Locke A primeira coisa que eu aprendo sobre quimioterapia é que ela tem um som. Não um som só, mas uma coleção deles: sapatos macios no chão, máquinas zumbindo com uma paciência baixa que parece antinatural, vozes baixas carregando só o bastante de gentileza pra fazer o ambiente parecer ao mesmo tempo suave e aterrorizante. A Zara ouve também. Eu sei porque no segundo em que a gente entra no centro de tratamento, os dedos dela se apertam nos meus. Ela está linda esta manhã, porque ela sempre está. O cabelo preso num r**o de cavalo alto, um suéter macio escorregando um pouco de um ombro, botas, jeans desbotado. É o tipo de roupa que provavelmente levou cinco minutos pra ela montar, e ainda assim me faz querer parar de andar só pra olhar pra ela. Em vez disso, eu mantenho a mão dela n

