4ª Semana
Comparação: Grão de arroz;
Peso aproximado: 1 g;
Tamanho: 0,2 cm;
Dias de gravidez: 28 dias
O apartamento de Jonathan era bastante aconchegante, nem tão grande e nem tão pequeno, era o bastante para uma pessoa que mora sozinha. Logo que abriu a porta, deu de cara com a sala, mas ao fechar a porta notou a cozinha em seguida. A sala era relativamente pequena, havia um sofá bege de três lugares e dois sofás da mesma cor de apenas um lugar: um em cada lado. No meio havia uma mesa de centro, e na mesma direção da parede havia um painel com uma tv. A cozinha era pequena e básica, e a mesa de quatro lugares era o que separava os cômodos. Tinha uma prateleira em cima da pia com copos e pratos, pequenas coisas que se utilizam na cozinha. Embaixo da pia havia portas de móveis, provavelmente onde estariam os alimentos e panelas. Dando continuidade ao balcão da pia estava o cooktop, e após esse balcão estava a geladeira. No final da sala havia uma grande janela com uma bela vista da paisagem do outro lado da rua, próximo a essa janela havia um sofá encostado à parede para leitura enquanto se aprecia a vista.
Na sala havia duas portas, uma de cada lado do painel da tv. Abriu uma delas e viu um quarto bem simples, havia uma cama de casal com uma mesa de cabeceira de cada lado dela, e também uma cômoda próxima a porta, uma grande janela no final do quarto e embaixo dela havia um puff. Atrás da porta ficava o guarda roupas embutido na parede. O outro quarto era exatamente igual, padrão.
Olhando em volta, Bekah viu uma porta na sala, no sentido contrário ao quarto. Era um pequeno banheiro, havia apenas uma pia com um espelho, um vaso sanitário e no canto uma banheira.
— Onde que está o terceiro quarto que Jonathan falou? — Bekah questionou a si mesma após achar apenas dois quartos. Ouviu seu telefone tocar e logo atendeu. — Oi, Jhonny!
— Chegou já? — Sua voz soava preocupada.
— Já sim, só tenho uma dúvida. Onde está o terceiro quarto? — Perguntou em um tom divertido.
— Não são três? — Ele riu do outro lado da linha. — Só fui no máximo três vezes aí.
— Certo. Amanhã Charles e Angelita vão vir aqui. Vou compartilhar a notícia com eles.
— Quer que eu vá ficar com você? — Jonathan estava apreensivo.
— Não precisa, Jhonny. Eles são tranquilos. O maior problema já foi. — Bekah ainda estava cabisbaixa por conta da discussão e palavras da sua mãe. — Obrigada, Jhonny, por tudo.
— Estarei sempre aqui por você, Bekah. Agora preciso dormir. Se precisar de qualquer coisa, me avise que dou um jeito.
— Fica tranquilo. Está tudo certo. Boa noite, Jhonny.
— Boa noite, Bekah.
Rebekah finalizou a chamada e caminhou até um dos quartos. Olhou no guarda-roupa e procurou por uma toalha de banho e uma camiseta. Depois que separou tudo, caminhou até o banheiro e tomou um rápido banho no chuveiro que havia em cima da banheira. Já ajeitada para deitar, pegou seu telefone e tentou falar com Joey, em vão. Seu telefone ainda estava desabilitado. Frustrada, bloqueou a tela e colocou na mesa de cabeceira. Planejando como seria sua vida dali para frente, acabou adormecendo em meio a pensamentos.
Bekah acordou assustada, com seu telefone tocando.
— Alô? — Atendeu confusa, ainda sonolenta.
— Bom dia, meu lírio! Como está se sentindo? — A voz animada de Cher ecoava do outro lado da linha.
— Ah, Cher! — Bekah resmungou, bocejando. — Que horas são?
— Hora de levantar e se exercitar! Grávidas precisam disso.
— Não quero! — Resmungou, afundando o rosto no travesseiro.
— Consegui consulta para semana que vem. Segunda-feira! — Ela estava animada.
— Obrigada, Cher. — Bekah estava grata pelos amigos que tinha.
— Agora preciso desligar, tenho aula. Vê se levanta, vai comer alguma coisa e fazer uma caminhada.
— Caminhada e Rebekah na mesma frase não combinam. — Elas riram.
— Não coma muita besteira. Procura coisas saudáveis.
— Certo, doutora. Mais alguma recomendação?
— Por enquanto apenas isso. — Respondeu, com o ego elevado.
— Obrigada por tudo, Cher.
— Por nada, Bekah. Se precisar de alguma coisa, me liga, ou liga para o Jonathan, que aliás devem ter muitas coisas para conversar. A começar por um beijo e tudo mais.
— Tchau, Cher!! — Bekah debochou, desviando o assunto.
— Beijinhos, gravidinha.
Finalizando a ligação e ainda com preguiça, Bekah se levantou e foi até o banheiro, onde tomou um rápido banho, para se animar. Logo que terminou, enviou uma mensagem para Angelita pedindo algumas roupas.
Já na cozinha, Rebekah procurava algo para comer. Não achou muita coisa, apenas alimentos que precisavam ser feitos.
— d***a, Angelita! Como você faz falta! — A garota estava cabisbaixa por não saber cozinhar.
Se assustou ao escutar a campainha tocar. Caminhou até a porta e ao olhar pelo olho mágico, notou Angelita e Charles esperando do outro lado da porta.
— Graças a Deus! — Exclamou assim que abriu a porta.
— Está tudo bem, menina Rebekah? — Angelita perguntou preocupada com a reação da garota.
— Na verdade, não. Estou com fome e só agora notei que não sei fazer nada! — A garota sentiu seus olhos marejados. — d***a de hormônios!
— Trouxemos coisas para você comer! — Charles falou tentando animar a garota.
— Antes de você me enviar a mensagem, já tinha separado algumas coisas, enquanto Lilian estava dormindo.
— Vocês são uns anjos na minha vida. Acho que nunca agradeci a vocês o suficiente. Vocês sempre fizeram tanto por mim, sinto que não fui grata o bastante. — As lágrimas escorriam pelo rosto de Rebekah. — Vocês são o mais perto de pais que eu tenho na vida. Espero que saibam disso.
— O que aconteceu, Bekah? Por que está falando isso? — Angelita perguntou preocupada com a menina. Passou a mão no rosto dela, secando as lágrimas que caiam.
— Eu fiz besteira, falhei com vocês, me desculpa. — Ela abaixou sua cabeça e deixou as lágrimas caírem.
Charles fechou a porta enquanto Angelita ia guiando Bekah até o sofá.
— Nos conte o que aconteceu. — Charles incentivou Bekah.
— Eu… Eu estou grávida. — Bekah mantinha sua cabeça abaixada. — Estraguei tudo não é?
— Claro que não, Bekah! — Angelita abraçou a menina. — Saiba que você não está sozinha, não vamos abandonar você.
— Jura? — Uma faísca de esperança alegrava o coração da menina. Estava com medo da reação dos dois, pois eram muito importantes na sua vida. Talvez até mais que Lilian.
— Bom… Ser jovem e grávida é como ser um catavento. Sempre que o tempo muda, você não tem ideia de que forma sua vida irá. — Charles falou pela primeira vez depois da revelação.
— Charlie!! — Angelita repreendeu ele.
— Desculpa, Tita, não era isso que queria falar. Escuta, Bekah, quando nós fomos trabalhar lá, você ainda era pequena, seu pai estava lá por você. Depois que ele se foi, nós sentimos a obrigação de fazer por você o que ele faria. Jamais concordamos com nada do que Lilian fazia com você, por vezes tentamos impedir, mas somos meros empregados.
— Para mim, vocês são muito mais que isso. — Bekah admitiu, emocionada com as palavras de Charles.
— Nós tentamos fazer tudo para você não se sentir pior, não ser afetada pelas palavras da cobra. — O apelido fez Bekah rir.
— Nós continuaremos ao seu lado, até quando você achar que não nos quer mais por perto. Você agora saiu do ninho, voou alto, mas nos manteremos ao seu lado. — Charles completou.
— Eu amo vocês! — Bekah abraçou os três.
— Nós também amamos você, como se fosse nossa filha! — Angelita finalizou.
— Bom, agora sem choradeira. — A garota respirou fundo e sorriu para eles. — Estou com fome e não sei fazer nada para comer. Parece que alguém me acostumou de maneira péssima.
A manhã foi divertida, Charlie e Angelita fizeram Rebekah esquecer um pouco seus problemas. Eles traziam paz e estabilidade para ela, sempre fizeram de tudo por ela. Bekah conseguia mostrar sua gratidão para eles.
— E assim você termina de temperar seu macarrão. — Angelita terminou de ensinar a receita para Bekah.
— Certo. Anotei aqui o café, macarrão, arroz. Está bom de receitas por hoje.
— Escuta, eu trouxe verduras para você. Agora precisa de bastante vitaminas, já deixei tudo lavado e separado nos potinhos. Você vai apenas temperar com um pouco de azeite.
— Obrigada, Angelita.
— Precisamos ir. Logo Lilian nota nossa ausência.
— Vão sim. Não quero prejudicar vocês.
— Por você vale a pena. Sempre ignorei os gritos dela, agora não faz mais diferença.
— Não, Charles. Vocês precisam do emprego, precisam se manter lá por mim.
— Tudo bem, Bekah. Faremos por você.
— Mais uma vez, muito obrigada a vocês, por tudo. Por não me abandonarem e nem gritarem comigo, principalmente.
— Jamais faríamos isso com você, Bekah.
— Fica bem, Bekah. Qualquer coisa que você precisar, me liga. Não importa a hora, eu chamo o Charlie, e nós corremos para cá.
— Obrigada, gente, de verdade!
Rebekah deu um abraço apertado em cada um deles e se despediu. Ela se jogou no sofá e ligou a tv, onde acabou adormecendo.
Acordou assustada horas depois, já estava anoitecendo. Pegou seu celular e se espantou com a hora, já se passava das seis da noite.
Bekah foi até a cozinha, pegando um copo de leite e um pedaço de bolo para comer. Angelita havia trago várias coisas que sabia que ela gostava de comer. Assim que terminou, ela lavou o que usou e foi para o quarto, onde se jogou na cama.
— Oi, Jonathan. — Atendeu seu telefone logo no primeiro toque.
— Bekah, como está? Conseguiu falar com Angelita?
— Estou bem, e você? Consegui sim, eles vieram aqui hoje. Trouxeram algumas coisas que vou precisar.
— Estou bem, Bekah. Apenas preocupado com você.
— Não precisa, Jhonny. Para o primeiro dia, consegui me virar bem. Acredita que fiz macarrão!
— Olha, que progresso. — Ele riu levemente com a animação da amiga.
— É tão chato ficar aqui sozinha. Mas logo eu me acostumo. — Bekah resmungou.
— Assim que tiver uma folga, prometo ir aí te ver.
— Vem mesmo, porque vou pirar sozinha! Ah, Cher marcou médico para semana que vem. Não queria ir sozinha, acho que vou chamar Angelita para ir comigo.
— Se quiser, posso ir com você.
— Não quero atrapalhar você, Jhonny. Já está fazendo tanto por mim.
— Não atrapalha. Depois me passa o horário que te busco e vamos.
— Então tá combinado! — Bekah se animou com a ideia de ir com o amigo. — Obrigada por tudo, Jhonny. Não sei se um dia vou conseguir retribuir, mas prometo tentar bastante.
— Certo, Bekah. Depois cobro. — Ambos riram. — Vou terminar um trabalho aqui. Liguei apenas para saber como estava. Os pombinhos logo chegam aqui.
— Manda um beijo para eles por mim.
— Mando sim. Beijo, Bekah. Qualquer coisa, já sabe!
— Sei sim, Jhonny. Beijos, boa noite!
Após finalizar a ligação, Bekah preparou um banho na banheira. Ficou lá por um tempo, aproveitando para relaxar. Logo depois, se deitou e ficou mexendo nas redes sociais, até cair no sono.