Episódio 7

1930 Words
Dilan estava com um enorme sorriso adornando os seus lábios, já estava ficando impaciente, pois não recebeu resposta de Nicole e estava perto de recorrer ao plano B. Ele pegou as chaves do carro e praguejou por não ter feito nenhum dos seus funcionários trabalhar no fim de semana. Já que era chato dirigir por toda a cidade até o hospital. No caminho, deu ordem para que a criança fosse levada para outro lugar, para um hospital onde seria bem cuidada. Imagine que ele nem mesmo se entendesse, pois para falar a verdade, poderia colocar Nicole na prisão por assumir identidade falsa e por fraude, porém, o seu coração batia freneticamente quando estava perto dela ou ouvia a sua voz. Ele estacionou o carro em vaga livre e foi até onde estava o diretor do hospital, que, para sua sorte, conversava com um funcionário. — Bom dia, Sr. Richter. Ele cumprimentou o médico, estendendo a mão. — Fui informado que você enviou um pedido de transferência para cá de uma criança. Posso saber qual é o motivo? — Ele é filho da minha esposa. Dizer que era filho dela o deixou triste. — Existem doadores disponíveis para ele? — Venha comigo. O médico afastou-se para poder andar. — Em relação à sua pergunta, há doadores dispostos a fazer qualquer coisa neste momento. Você sabe. Foi uma boa escolha você ter decidido vir pessoalmente e que aquela criança estivesse aqui no hospital. — Bem, e a propósito, remova o nome da minha esposa de qualquer lista ne*gra que você tenha. Eles entraram no escritório do diretor. — Não precisa mais estar lá. — Eu farei isso e, ao longo do caminho, farei algumas ligações para a guilda e alguns hospitais próximos. Ele assentiu e fez sinal para que ele se sentasse. — Posso saber o que fez você mudar de ideia tão rapidamente? — Nada que importe. Ele respondeu secamente. — Quero também uma dos quartos VIP para a criança, para que ela fique confortável e não falte nada. — Será assim. Concordou o outro, e entregou-lhe um envelope. — Ontem à tarde entregaram-me isso, não pude ligar para você porque não tive tempo. Estes são os testes de DNA que você mandou fazer. Se tiver alguma dúvida, pode fazê-los em outro lugar. — Entendo. Ele colocou o envelope no bolso da calça. — Posso me sentir um pouco m*al agora por causa das coisas que estão acontecendo, mas lembre-se de que ninguém pode saber de nada. — Claro. Concordou o homem, e então olhou para a tela do computador. — Há um problema com o sangue da criança. Dilan franziu a testa. — É AB negativo. — Serei seu doador, sem problemas. Ele lembrou-se das palavras de Nicole. Temos o mesmo tipo sanguíneo, a criança e eu. — Tudo bem. O som do comunicador os alertou. — O paciente acaba de chegar, os meus melhores cirurgiões irão tratá-lo. — Bom. Dilan levantou-se da cadeira, caminhou até a sala de espera da área cirúrgica onde viu Nicole com os braços cruzados, observando o filho ser levado embora. As suas roupas estavam cobertas de sangue, que possivelmente pertencia a seu filho. — Nicole. Ele chamou, e ela olhou para ele com os olhos inchados. — Está tudo pronto para seu filho fazer a cirurgia... — Ele também é seu filho, Volkan. Ela sussurrou, magoada. — Não fale como se Jonas fosse um estranho, porque isso é tudo culpa sua. — Minha? — Sim, porque você me queria morta e agora o meu filho está dividido entre a vida e a morte. Disse ela da mesma forma que antes. — Neste momento espero que você morra de uma forma tão dolorosa que nem mesmo os seus pais serão capazes de reconhecê-lo mais tarde. — Eu também te amo, minha esposa. — Você ama o seu trabalho. Ela virou as costas para ele e foi se sentar em uma das cadeiras. — Espero que você se canse de mim rapidamente, porque você me dá nojo. — É uma pena, porque não tenho planos de ficar entediado com você rapidamente. Onde você deixou Frederico? — Ele foi buscar roupas para nós, não tivemos tempo para nada. Ela olhou para o braço dela. — Você está me machucando. — Você deveria ter me dito que precisava de roupas. Dilan afrouxou o aperto. — Você tem que ficar no quarto enquanto vou doar o sangue, não saia daqui. — E é assim que você diz que ele não é seu filho mesmo que vocês tenham o mesmo sangue? Ela perguntou incrédula. — Aliás, você faz os testes de DNA, para não ter dúvidas, desgraçado. Dilan contou até dez, deixou-a no quarto designado para aquele pirralho, que parecia um quarto de hotel. Ele foi até o local que já havia visto ser a doação de sangue, enquanto preparavam a criança para a feliz cirurgia. Sem dúvida, era uma cirurgia bastante cara, pois envolveu uma cirurgia renal. Enquanto faziam os exames pertinentes e tiravam o seu sangue, ele revisava as revistas de entretenimento. Sutilmente, ele iria descobrir as coisas sobre Nicole aos poucos, pelo fato da vida amorosa dela ser um mistério e com isso ele iria amarrá-la bem na sua vida. — É isso, senhor. Disse a enfermeira. — Em poucos minutos será levado para o seu filho. Junto com outras bolsas. — Se vocês tinham o sangue, por que me deixaram doar? — É um sangue que raramente se encontra e o diretor do hospital nos disse que aquelas duas bolsas de sangue deveriam ser guardadas caso houvesse alguma complicação e, porque o seu filho iria precisar depois da cirurgia. — Entendo, obrigado. Ele fez uma careta ao sentir onde a agulha estava no braço, era incrível tudo o que ele estava fazendo por alguém que nem era seu filho. Ele estalou a língua, mexeu o pescoço de um lado para o outro e depois foi em direção ao quarto onde Nicole deveria estar, porém, ela não estava lá e sim Frederico. — Ela está tomando banho. Explicou o amigo, ainda olhando para o celular. — Você conseguiu, você realmente conseguiu. — Não sei do que você está falando. Ele se fez de bobo e sentou-se no móvel perto da janela. — Eu dei as opções, ela escolheu a mais conveniente, claro. — Por que você não procura a Natacha e deixa essa garota em paz? Você não está vendo que ela não pode fazer nada nem com a própria vida? — Isso é algo que ela mesma causou. Ele encolheu os ombros, inclinando a cabeça. — Ela deveria ter falado a verdade desde o início, não escondendo tantas coisas de mim. — Coisas que você já sabia graças ao fato de que apesar de Natacha e Nicole serem idênticas, suas personalidades são muito diferentes e foi isso que fez você se apaixonar por Nicole. Dilan desviou o olhar para a janela, olhando para as pessoas na rua. — Ela ficou assustada, porque nos ouviu conversando sobre como você iria colocá-la na prisão... — Bem, é óbvio que eu faria isso. Ele não olhou para Frederico. — Porém, neste momento não quero lembrar de nada desse passado, porque aquela monstruosidade do m*al está sendo operada. — Essa cria do m*al é o seu filho. Disse Nicole, saindo do banheiro, usando um vestido com mangas que chegava às coxas, um casaco para a mudança do tempo e com os cabelos presos num coque alto. — Muito obrigado pelas roupas. Ela deixou uma pequena mala ao lado da cama. — Trouxe para você a comida que você não conseguia saborear antes do pequenino começar a tossir. — Não estou com fome agora. Ela passou as mãos pelo vestido. — Quanto tempo leva a cirurgia? — Podem ser de três a quatro horas. Respondeu Volkan, balançando a cabeça de forma imaginária, pois permanecia encantado olhando para ela. — Podemos conversar um momento a sós? — Claro, você é quem tem o dinheiro. Ela respondeu monotonamente. — Muito obrigado por tudo, Fred. — Estarei na sala de espera caso algo aconteça com Jonas. Frederico deu-lhe um beijo na bochecha, e olhou para Dilan, que estava com um olhar mortal. — Até mais. — Os amigos beijam na boca agora? — Foi na bochecha. Ela respondeu sem olhar para ele e sentando-se no mesmo lugar onde Fred estava antes. — Sobre o que você quer falar comigo? — Sobre o nosso acordo… — Você já tem o contrato? Ela perguntou, olhando para ele, atentamente. — Quero dizer, com isso, sobre o que você sabe tudo de antemão. — Vou trazer na segunda-feira, não sou cru*el o suficiente para fazer você assinar algo que provavelmente não quer agora. Ele se levantou da cadeira para sentar ao lado dela, e antes que ela se levantasse, ele. pegou a mão dela, forçando-a a se acomodar. — Você vai morar comigo, vai parar de falar com o Frederico... — O que você está dizendo? Por que eu pararia de falar com o meu único amigo? Ela perguntou, incrédula. — Você deve estar brincando com esse pedido. Ele foi o único que me manteve escondida por três anos, você não pode simplesmente aparecer do nada e me dizer para parar de falar com ele. — A questão é… — Tire essa regra desse contrato, eu também vou levar o meu filho e você vai me deixar trabalhar. Ela respondeu. — Se quiser, pode até colocar um chip de rastreamento em mim e me comprará um anel novo, igual ao que te falei da outra vez, porque vendi o que tinha e foi o que a Natacha pediu de qualquer maneira. Não eu. Aquele tinha um design horrível. — Não há problema com o anel, porque é horrível e eu nem gosto dele. Dilan sorriu levemente. — Então você quer que eu coloque um chip de rastreamento em você. — Que vou tirar quando isso acabar e é melhor você marcar um prazo de validade, porque é óbvio que não vamos durar muito. — Acabei de pagar centenas de milhares de dólares pelo seu filho. Ele inclinou a cabeça. — É assim que você acha que vai me pagar o dinheiro? — Você saberá como eu desejo pagar. Nicole inclinou a cabeça. — Você já pediu exames de DNA no cabelo do meu filho? — Eu não sei do que você está falando. Ele desviou o olhar. — Eu sei tudo o que o meu filho tem, ele também me contou que você tirou parte do cabelo dele e acha que por isso começou a vomitar sangue. — Você venceu. Ele tirou do bolso o envelope que o médico lhe entregou. — Eles me entregaram hoje e eu não os abri. Nicole ficou em silêncio, esperando que ele abrisse aquela ma*ldita coisa. Dilan sentiu que algo não estava certo, que aquele envelope poderia ser uma armadilha. Ela também parecia nervosa, então, sem mais delongas, leu o que havia dentro. — Isso não pode ser possível. Disse ele num sussurro. — Não pode… Dilan não sabia se era por falta de sangue ou porque ele não havia comido algo descente, mas tudo ficou embaçado. A voz de Nicole chamando-o foi a última coisa que ouviu antes do seu corpo cair no chão frio daquele quarto. ‍​‌‌​ ‌‌‌​​‌​‌‌​‌​ ​‌ ‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌ ‌​​​‌ ‌‌‍
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