A manhã de quarta-feira na universidade carregava um frio diferente, quase simbólico. O vento atravessava o campus como se tentasse arrancar das pessoas as máscaras que usavam. Elena caminhava com passos firmes, envolta no sobretudo preto que parecia mais uma armadura do que p******o contra o clima. Os cabelos castanhos balançavam levemente e os olhos verdes, alertas, observavam o mundo com uma mistura de lucidez e cautela que ninguém ali enxergava.
Quando entrou na sala de Marketing, notou imediatamente algo que não deveria estar ali.
Sobre sua mesa, uma pequena caixa preta, elegante, silenciosamente ousada.
Um bilhete repousava por cima.
“Para que saiba que, mesmo distante, estou pensando em você. Feliz Aniversário.
E.”
O coração de Elena errou o compasso. Ninguém na sala sabia do seu aniversário. Nenhum amigo. Nenhuma colega. Nem mesmo Daniel.
Mas Ethan sabia.
Dentro da caixa, um pingente delicado com um pequeno diamante.
Ela fechou a tampa antes que alguém ao redor pudesse notar.
Quando Ethan entrou na sala alguns minutos depois, Elena sentiu o ar mudar. Ele caminhava pelo corredor central com a mesma postura controlada de sempre, impecável, imponente, magnético. Nada no rosto denunciava impulsos, erros, lembranças ou beijos proibidos. Mas os olhos passaram por ela rápido demais para serem neutros.
A aula começou. Branding emocional, fidelização, percepção de marca. Tudo perfeitamente ensaiado, calculado, profissional.
Mas quem realmente observasse e apenas Elena observava veria a verdade:
A voz dele vacilava por frações de segundo.
A respiração estava curta demais.
Os olhos desviavam rápido demais quando encontravam os dela.
E naquele dia, Elena não provocou.
Não fez perguntas.
Não sorriu.
Não testou.
E foi exatamente isso que o levou ao limite.
Ao final da aula, quando os alunos começaram a guardar os equipamentos, Ethan ergueu os olhos até encontrar os de Elena. O tempo parou um segundo, dois, três. Tempo demais para dois que fingiam não sentir.
Então ele disse, com um comando que ninguém jamais ouvira dele:
— Senhorita Morrison. Preciso que me acompanhe. Agora.
Não pediu.
Não sugeriu.
Ordenou.
E saiu pela porta lateral, sem olhar para trás.
Elena ficou imóvel por um momento. Não pelo pedido pelo tom.
Ela se levantou, ignorou os olhares curiosos, e o seguiu.
O corredor estava vazio, iluminado pelo brilho frio do piso encerado. Ethan caminhava à frente com rigidez militar, cada músculo do corpo denunciando tensão. No final do corredor, ele entrou em uma pequena sala de reuniões de professores e a puxou para dentro assim que ela se aproximou.
A porta se fechou.
O silêncio estourou.
Ele encostou contra a porta trancado-a, respirou fundo e recostou a testa na testa dela, a respiração pesada, como alguém que tentava conter um furacão dentro do peito. Quando abriu os olhos de novo… não havia mais contenção alguma.
— Você está me deixando louco.
Elena não recuou.
— Eu não pedi sua atenção.
— E mesmo assim eu dou — retrucou. — Porque você sabe exatamente o que está fazendo comigo.
Ela descuidou a cabeça criando espaço, criando distância.
— Então assine minha transferência e tudo se resolve.
O maxilar dele travou.
— Você sabe que não é simples assim.
— Eu estou cansada de tudo isso — Elena riu, amarga. — Eu estava bem antes de você aparecer.
Ethan a soltou e caminhou pela com passos rápidos, predatórios, desesperados.
— Você acha que eu desejei isso? — a voz dele veio grave, rasgada. — Você me mantém longe e, ao mesmo tempo, me tortura.
— Se você não consegue lidar com isso — ela sussurrou — então assine minha transferência.
— Não.— ele retrucou firme, definitivo. — Porque não te ver será uma tortura ainda maior.
O ar ferveu.
Os olhares se chocaram.
Nenhum recuou.
E então tudo explodiu.
Ele a puxou pela nuca no mesmo instante em que ela o agarrava pela camisa. Os lábios se encontraram com raiva, fome, desespero e rendição. Ele a ergueu, sentando-a em uma mesa próxima o corpo colado ao dela como se separados não soubessem respirar. Não era controle, não havia controle. Era perda total do equilíbrio.
Era guerra e era amor bruto.
Era vingança e era desejo.
Era proibido e inevitável.
Quando o ar acabou e o beijo cessou, os dois estavam ofegantes, encostados um no outro como se ainda se mantivessem de pé apenas pela respiração compartilhada.
Ethan encostou a testa na dela, não para recomeçar, mas para não deixá-la ir.
— Eu te quero desde o primeiro dia em que te vi — confessou com voz baixa, sincera, visceral. — E não poder te tocar, não poder sentir você, está me destruindo. Se você não sente nada… diga. E eu juro que assino sua transferência.
Elena fechou os olhos, não para evitar, mas para sentir, e quando os abriu, sua dor veio antes das palavras:
— Eu… não quero ser só mais uma aluna iludida pelo professor. Não quero ser algo que você descarta quando enjoa.
Aquela frase atingiu Ethan como nada na vida antes.
Ele recuou meio passo, não de negação, e sim de impacto.
— Eu nunca faria isso com você — disse devagar, pesado, verdadeiro. — Eu não me arriscaria assim por algo que eu planejo abandonar. Eu não perderia a cabeça por qualquer mulher. Eu nunca me devolvi com nenhuma aluna durante todos esses anos.
Ela piscou, vulnerável pela primeira vez.
— Você quase me beijou e me ignorou depois disso.
— Porque eu perdi o controle — a confissão veio rasgada. — Eu quase a beijei sem saber se você queria, sem saber se eu tinha o direito. Eu ultrapassei todos os limites da ética. Eu tive medo de repetir o erro.
Ele ergueu a mão e tocou o rosto dela com as pontas dos dedos como se tivesse medo de quebrá-la e, pela primeira vez, a guerra entre eles pareceu se transformar em algo diferente.
— Eu não quero me afastar de você.
Ela respirou fundo, muito fundo.
— Então não se afaste.
— Quando estivermos a sós — disse ele com calma cortante — me chame de Ethan. E preciso que você entenda uma coisa: eu não estou te oferecendo uma fantasia. Nem uma aventura. Nem impulso.
Elena sentiu o ar desaparecer.
— Então o que você está oferecendo? — devolveu.
Ele deu um passo. Apenas um. O suficiente para que ela sentisse.
— A mim — respondeu, num tom baixo e inegociável. — Não por um momento. Não por capricho. Eu quero você inteira… e quero que você queira a mim com certeza.
A coragem dele era uma lâmina. A dela teve de ser também.
— E se eu não estiver pronta?
Por um instante, o aço dele se rompeu. Algo mais suave atravessou seu olhar.
— Então você me diz.
Aquilo desmontou Elena de dentro para fora. Não havia pressão. Não havia exigência. Havia escolha.
Mas então ele completou, quase como quem sangra:
— Só não me teste assim de novo. Toda vez me provoca com seus perguntas adiadas, e me cada de professor deliberadamente eu fico a beira da loucura.
Não era ameaça.
Era vulnerabilidade protegida por uma máscara dura.
Elena respirou fundo e se aproximou até um a distância de um surpiro.
-Ok, então será Ethan
O beijo que veio depois foi completamente diferente devagar, íntimo, cheio de significado.
Quando ela saiu da sala minutos depois ele não a seguiu, Ela foi para o auditório buscar a bolsa e ele permaneceu ali tentando controlar o seu desejo evidente.
Mas algo irreversível havia mudado.
Dentro co carro no estacionamento privativo, sentado atrás do volante Ethan olhava para a parede de concreto tentando recuperar a compostura profissional que um dia lhe fora natural.
Sem sucesso.
Porque naquele momento, ele entendeu com uma clareza brutal:
Ele não tinha escolhido Elena.
Ele tinha se perdido nela.
E não havia mais caminho de volta para nenhum dos dois.