27ª Semana
Comparação: Couve-flor
Peso aproximado: 900 g
Tamanho: 37 cm
Dias de gravidez: 189 dias
— Anda, Bekah! Vamos nos atrasar. — Jonathan reclamou, impaciente com a demora da amiga. — Você disse que já estava quase pronta! — resmungou.
Os dois estavam se arrumando para ir ao centro. Haviam decidido comprar algumas coisas para Kayla e, desde que descobriram que era uma menina, a ansiedade dos dois só aumentava. O quarto que antes ficava vazio agora estava completamente pronto para recebê-la. Jonathan havia contratado até mesmo um designer de interiores para cuidar de cada detalhe.
— Pronto, vamos! — Rebekah apareceu na sala, parando ao lado dele.
Usava um vestido soltinho e deixava os cabelos soltos, caindo naturalmente pelos ombros.
— Não teremos tanto tempo quanto imaginávamos. Preciso voltar para a faculdade à tarde para fazer uma prova. — Jonathan comentou, um pouco frustrado.
— Podemos ir outro dia, Jhonny.
— Não, vamos hoje. — Ele respondeu decidido, já caminhando até a porta.
Resolveram ir até Londres, onde teriam mais opções de lojas. Assim que chegaram ao centro, entraram na primeira loja que encontraram. Rebekah se encantava com absolutamente tudo, enquanto Jonathan ria ao observar as reações da amiga diante de cada item de bebê.
— Sério, Jhonny! Olha isso! — Bekah disse, segurando um vestidinho branco minúsculo, decorado com flores rosas. — É a coisa mais linda!
— É mesmo. — Jonathan sorriu. — Vamos levar. E olha esse conjunto. — Ele pegou uma saia de babados com suspensório de botão, acompanhada de um body floral de manga longa.
— Vem até com faixa de cabeça! — Rebekah comentou empolgada.
— Gostou?
— Eu amei! — respondeu sem esconder a alegria.
— Então vamos levar também.
Enquanto Jonathan pagava no caixa, Bekah apoiou-se no balcão e olhou distraída para fora da loja, através do vidro. Teve a nítida sensação de estar sendo observada. Um homem do outro lado da rua parecia encará-la fixamente.
Confusa, virou-se para chamar Jonathan. Quando olhou novamente, o homem já não estava mais ali.
Balançou a cabeça, tentando afastar a sensação estranha, atribuindo tudo ao cansaço. Logo depois, Jonathan terminou o pagamento e eles saíram.
— Bekah, vou precisar ir logo. Vamos comer alguma coisa e depois te deixo em casa.
— Pode me deixar direto lá, Jhonny. Não quero te atrasar.
— Vamos comer. — Ele revirou os olhos. — Só vamos deixar as sacolas no carro.
Guardaram tudo e seguiram para um pub próximo. Assim que chegaram, fizeram os pedidos. Jonathan escolheu carne, salada e arroz. Rebekah não estava com muita fome, mas, sabendo que ele reclamaria se não comesse nada, pediu frango e salada.
Enquanto aguardavam, Bekah observava Jonathan em silêncio. Sorriu sozinha. Nunca conseguiria agradecer o suficiente por tudo o que ele vinha fazendo por ela nos últimos meses.
— O que foi? — Jonathan perguntou, arqueando a sobrancelha. — Por que está me olhando assim?
— Acho que nunca vou conseguir te agradecer.
— Agradecer o quê, Bekah? — Ele franziu a testa.
— Por tudo. Ninguém nunca fez por mim o que você faz. Você é… perfeito, Jhonny. — Ela sorriu com sinceridade.
— Ah… eu… — Jonathan ficou visivelmente desconcertado.
Antes que pudesse responder, Bekah arregalou os olhos.
— Ei… olha ali de novo! — apontou para fora.
— O quê? — Jonathan acompanhou o gesto, confuso.
— Ele… sumiu. — Bekah murmurou. — Mas estava ali agora. Igual na loja.
— Eu não vejo ninguém. Tem certeza?
— Tenho. Ele estava me encarando. Na loja e agora aqui. — Ela engoliu em seco. — Será que está seguindo a gente?
— Seguindo? — Jonathan tentou tranquilizá-la. — Bekah, por que alguém faria isso? Não faz sentido.
— É estranho… — ela murmurou, inquieta.
O garçom chegou com os pratos, e os dois comeram em silêncio. Depois, Jonathan a deixou em casa antes de seguir para a faculdade.
— Eu volto ainda hoje. Qualquer coisa, me liga.
— Tudo bem. Quando estiver vindo, me avisa.
Jonathan beijou sua testa e saiu. Rebekah trancou a porta e foi até a janela, observando a rua. Apenas pessoas andando normalmente. Nada fora do comum.
Ainda assim, a sensação de estar sendo observada não desapareceu.
O telefone tocou, fazendo-a se assustar.
— Ei, Cher! — atendeu pelo FaceTime.
— Como você está? — a loira perguntou.
— Bem… na medida do possível.
— Como assim? Aconteceu alguma coisa? Está se sentindo m*l? Onde está o Jonathan?
— Calma. — Rebekah riu. — Estou bem. Só tive a impressão de estar sendo observada duas vezes hoje. Na loja e no pub.
— Observada?
— É… como se alguém estivesse me seguindo.
— Mas por quê?
— Jonathan disse a mesma coisa. Deve ser coisa da minha cabeça.
— E as compras? Anda, me mostra tudo!
Rebekah apoiou o celular na mesa e começou a mostrar as sacolas, uma por uma. Cher reagia com gritos empolgados e elogios exagerados. Depois de longos minutos, desligaram.
Rebekah tomou um banho longo, quente e relaxante. Vestiu uma das camisas largas de Jonathan — suas roupas estavam apertadas demais para dormir. Guardou as sacolas no quarto de Kayla e fechou a porta. Outro dia organizaria tudo.
Agora, só queria comer algo e deitar.
Já deitada, recebeu uma mensagem.
“Estou no elevador. xx JJ”
Levantou-se e abriu a porta. Ouviu o elevador parar e passos se aproximarem.
— Ei, como está se sentindo? — Jonathan perguntou ao entrar.
— Bem melhor agora. — respondeu, aliviada por vê-lo ali.
— Ainda acha que está sendo seguida?
— Não sei… é só uma sensação estranha.
— Relaxa. — Ele falou com firmeza. — Não vou deixar nada acontecer com você. Não enquanto eu estiver por perto.
— Obrigada, Jhonny. — ela sorriu.
— Vou tomar um banho rápido e dormir. Estou exausto.
Pouco depois, Jonathan deitou ao lado dela. Rebekah se aconchegou em seu canto da cama.
— Vou sentir falta disso… — murmurou.
— Falta do quê? — ele perguntou confuso.
— De ter você sempre por perto.
— Você sempre vai me ter por perto, Caneca. — Jonathan sorriu.
— Você sabe o que eu quis dizer. Depois que Kayla nascer… quando eu tiver um emprego… não vamos mais ficar assim.
— Isso só depende de você. — ele respondeu sério.
— Como assim?
— Você pode ficar o tempo que quiser. — Jonathan desviou o olhar.
— Por que está me escondendo algo? — Rebekah perguntou desconfiada.
— Não estou escondendo nada.
— Está sim. Você sempre desvia o olhar quando esconde alguma coisa.
— Não é nada demais.
— Não muda de assunto, Jonathan Jenkins. — Ela o encarou, firme.
— É só que… você não entenderia. — Ele suspirou. — Você pode ficar. Se não quiser se mudar, não precisa.
— Mas você vai ter sua vida… não vai? — Bekah perguntou apreensiva.
Ela sentia seus sentimentos mudarem havia algum tempo, mas se convencia de que eram apenas hormônios. Não queria perder Jonathan. Nunca.
— Eu já tenho a minha vida, Bekah. — Ele admitiu, fazendo-a sorrir levemente.
— Uma vida completamente de cabeça para baixo.
— Mas eu gosto assim. — Jonathan sorriu, envergonhado. — Agora vamos dormir.
Ele se inclinou para beijar sua bochecha, mas Rebekah virou o rosto sem perceber. O beijo acabou virando um selinho rápido e confuso.
Jonathan se afastou imediatamente, sem saber o que dizer. Antes que o silêncio se tornasse constrangedor, Rebekah se aproximou, apoiando a cabeça no peito dele.
— Boa noite, Jhonny.
— Boa noite, Bekah. — Ele beijou o topo da cabeça dela.