CAPÍTULO 16 — O Nosso mundo particular

1449 Words
O apartamento de Ethan se tornou outro mundo naquele fim de semana. Longe da universidade, longe das regras, longe de tudo que era permitido. Eram apenas eles dois. E isso era perigoso, porque era fácil demais esquecer do resto. Desde o amanhecer do sábado, quando Elena despertou tímida ao perceber onde estava, nua, coberta apenas pelo lençol e pelos braços de Ethan algo entre eles se incendiou de novo, sem esforço, sem barreiras. Ele não conseguia desviar o olhar dela. E Elena, mesmo tentando manter a compostura, não conseguia esconder o desejo novo que ainda estava aprendendo a entender. Foi Elena quem o beijou primeiro naquela manhã. Um beijo ainda inseguro, mas cheio de fome reprimida. Ethan perdeu o ar. Perdeu a razão. Perdeu todas as regras que sempre o protegeram. O corpo dela parecia feito para caber no dele. E o segundo momento de amor foi mais lento, mais íntimo, mais cheio de significados do que o primeiro. Depois vieram outros, horas depois, à tarde, à noite. Entre risadas, conversas interrompidas por beijos e mãos que se buscavam continuamente, como se uma vida inteira tivesse os separado até ali. Havia desejo intenso, urgente, quase desesperado. Mas havia ternura também, profunda, capaz de assustar até alguém como Ethan. Ele tentou se afastar algumas vezes, respirar, pensar. Mas bastava Elena olhar para ele, tocar sua mão ou sussurrar o nome dele, e tudo dentro dele se desmoronava. — Se continuarmos assim, eu não vou deixar você ir nunca — ele disse no sábado à noite, com a testa encostada na dela. — Então não deixe professor — Elena sussurrou, corajosa além do que deveria. Aquilo destruiu cada defesa que ele ainda tinha. À noite, quando ele a puxou para o colo no sofá, após horas tentando manter distância, ela sorriu contra o pescoço dele. — Você me olha como se eu fosse um problema — ela provocou baixinho. — Você é — Ethan respondeu, colocando a mão na nuca dela e aproximando seus lábios dos dele. — O tipo de problema do qual eu nunca vou querer me livrar. O beijo acabou com qualquer tentativa de conversa. Eles se perderam um no outro de novo, dessa vez com uma necessidade tão forte que parecia febre. O domingo amanheceu com a mesma fome. Eles tentaram agir normalmente café da manhã juntos, Elena analisando um artigo no celular, Ethan revisando contratos, mas bastava um olhar, um toque acidental, e tudo incendiava outra vez. No meio da tarde, ela passou por ele distraída, e Ethan segurou sua cintura. Um segundo depois, estavam se beijando com pressa, com saudade, como se já estivessem sendo arrancados um do outro. Terminaram no sofá, rindo sem ar, fingindo que seguiam com o dia sem pressentir o inevitável. Porque a noite chegaria. E com ela, a segunda-feira e o mundo real. Quando o sol começou a se pôr, Elena ficou mais quieta. Ethan também. Quando a noite chegou, eles ficaram em silêncio. Não por arrependimento, mas porque nenhum dos dois queria admitir que precisavam se separar. O carro estava silencioso a caminho do campus. Ele dirigia com uma mão no volante e outra segurando a dela com força como se isso pudesse impedir o tempo de avançar. Quando se aproximaram do prédio dos dormitórios, o coração dos dois acelerou. Ethan estacionou longe, na parte mais escura do estacionamento. A garoa fina ajudava a ocultar, mas não apagava o medo de serem vistos. — Me deixa aqui — Elena disse num sussurro hesitante, embora os olhos dissessem o contrário. — Eu vou com você — Ethan respondeu de imediato. - Não Ethan, é arriscado - Eu sei, mas não consigo me despedir de você. A mão de Elena subiu devagar, tocando o rosto dele por um único instante e Ethan inclinou a cabeça, quase encostando os lábios nos dela… mas parou a milímetros. Foi pior do que qualquer beijo. E melhor também. Elena se afastou abrindo a porta do carro embora não quisesse sair — Boa noite, professor Hayes Ele respirou fundo como quem luta para continuar de pé. — Boa noite, senhorita Morrison. Ela saiu e a porta se fechou. E o silêncio que ficou foi brutal. Ethan permaneceu parado ali, sob a garoa fina, a respiração pesada, sentindo o perfume dela ainda preso à sua pele. Um professor. Uma aluna. Um segredo que podia destruir tudo. Mas ele sabia com absoluta clareza: Não havia mais volta. E ele não queria que houvesse. Elena empurrou a porta do dormitório com cuidado, tentando entrar sem fazer barulho. Mas o clique da maçaneta foi o suficiente para chamar atenção. — Finalmente! — A voz de Luna, sua colega de quarto, cortou o silêncio. — Elena, você sumiu o fim de semana inteiro. Quer me deixar louca? Elena congelou. A adrenalina do medo correu pelo corpo dela tão rápido quanto segundos antes corria o calor de Ethan. De repente, estava de volta ao mundo real, regras, aparências, julgamentos. — Eu… — ela começou, largando a bolsa no chão de maneira quase desajeitada. — Eu fiquei na casa de uma amiga. A gente estudou e… choveu muito, então eu acabei dormindo lá. Luna ergueu uma sobrancelha. Cética. Muito cética. — Estudou? No fim de semana inteiro? — o tom era brincalhão, mas afiado. — Tá bom… mas posso saber qual amiga? Porque eu nunca vi você tão… — ela fez um gesto vago com a mão — …glow. Você está com um brilho no rosto, Elena. Elena sentiu o coração martelar. Não podia ficar nervosa demais, nem feliz demais. Tinha que flutuar no meio. — É impressão sua — ela disse, entrando direto no banheiro antes que Luna pudesse fazer outra pergunta. Trancou a porta. Encostou-se nela. Respirou fundo. Olhou-se no espelho. Os cabelos bagunçados, a marca quase apagada na clavícula… e os lábios ainda sensíveis. E pela primeira vez, ela percebeu o tamanho do perigo: não eram apenas segredos, eram traços, ecos, reflexos tudo nela denunciava Ethan. — Controle-se — murmurou para si mesma, salpicando água fria no rosto. Quando saiu, Luna já estava sentada na cama, olhando para ela com um sorriso curioso. — Tá… não precisa me contar. Mas quando você quiser, eu vou estar aqui. — Depois piscou. — Só não me diga que é aquele professor sexy, porque aí eu infarto. Elena prendeu a respiração por um segundo achou que ia desmoronar. Mas forçou um sorriso. — Claro que não, da onde você tira essas ideias? Luna acreditou. Elena apagou a luz e deitou. O corpo estava cansado, mas o coração estava aceso. Ela fechou os olhos e sentiu o cheiro dele ainda na pele. O travesseiro era macio, aconchegante… mas não era o peito de Ethan e naquela noite, o dormitório pareceu pequeno demais. Do outro lado da cidade, Ethan entrou em seu apartamento e a ausência dela o atingiu como um soco. O lugar estava igual, as mesmas paredes, a mesma iluminação, a mesma bagunça controlada. Mas ele estava diferente. Ele jogou as chaves no balcão e olhou para o sofá. Ali, horas antes, ela havia rido com a cabeça deitada no colo dele. Olhou para a cama. Ali ela tinha murmurado seu nome, os olhos brilhando. Cada canto tinha memória demais. E agora… silêncio demais. Ethan serviu um copo de água só para ter algo para fazer com as mãos. Bebeu como se fosse capaz de preencher o vazio, mas não preencheu. Passou a mão pelos cabelos, tentou voltar à rotina automática: lavar a louça, recolher a camisa que ela tinha usado, dobrar a manta do sofá. Mas quando segurou a camisa nos dedos e trouxe involuntariamente até o rosto ele sentiu o perfume dela. E tudo o que tinha se fortalecido nele nas últimas 48 horas se confirmou com violência: Ele estava completamente perdido por Elena. Ele se jogou no sofá, as mãos no rosto, o coração pulsando forte demais. — Isso não esta dar certo… — murmurou para o silêncio. Mas o que veio depois foi ainda mais honesto, num fio de voz que ele não conseguiu controlar: — E mesmo assim… eu vou querer você amanhã. E depois. E depois... Ele sabia que deveria colocar distância. Ela sabia que deveria colocá-lo para longe. Mas os dois, separados naquele domingo à noite, sentiam a mesma coisa: O mundo real tinha voltado. Mas nenhum deles estava disposto a desistir. O relógio marcava meia-noite quando Ethan foi dormir. O apartamento não estava vazio, estava cheio demais dela. E no dormitório, Elena sonhou com a respiração dele na nuca. Um professor. Uma aluna. Um desejo que não deveria existir. E ainda assim, era o único lugar onde ambos queriam estar. Um nos braços do outro.
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