Narradora
Mais um dia na Folha. Cada criança estava treinando com seu pai ou mãe hoje. Saori estava treinando taijutsu com sua mãe, Sakura. Metal Lee estava escalando a montanha com seu pai, Rock Lee. Só Naoko e Boruto que não estavam com seus pais. Boruto estava pintando o Monumento do Sétimo Hokage e Naoko apenas passeava pelas ruas.
- Não acredito nisso, Boruto. - Ela vê a estátua da rua - Vão te m***r por isso.
No rosto do Sétimo, estava escrito "i****a". O clone de Naruto aparece e quase pega o pirralho.
Boruto salta e corre pelas ruas. Ele entra em um beco e ri.
- Aquele i****a nunca vai me pegar. - Ele sorri
- O que disse? - Naomi aparece atrás dele
- T-Tia? - Ele se assusta - Não é nada do que está pensando!
- É sim! - Ela dá um puxão de orelha nele - Seu pai está trabalhando muito e você só fica o atrapalhando. Já sei qual vai ser seu castigo!
- Não, tia Naomi! - Ele é puxado pela orelha - Por favor.
Naomi tinha permissão de castigar o garoto. Às vezes, Boruto tinha mais medo de sua tia do que da sua própria mãe. Naruto e Hinata concordavam em deixar Naomi castigar as crianças. Era só dizer o seu nome, que tanto Naoko quanto Boruto ficavam com medo.
[...]
- Isso?! - Boruto grita
Ela o levou até o interior da Folha. Onde tinham fazendas de animais e hortas.
- Sim. - Naomi cruza os braços - Você ajudará o senhor Mank. Vai colocar todo esse esterco na carroça e vai levar até o outro lado da plantação.
- Eu vou ficar fedendo! - Ele choraminga - Tenha piedade, tia!
- Deveria ter pensando nisso antes de atrapalhar a minha reunião. Agora, mãos à obra.
- Está bem...
(Vou usar clones das sombras para acabar logo com isso!) Ele sorri
- E sem clones. - Naomi adivinha - O único clone que será usado aqui, será o meu. - Ela faz um - Vou ficar de olho em você de um jeito ou de outro. Agora, vá!
O garoto bufa e pega a pá de esterco.
Ele sabia que não tinha como fugir de sua tia. Naomi era rápida demais e muitas pessoas diziam que ela tinha escondido centenas de suas kunais de teletransporte em vários locais da Vila. Mas a mesma nunca confirmou ou negou nada.
[...]
Naoko
Isso é um saco. Todos os meus amigos estão treinando com os seus pais. E eu? Eu estou sozinha; me perguntando se o meu pai poderia me ajudar caso estivesse aqui.
Acho que irei falar com a minha mãe. Talvez ela saiba quando ele vai voltar ou algo do tipo. É chato ver todos os meus amigos com os seus pais enquanto eu fico sozinha.
Ao chegar no prédio do Hokage, avisto Shizune.
- Shizune. - A chamo - A minha mãe está?
- Ela acabou de voltar. - Ela diz - Mas acho que está ocupada no momento.
- Pode tentar chamá-la? Preciso falar com ela.
- Sinto muito, Naoko. Não posso.
- Mas eu...
- Naoko? - Minha mãe aparece - O que faz aqui?
- Preciso falar com a senhora. Mesmo que diga que está ocupada, vou insistir e não...
- Está bem. - Ela sorri - Vamos. Já está na minha hora do almoço.
Isso foi mais fácil do que pensei.
[...]
- E então? - Ela come a comida - O que queria falar comigo que era tão urgente assim?
Fomos em um restaurante no shopping.
- Mãe, por que o meu pai não volta logo? - Pergunto de cabeça baixa - Sei que ele tem missões, mas...
- Eu também sinto falta dele. - Ela diz - De verdade.
- Então por que não diz para ele voltar?
- Não posso dizer isso. Sasuke participa de missões perigosas que ninguém tem coragem de participar. Ele é um herói. Não posso pedir para que ele volte assim.
- A senhora ao menos fala com ele?
- Um pouco. Através de algumas cartas.
- Nunca tinha me dito isso antes.
- As cartas são relatórios de suas missões, mas...
Fico com raiva e me levanto
- Que legal! - Bato na mesa - Até ele se importa mais com o trabalho do que com a família. Já tinha pensado nessa possibilidade. Mas sempre tive a esperança de achar que ele não era assim! Vocês são todos iguais.
- Naoko! - Sua voz me assusta - Nunca mais diga isso. Tá me ouvindo?
Abri a boca para dizer algo, mas seu telefone tocou e preferi ficar quieta.
- Alô? - Ela atende - Agora? Mas não tinham marcado para outra hora?
Ela fica escutando enquanto eu só fico batendo o pé.
- Me faça um favor. - Ela volta seu olhar para mim - Resolva isso. Tenho assuntos para tratar.
Ela desliga o telefone e levanta deixando dinheiro na mesa. Faz um sinal com a cabeça para que eu a siga e fomos.
A segui sem dizer nada. Sua expressão estava vazia. Não dava para saber se estava com raiva ou não.
O mais estranho, é que ela nos levou para casa.
- O que estamos fazendo aqui? - Pergunto
Ela abre a porta;
Entrei com medo de apanhar pelo meu escândalo do shopping. Mas ao entrar, ela não me fez nada. Foi para a varanda de trás e sentou no banco de lá. Fui até ela e me sentei um pouco distante dela.
- Está com raiva de mim, não é? - Pergunto
Ela não se vira para mim.
- Não. - Ela diz - Estou com raiva de mim mesma.
Fico surpresa e nos olhamos. Pela primeira vez, vi minha mãe com seus olhos cheios de lágrimas. Senti meu coração se quebrar.
- Raiva de mim por não ter lhe dado educação. - Ela continua - Raiva por eu não ter sido uma boa mãe. Eu tentei. Tentei de verdade. Tentei trabalhar mais para pagar uma boa casa, boas roupas, boas comidas, bons brinquedos, mesada... Mas acho que nem isso a agradou. Me desculpe. Eu tentei ser uma boa mãe. Mas não consegui.
Suas lágrimas caem e ela respira fundo
- Como você sabe, eu não tive uma mãe. Então não sei como fazer isso. Tenho medo de fazer algo errado e perder a confiança de vocês, ou até... O amor. Seu pai nos ama também. Você não me deixou terminar de falar antes. Toda vez que ele nos manda um relatório, deixa uma mensagem para nós no final. Ele diz para eu dar um beijo em vocês por ele e diz que nos ama.
Papai... nos ama assim?
- Quando eu estava grávida de você, ele foi muito presente. Eu não podia dar um passo sequer que ele já vinha para me ajudar. O que ele mais gostava, era de deitar na minha barriga e sentir você o chutar. Ele sorria todo bobo. - Ela ri e limpa as lágrimas - Você não se lembra muito dele, porque na última vez em que ele esteve aqui, você tinha... Sei lá. Cinco ou seis anos. Era quando eu estava grávida de Sakumo. Você passava o dia brincando e ele dispensou várias missões para me ajudar. Por isso eu disse que não era para você falar aquelas besteiras.
Agora me sinto péssima.
- Está chorando? - Ela me olha
Passo a mão na bochecha e sinto a molhada. Esfrego os olhos para limpar.
- Mãe... - Digo - Me desculpe. Eu não sabia...
- Eu que tenho que me desculpar. - Ela levanta - Venha. Quero te mostrar uma coisa.
Fomos ao segundo andar e seguimos até o final do corredor. Onde fica a porta de madeira escura.
Ela pega uma chave e a balança.
- Já estava na hora de eu te mostrar esse lugar. - Ela sorri sem mostrar os dentes
Ao abrir a porta, me deparo com uma sala grande e cheia de estantes e prateleiras com livros. Tudo ali era de madeira e tinha uma mesa com uma poltrona e abajur no canto.
- M-Mãe... - Tento dizer - Tudo isso é seu?!
- É sim. - Ela sorri - Seu pai me deu de presente de casamento. Ele sabe que eu amo livros e acabou me dando uma blibioteca inteira.
- Então a senhora gosta de livros também. - Ando entre as prateleiras
- Também? Quer dizer que você também gosta?
- Parece que foi da senhora que tirei essa mania de ler.
- Você me puxou em muitos aspectos. E a olhando bem, acho que me puxou mais do que o seu pai. Já o seu jeito séria é dele. - Ela ri
- Por que me mostrou isso?
- Para te amostrar uma outra coisa.
Ela vai até um quadro e de trás dele, aparece um cofre. Ela o abre e tira um álbum de lá.
Se sentou na poltrona e sentei ao lado dela para ver. Ao abrir, vi logo uma foto minha bebê no colo do meu pai.
- Foi difícil fazer ele tirar essa foto. - Ela ri - Sasuke não gosta muito de aparecer em fotos.
Ela muda de página e fomos vendo as fotos. Papai quase não aparecia nelas. Ele realmente não gostava tanto.
[...]
- Obrigada por me mostrar isso, mãe. - Sorrio sem jeito
Saímos da blibioteca e ela trancou a porta.
- Já tinha passado da hora de eu te mostrar isso. Essa blibioteca e a nossa história... É uma obrigação minha.
Ela coloca a chave na minha mão.
- Pode vir aqui quando quiser. Mas não esqueça de trancar e não deixe mais ninguém entrar.
- Pode deixar, mãe. Obrigado.
Claro. Aquilo me fez amar mais a minha mãe. Saber mais sobre a nossa história me fez me sentir melhor.
Dia seguinte
- Bom dia! - Desço as escadas
- Bom dia, meu amor. - Mamãe nos serve
- Bom dia, mana. - Sakumo sorri
- Naoko, depois do café, quero te ensinar algo. - Ela sorri para mim
Fiquei curiosa e comi rápido.
Fomos para o quintal e ficamos de frente para o nosso pequeno lago.
- Os Uchiha já nascem com um elemento de chakra. O fogo. - Ela diz - E eu já deveria ter lhe ensinado isso.
- Vai me ensinar um jutsu novo? - Pergunto animada
- É um jutsu bom. Preste atenção.
Ela faz sinais e respira fundo. Assoprou uma enorme bola de fogo e fiquei sem palavras.
- Quantos elementos a senhora controla? - Me viro para ela
- Três. - Ela ri - O fogo não é o meu ponto forte. Por isso, desde semana passada, treinei ele para poder te ensinar.
Ela treinou por mim?
- Agora é a sua vez. - Ela diz - Vou te amostrar os selos de novo e...
Faço os selos e respiro fundo.
Estilo Fogo, Jutsu Bola De Fogo!
Assopro uma chama menor do que a da minha mãe.
- Boa! - Mamãe comemora - Continue assim.
- Obrigada.
- Mas agora... - Ela fica sem jeito
- A senhora tem que ir. - Completo - Tudo bem. Obrigada. Tenha um bom dia.
Ela me olha e sorri. Um olhar carinhoso e apaixonado.