21ª Semana
Comparação: Banana
Peso aproximado: 350 g
Tamanho: 20 cm
Dias de gravidez: 147 dias
Rebekah acordou faminta. Os enjoos já estavam bem reduzidos e haviam dado lugar a uma fome quase infinita. Aquele era o dia do ultrassom que revelaria o s**o do bebê, se ela e Jonathan não tivessem feito a aposta.
Pegou o celular sobre a mesa de cabeceira e percebeu que já passava das dez horas. Havia quinze chamadas perdidas de Jonathan. Confusa, retornou a ligação imediatamente.
— Bekah! Está tudo bem? — a voz dele soava preocupada.
— Claro, Johnny. Eu estava dormindo e deixei o celular no silencioso. Aconteceu alguma coisa?
— Sim… vou me atrasar e não tenho como te levar à consulta. Mas vou chegar lá, com certeza. Você acha que consegue alguém para te levar?
— Posso ver com o Charles. — Ela fez uma pausa. — Aconteceu alguma coisa para você se atrasar?
— Não. Estou adiantando tudo o que posso da faculdade porque começo na empresa na próxima semana. Quero deixar tudo organizado antes, senão vou acabar me perdendo.
— Entendo. Vou me arrumar e ligo para o Charles. Nos vemos lá.
— Até mais.
Ao desligar, Bekah respirou fundo e saiu da cama, indo em direção à cozinha. Àquela altura, já estava completamente acostumada com o apartamento, com a presença constante de Jonathan e até com a ideia, ainda maluca, dele assumir a paternidade. Sua vida parecia ter seguido um caminho completamente diferente do planejado, mas, de alguma forma, sentia que tudo estava acontecendo como deveria.
Depois de um café da manhã reforçado, tomou um banho demorado e escolheu um vestido solto, que não marcava tanto a barriga, agora bem evidente. Aquilo ainda a incomodava, principalmente quando saía e percebia comentários e olhares atravessados. Já pronta, ligou para Charles, que atendeu no segundo toque.
— Rebekah! Está tudo bem?
— Está sim, Charlie. Na verdade, preciso de um favor… — falou um pouco apreensiva.
— Claro, minha menina. O que precisar.
— O Jonathan está ocupado hoje. Você conseguiria me levar à consulta? Vou encontrar com ele lá.
— Claro! Que horas?
— Meio que… agora. — murmurou, sem graça.
— Em dez minutos estou aí.
— Obrigada!
Nas últimas semanas, Rebekah havia se aproximado ainda mais de Angelita e Charles. Para surpresa de todos, Lilian continuava em casa, algo que nunca havia acontecido antes. Bekah, Jonathan, Ray e Cher também estavam mais unidos do que nunca. O apartamento se tornara ponto de encontro: conversas jogadas fora, risadas e momentos simples que, sem perceberem, fortaleciam ainda mais o vínculo entre eles.
Rebekah se distraiu dos pensamentos ao ver a mensagem de Charles avisando que já estava em frente ao prédio. Pegou a bolsa e desceu rapidamente.
— Está tão linda, menina Bekah! Como está se sentindo? — Angelita comentou assim que ela entrou no carro.
— Estou bem. — respondeu, colocando o cinto. — E vocês? Quanto tempo não aparecem!
— Tudo na mesma, infelizmente. — Angelita suspirou.
— Por algum milagre, hoje dona Lilian não estava em casa. — Charles explicou. — Isso nos deu liberdade para sair juntos.
— Estou achando essa mudança dela muito estranha… o que vocês acham? — Rebekah perguntou.
— Vamos combinar que sua mãe nunca foi normal. Estranha sempre foi. — Charles disparou, arrancando uma risada de Bekah.
— Concordo. Nunca entendemos sua mãe. Não vai ser agora que isso vai acontecer. — Angelita completou.
O caminho passou rápido entre conversas e risadas. Bekah sentia falta da presença diária deles, mas precisava admitir que a companhia constante de Jonathan também já fazia parte de sua rotina. Quando ele não estava, parecia sempre faltar alguma coisa.
Ao chegarem à clínica, Rebekah se despediu dos dois e entrou. Informou seu nome na recepção e sentou-se para aguardar. Havia três gestantes à sua frente. Enviou uma mensagem rápida para Jonathan avisando que já tinha chegado.
Apesar de já ter feito outros exames, estava nervosa. Aquele seria diferente. Era o ultrassom morfológico: ouviria novamente o coração, veria a formação dos órgãos, o crescimento dos ossos. Cerca de vinte minutos depois, avistou Jonathan entrando na clínica acompanhado de Ray e Cher.
— Ainda bem que chegamos a tempo! — Jonathan disse, beijando a testa de Rebekah antes de se sentar ao seu lado.
— Nem acredito que finalmente vamos descobrir o s**o! — Cher falou animada.
— Na verdade… não vamos. — Bekah murmurou.
— Como assim? — Cher franziu a testa.
— Eu e Jonathan fizemos uma aposta. Só descobriríamos no nascimento.
— Não! Não! Vocês podem desfazer isso agora! — Cher elevou um pouco a voz. — Eu preciso saber!
— Cher, eles são os pais. Eles decidem. — Ray tentou contê-la.
— Não, Ray! Já pensei muito nisso. Não faz sentido! Transfiram essa aposta para hoje!
— Afinal… qual era a aposta? — Ray perguntou curioso.
— Nada demais. — Jonathan respondeu. — Mas, se a Bekah quiser, podemos descobrir hoje.
— Por mim tudo bem. — Rebekah sorriu. — Confesso que estou curiosa.
— Ah! — Cher deu um gritinho animado. — m*l posso esperar!
— Senhorita Davenport. — a enfermeira chamou.
Os quatro entraram no consultório.
— Bom dia, meu quarteto favorito! — a doutora Madelyn cumprimentou.
— Bom dia! — responderam juntos.
— Ansiosos para saber o s**o?
— Muito. — Rebekah respondeu, sorrindo.
— Já escolheram nomes?
— Se for menina, Kayla. Se for menino, Colin. — Jonathan respondeu.
— Muito bem. Vamos começar.
Bekah se ajeitou na maca e o exame teve início.
— Está tudo normal. — Madelyn disse após alguns minutos. — O bebê é muito saudável. O tamanho está dentro da média. Aqui estão os pezinhos…
Rebekah sorriu ao olhar o monitor, depois encarou Jonathan, que retribuiu com um sorriso emocionado.
— As mãozinhas… — a médica continuou.
— Olha os dedinhos! — Cher comentou encantada.
— E… — Madelyn sorriu. — Meus parabéns. É uma menina.
Os olhos de Bekah se encheram de lágrimas. Uma menininha. Jonathan sorria como nunca.
— Então será Kayla. — a médica concluiu.
Depois do exame, os quatro saíram do consultório radiantes, incapazes de esconder a felicidade.
— A gente devia comer para comemorar! — Ray sugeriu.
— Nossa, estou com muita fome! — Rebekah concordou.
— Então vamos. — Jonathan disse, já caminhando para a saída.
— Não acredito que nosso mascote é menina! — Cher comentou ao se sentar na lanchonete.
— Nem eu! — Rebekah riu.
— Kayla é um nome lindo. — Ray sorriu para os dois.
— d***a… perdi a aposta! — Bekah percebeu naquele instante.
— Eu avisei. — Jonathan respondeu, convencido.
Depois de comerem e conversarem bastante, Ray e Cher voltaram para o campus, enquanto Bekah e Jonathan seguiram para o apartamento.
— Ainda não acredito que é uma menininha… estou tão feliz! — Bekah disse ao entrar.
— Eu também. — Jonathan sorriu. — E agora que ganhei a aposta, você já sabe como vai ficar o nome dela. Vou tomar um banho e dormir. Hoje foi puxado.
Ele entrou no banheiro, deixando Bekah sozinha com seus pensamentos.
O nome dela…
Rebekah parou por um instante. Nunca imaginou que sua filha teria o mesmo sobrenome de seu melhor amigo. Meses atrás, aquilo pareceria absurdo. Agora, parecia simplesmente certo. Desde o momento em que se conheceram, talvez aquele sempre tivesse sido o destino.
Ela sorriu, sentindo-se estranhamente tranquila.
Kayla Davenport Jenkins.
Até que combinava.