Capítulo VI - Parte 1

1747 Words
Rebekah acordou e observou que Julian não estava mais ali. Levantou e se assustou ao notar que estava atrasada para a escola. Rapidamente se arrumou e desceu as escadas correndo, encontrando Angelita ajeitando a sala. — Menina Bekah, não vai comer? — Não dá tempo! — A garota saiu correndo, mas a curiosidade foi maior, então voltou. — Angelita, alguém esteve aqui hoje? — Como assim, “alguém”? — A mulher a encarou confusa. — Pensei ter escutado alguém diferente falar. — As mesmas pessoas de sempre, Bekah. — Devo ter sonhado ou algo assim. Beijo, Angelita. A morena saiu dali, sem pensar muito. Com certeza Julian saiu cedo para ninguém vê-lo, e sem avisá-la, provavelmente por não querer acordar a garota. Pelo menos era isso que Bekah esperava. O caminho até a escola foi rápido, visto que ela apressava o motorista a cada 10 segundos. Ao chegar na escola, correu até o seu armário para checar seu horário. — Ei, Bex! — Assustou-se, ao ouvir o chamado. — Ei, Joey. Como vai? — Estou bem. Procurei você ontem, porém não encontrei. Para onde foi? — Para casa. Ia me despedir, mas vi que estava ocupado. — O garoto sorriu sacana. — Bom, realmente. Estamos levemente atrasados. Aula de quê? — Cálculo, e você? — Perguntou, enquanto fechava o armário e caminhava pelo corredor. — Finalmente! Cálculo! — Comemorou o garoto. A aula se arrastou, felizmente Joey vez ou outra falava algo e fazia Bekah sorrir. A próxima aula seria Francês e a garota estava sozinha nessa classe. Combinou de encontrar Joseph no intervalo. Bekah estava preocupada, pois além de não ter visto Julian, ele não respondia sua mensagem. Durante o intervalo, Rebekah notou que havia alguns burburinhos pela escola, não deu muita bola, afinal, o outro dia de festa sempre era assim. Ao chegar no refeitório, a garota escolheu um suco de framboesa e correu os olhos pelo lugar, encontrando Joey sentado na mesa com alguns garotos do time de futebol. Estava pronta para sair, quando o ouviu fazer seu irritante assovio, chamando atenção de praticamente todos que estavam lá. A garota se virou para encarar o moreno e viu ele levantando e caminhando até ela. — Onde a senhorita pensa que vai? Vem, vamos sentar. — O quê? Lá com eles? — Claro que não. Tem outra mesa vazia. Podemos nos sentar lá. Ela assentiu, e caminharam até aquele lugar, tendo que passar pela mesa onde, antes, Joseph estava sentado. — Ei, Rebekah? — Um dos garotos que estava sentado chamou a sua atenção. — Pode me mostrar algumas posições? — Ele riu, fazendo todos na mesa o acompanharem. — Como é que é? — Eu disse para não falar mais sobre isso! — Joey repreendeu, dando um leve empurrão no garoto. — Jura que vai defender ela? Ela, Joey? Por quê? — Deu um passo à frente, encarando-o de perto. — Tá fodendo ela também? Antes mesmo que Rebekah pensasse em responder alguma coisa, Joey a assustou ao desferir um soco no rosto do garoto, resultando instantaneamente no seu nariz sangrando. — Vai se arrepender disso, King! — Nunca mais fale dela desse jeito! Melhor eu nem ver você perto dela, ou vai se ver comigo, entendeu? Joseph saiu dali, puxando Bekah, que nada entendia. — Joey, para! — A morena parou no corredor, e esperou o amigo olhar para ela. — O que está acontecendo? — Eles sabem, Bex. Eu sei, todo mundo sabe. Todos sabem sobre você e Julian, ontem... — O quê? Como assim? Como sabem? — Quem estava lá? — Indagou. — Eu e Julian. Quem mais estaria? — Você contou algo? — Não, claro que não! Por que eu conta... O amigo olhou sugestivo para Bekah. Sua cabeça estava a um turbilhão de pensamentos. Não conseguia entender o porquê de Julian ter feito isso. Não fazia sentido ele ter contado para todo mundo o que havia acontecido entre eles, e mesmo se o fizesse, o que ele ganharia com isso? Fama? De quê? Para quê? Bekah se remoía com tantas questões, incapaz de achar as respostas naquele instante. — Desculpa aí, Bex. Não queria ter que te contar isso, ainda mais desse jeito. O mundo de Bekah se destruía, como se tivesse levado um soco no estômago. Então era isso? Ele mesmo fez questão de contar? Como Julian poderia ter feito isso com ela? Seu coração estava em pedaços, sentia repulsa só de lembrar que um dia foi capaz de confiar nele. Rebekah sempre teve problemas de autoestima, por conta de toda a pressão da sua mãe para criar a garota perfeita, a filha perfeita. Mas com a ajuda dos amigos e do psicólogo, conseguiu se recuperar dos distúrbios alimentares e de todas as coisas que a impediam de ter uma vida menos embaraçosa, porém nunca mais seria a mesma coisa, visto que a quantidade de alimentos que consumia ainda é mínima. Sempre teve problemas em se relacionar com novas pessoas. Acabou se acomodando em sua pequena bolha entre Jonathan e Raymond e demorou um tempo para deixar Joseph entrar na sua vida por completo. Agora que ela finalmente estava se abrindo para novas amizades e experiências, Julian faz isso. Uma grande quebra de confiança. Ela não conseguia definir tudo o que sentia. Estava decidida a tirar satisfações com o garoto, portanto, Bekah saiu dali, deixando Joey para trás. Procurou pela escola toda, até encontrar Julian na parte de trás, aos beijos com Maya. Com toda a coragem que ainda restava, respirou fundo, guardando suas lágrimas. — Seu b****a! Por que fez isso comigo? Eles pararam de se beijar no mesmo instante, assustando-se com a voz dela e virando para encará-la. — Não acredito que você acreditou que ele estava mesmo interessado em você. — Maya debochou, rindo. — Olha nos meus olhos e fala a verdade. — Rebekah estava séria, tentando manter a postura. Por mais furiosa que estivesse, ainda havia aquele um por cento de esperança. — Era tudo um jogo. E eu odeio perder. — Julian falou naturalmente. — Pode voltar e se lamentar com seu novo amiguinho. — A garota fez beicinho, mas logo riu. — Thomas sabe disso? — Bekah perguntou ao se lembrar que a loira namorava ele, enquanto Joseph namorava Mia, sua gêmea, enquanto enxugava as lágrimas que insistiram em cair. — O Thom não mora mais aqui, e mesmo se morasse, gosto de aproveitar o momento. — Sorriu sacana para Julian. Rebekah saiu rapidamente dali, tudo que queria era sua casa. Ligou para o motorista e pediu para buscá-la, alegando que não estava se sentindo muito bem. Logo já estava em casa, subiu as escadas correndo e entrou em seu quarto, trancou a porta e se jogou na cama. Tudo se repetia em sua cabeça, deixando-a atordoada e incapaz de pensar com clareza. Horas depois, acordou com o som ensurdecedor do seu celular, notando que era Jonathan ligando. — Oi, JJ. — Atendeu, desanimada. — Ela atendeu! Avisa a ele. Ei, o que aconteceu? — Sua voz soava preocupada. — Avisar a quem? — Joseph. Ele estava preocupado porque você não atendia e pediu para ligarmos para sua casa. O que aconteceu? — O moreno insistiu. — Foi o Julian. — A garota sentiu seus olhos ficarem marejados outra vez. — Você estava certo o tempo todo. Desculpa não ter acreditado em você. — Ei, não fale isso. Se tivesse aí eu nem sei o que faria com esse garoto. — O que ele fez? Vou meter a p*****a nele. — No fundo, ouviu a voz de Ray. — Sem violência, rapazes. Isso não leva a nada. — Foi a vez de Cher falar. — Deixa eu falar com ela. Oi, Rebekah! Escuta, essas decepções acontecem o tempo todo na nossa vida. — Sério? Essa é sua motivação? — Jonathan perguntou com desdém, fazendo Bekah rir. — Ela está até rindo, i****a. Mas, são essas quedas que nos fazem amadurecer e sermos fortes. Acha mesmo que cheguei até aqui sem conhecer nenhum cara b****a que me fez sofrer? Lógico que não. Mas claramente isso me ajudou a ser quem eu sou hoje. Então encare isso como um aprendizado para a sua vida. — Obrigada, eu acho. — Bekah respondeu confusa. — Por nada. Agora preciso ir, estou atrasada. Fique bem, pode ligar se quiser. — Se precisar de alguém para bater nele, me avisa, Bekah. — Ela riu da fala de Raymond. — Esses dois… Como você está, de verdade? — Jonathan mostrava preocupação com a amiga. — Vou ficar bem, JJ. — Na verdade, Bekah estava sentindo-se péssima por ter confiado em Julian. — Hoje é o Homecoming Dance... Ia te chamar, mas deixa para a próxima. — A morena pensou por alguns segundos. Não valeria a pena ficar sofrendo, pensando em alguém que não daria a mínima para ela. — Eu vou. — Respondeu decidida. — Você pode trazer alguém, se quiser. — Sugeriu. — Posso levar o Joey? Assim não preciso me preocupar com a volta. — Claro, antes ele que o outro. — O desdém era nítido na voz de Jonathan. — Bom, vou me arrumar então. Obrigada, Jhonny. — O garoto sorriu ao ouvir Bekah chamá-lo pelo apelido de infância. — Por nada, Caneca. — Bekah gargalhou ao ouvir seu apelido. Rebekah sempre foi grata pela amizade que tinha, tanto com Jonathan como Raymond. Ela e Jonathan eram inseparáveis. Conheceram-se quando eram bem pequenos, Jonathan morava duas casas depois da sua e sempre que Angelita levava Bekah ao parque, ele estava lá com sua mãe. Na escola, em algumas aulas Bekah era um pouco avançada e coincidiu de ficar na mesma turma que ele. — Eu vou te chamar de Jhonny. — Ela estava radiante por ter inventado o novo apelido. — Mas do que irei te chamar? — Jonathan pensava em algo legal para a amiga. — As pessoas me chamam de Bekah. — Bekah, Bekah... Prefiro Caneca. Quando estavam com 10 anos, Raymond se mudou para a casa que havia entre a deles. Logo os três se tornaram inseparáveis. Nos momentos difíceis para Rebekah, os dois sempre estiveram lá por ela. A amizade dos amigos era capaz de ajudá-la a esquecer a ausência da mãe e a falta que sentia do seu pai. Sorriu ao se lembrar dos bons tempos de infância, onde não havia pessoas tão ruins na sua vida. — Nos vemos mais tarde. — Se despediu, encerrando a ligação.
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