40ª Semana
Comparação: Abóbora
Peso aproximado: 3,5 kg
Tamanho: 53 cm
Dias de gravidez: 280 dias
Rebekah estava deitada, distraída no celular, quando sentiu algo quente e estranho na cama. Franziu o cenho, mexendo-se desconfortável.
— d***a… — murmurou.
Outro líquido escorreu, e seu coração disparou. Ela se sentou de uma vez.
— Jhonny! — gritou, a voz falhando.
— O que foi? — Jonathan respondeu da sala, ainda digitando no notebook.
— Ou eu fiz xixi na cama… — ela respirou fundo — ou…
Jonathan já estava na porta do quarto.
— Ou?
— A Kayla tá vindo.
O sorriso dele sumiu. Em segundos, Jonathan ajudou Rebekah a se levantar, pegou a bolsa, as chaves e praticamente a conduziu para fora. O caminho até o hospital foi rápido, mas para Rebekah pareceu eterno.
No quarto, ela andava de um lado para o outro, xingando baixinho. A cada contração, seu corpo travava, como se estivesse sendo rasgado por dentro.
— Eu não aguento mais… — gemeu. — Quando vão enfiar logo essa agulha na minha coluna?
— Chama anestesia — Cher corrigiu, tentando manter a calma. — E você ainda não pode. O médico disse que não dilatou o suficiente.
— Não é possível! — Rebekah rebateu, quase chorando. — Eu vou ter que esperar piorar?
A resposta veio em forma de dor. Uma contração forte a fez gritar, dobrando-se sobre a cama.
Pouco depois, a médica entrou e tudo aconteceu rápido demais. Rebekah foi colocada na maca e levada para a sala de parto. Jonathan foi o único a acompanhá-la.
A dor era insuportável. Quanto mais força ela fazia, mais parecia que seu corpo se despedaçava. Rebekah apertava a mão de Jonathan com tudo que tinha, sem perceber se machucava.
— Respira, Bekah… olha pra mim… — ele dizia, a voz firme apesar do medo estampado no rosto.
Quando mandaram empurrar, ela reuniu o pouco de energia que restava. Um último grito. Um último esforço.
Então, o choro.
O som encheu a sala, ecoando como um alívio. Rebekah jogou a cabeça para trás, o corpo mole, os olhos ardendo de cansaço. Ela sorriu antes de apagar por alguns segundos.
Depois de todos os procedimentos, Rebekah foi levada para o quarto com Kayla nos braços.
Quando o enfermeiro saiu, Jonathan entrou acompanhado de Cher e Ray.
— Você foi incrível, Bekah — Cher disse emocionada.
— Conheçam a Kayla — Rebekah murmurou, afastando a manta do rostinho.
Kayla bocejou e abriu os olhos devagar. Azuis. Intensos. Claros demais.
Cher olhou para o bebê. Depois para Jonathan. Depois para Rebekah.
— Que olhos lindos… — comentou, com um sorriso carregado de ironia.
— Realmente — Ray começou, mas parou ao perceber o clima. — Até que lembram os do…
— Do quê? — Jonathan perguntou, confuso.
— Ah, de alguém da faculdade — desconversou.
Jonathan sorriu, bobo.
— Devem ser iguais aos meus de tanto que falei com ela durante a gravidez.
Rebekah engoliu em seco.
A enfermeira entrou pedindo a assinatura de alguns papéis. Jonathan saiu com Ray.
— Agora você não pode mais fingir — Cher disse em voz baixa. — Ele é o pai.
— Para, Cher — Rebekah pediu, firme. — Eu não lembro de nada. E ele também não. Isso não existe.
— Negue o quanto quiser.
Jonathan voltou com boas notícias: alta no dia seguinte.
Em casa, horas depois, Rebekah amamentava Kayla no sofá. Jonathan, parado na porta, observava a cena em silêncio. O coração apertava toda vez que se permitia imaginar uma vida que talvez nunca fosse sua.
— Vai ficar me olhando até quando? — ela brincou.
— Eu não estava te olhando — mentiu m*l.
Ela riu.
Jonathan levou Kayla para o quarto. Ao colocá-la no berço, falou baixinho:
— Eu prometo cuidar de vocês. Sempre. Vou fazer de tudo para você e sua mãe serem muito felizes. O que depender de mim, será feito. — Ele disse passando a mão delicadamente pelos cabelinhos dela. Kayla respirou fundo adormecida e Jonathan sorriu. — Eu vou sempre estar com vocês e quem tentar impedir, terá problemas comigo. Não importa quanto tempo, você sempre será a minha garotinha.
— Não acredito que perdi o posto de garota favorita — Rebekah disse da porta.
Jonathan se assustou.
— Tempo suficiente — ela completou — pra saber que você vai ser um pai maravilhoso.
— Eu faço tudo porque te amo — ele disse, sem conseguir segurar.
— Eu também te amo — Rebekah respondeu, abraçando-o. — Você é meu melhor amigo.
Ele respirou fundo.
Será que algum dia ela entenderia?