nenhum universo fora daquele instante. — Meu desejo é levar você agora para minha casa, mas hoje eu tenho um jantar0 decisivo. — disse, a voz baixa e quente, sem deixar margem para dúvidas. - Mas amanhã bem cedo passo para te buscar. Elena arregalou os olhos, surpresa pela determinação dele. Ela tentou protestar, mas a intensidade do olhar dele a desarmou. — E antes que você diga qualquer coisa… — ele interrompeu, firme, porém com um toque de sorriso no canto dos lábios. — Não estou pedindo. Estou avisando. O silêncio pesou entre eles elétrico, carregado, inevitável. Ethan então recuou apenas o suficiente para que ela pudesse respirar de novo. — Eu quero você — ele afirmou, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Sem pressa. Sem interrupções. Só você e eu. O coração de Elena tropeçou dentro do peito. — Esse fim de semana… — ele continuou, passando um dedo pela mão dela como se marcasse território — . Não faça planos, não marque nada. Eu já planejei um final de semana perfeito para nós dois. A voz dele desceu ainda mais, quase um sussurro que queimou nos ouvidos dela. Elena não disse nada, tudo parecia perfeito então ela apenas assentiu. Ethan destrancou a porta sem tirar os olhos dela. A sala que antes era prisão se tornou testemunha do que eles não podiam mais negar. Antes dela sair ele segurou a porta aberta e disse: — Senhorita Morrison. Ela o olhou. — Não desaparece de novo — ele pediu. Não como ordem. Como medo. Ela sorriu, pequeno, real. — Não desapareço. Não de você. Ela saiu. Ele ficou na sala tentando controlar e se agarrar ao último fio de controle que ainda restava nele. O proibido já tinha vencido e negar aquilo já era impossível. O dormitório estava silencioso quando Elena empurrou a porta, frustrada tirou os sapatos e respirou fundo. Mas não deu dois passos. Sobre seu colchão havia uma caixa grande, embalada com perfeição, e ao lado dela uma menor. Nenhuma etiqueta, nenhum bilhete. Só a elegância cara demais para passar despercebida. O coração de Elena disparou. O pacote grande revelava um notebook fino, moderno, impecável. A caixa menor, um celular de última geração de longe superior ao que ela usava. O aparelho vibrou assim que ligou. Uma única mensagem. “Para que você possa me encontrar sempre que precisar de mim.” Elena sentiu as pernas enfraquecerem. Antes que pudesse pensar em responder, outra mensagem entrou como se ele soubesse exatamente quando ela leria. “O notebook é para que você trabalhe com conforto… e para que não precise ficar tão próxima, tão íntima, dos seus colegas para acompanhar as aulas né projetos. Você é brilhante, Elena. Não precisa se adaptar ao mundo deles, eles que deveriam correr atrás de você.” Ela engoliu seco. Ele não tinha assinado, mas não precisava. O celular vibrou de novo. “Não se assuste. Não é um favor, nem caridade. É porque você merece tudo o que o mundo tem de melhor e, a partir de agora, eu faço questão de garantir isso.” Elena levou a mão à boca, tentando conter o impacto que aquelas palavras causavam nela. Um aperto no peito, uma mistura impossível de desconforto e… p******o. Ele estava ultrapassando limites e ela sabia disso. Mas também sabia que ninguém jamais havia dito aquelas coisas para ela. Ninguém jamais lhe deu algo porque acreditava que ela merecia. E então o celular vibrou novamente. “Não tente devolver.” Aquilo tirou o chão sob seus pés. Não havia espaço para discussão. Não era um presente opcional. Era uma afirmação. Uma decisão. Um território marcado. Ela ainda encarava a mensagem com o coração batendo rápido demais quando outra chegou curta, precisa, devastadora. “Te busco sábado 7:00 Durma bem. Vai precisar.” O quarto ficou pequeno demais. O ar ficou pesado demais. A pele de Elena parecia quente e fria ao mesmo tempo. Por alguns segundos, ela ficou imóvel, encarando a tela como se pudesse encontrar respostas ali. Parte dela queria jogar o celular na parede. Outra parte queria abraçá-lo. E uma terceira a mais perigosa queria que Ethan estivesse ali naquele exato instante. Ela afundou na cama, puxou os joelhos contra o peito e enterrou o rosto ali. Não sabia se era raiva, nervosismo, medo… ou antecipação. Era tudo junto. A porta se abrindo a fez pular. — Nada de dormir, hoje vamos sair para comemorar seu aniversário — era Luna. Elena respirou fundo, escondendo o celular embaixo do travesseiro. Luna estava sorridente fazendo planos para aquela noite, mas se transformou em curiosidade ao ver o notebook caro sobre a cama, ainda embalado. — De onde veio isso? — ela perguntou, se aproximando devagar. O ar congelou. Por um segundo, Elena considerou inventar qualquer desculpa, mas desistiu. Não teria forças para sustentar uma mentira. — Eu… não quero falar sobre isso agora — respondeu coma voz baixa. Luna franziu a testa, claramente preocupada, mas não insistiu. Só tocou o ombro dela com cuidado. — Se precisar conversar estarei aqui. - a voz voltou a ficar animada quando ela falou - Vamos, levanta da cama e vai se arrumar, a noite é nossa. Luna saiu em direção ao banheiro e o quarto voltou ao silêncio absoluto. Só então Elena permitiu que a verdade a atingisse: Ethan tinha entrado na vida dela e não pretendia sair. E, por mais que quisesse negar, o mais assustador não era o domínio dele. Era o quanto ela estava reagindo a ele.
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