Locke está parado perto da extremidade mais afastada do cômodo, com uma mão apoiada na madeira polida e a outra enrolada em torno de um café que aparentemente não tocou. As roupas são as mesmas de ontem. O maxilar está sombreado de barba por fazer, há uma mancha leve de sujeira perto de um ombro, e o cansaço se acomoda em cada linha dura do corpo dele. Ele se vira antes que eu diga qualquer coisa. Nossos olhos se encontram. O cômodo não desaparece. Nenhuma música sobe. Ninguém para de se mexer. Copos ainda tilintam atrás do bar, e alguém ri na sala de jogos como se o mundo não tivesse mudado sob os meus pés. Ainda assim, a distância entre nós parece enorme. O olhar dele passa por mim automaticamente, verificando meu rosto, meus braços, minha postura, cada centímetro visível

