Fui tão absorvida pelo trabalho, ao som de Ed Sheeran, que m*l pude notar a presença daqueles lindos olhos negros me observando. Levei um enorme susto quando percebi que ele estava ali parado, próximo à minha mesa.
Meus Deus! Há quanto tempo ele estava ali? Será que gosta de me assustar ou é apenas a minha imaginação fértil querendo que ele preste atenção em mim? Como ele é gato!
Foco, Amanda! Ele não pode perceber o efeito que tem sobre você. Eu devo ser maluca por estar brigando comigo mesma.
- O-olá... Pois não? Posso lhe ajudar? - perguntei o mais profissional que pude.
- Na verdade, pode sim. - Ele respondeu, igualmente profissional.
- Não percebi que estava aí, parado. Me desculpe. – falei, corando mais do que esperava.
- Tinha acabado de chegar e não quis atrapalhar sua concentração.
- Me concentro melhor quando estou ouvindo música. Então... no que posso ajudar?
- Interessante. O que gosta de ouvir? - ele realmente parecia interessado - Não vai me dizer que ouve de tudo um pouco?!
Ri do comentário meio i****a.
- Sim e não - usei a mesma resposta que ele me deu antes - Muito cedo aprendi a estabelecer meu próprio gosto musical e as vezes me sentia uma senhora no corpo de uma criança. Com apenas dez anos já gostava de Scorpions, Beatles... e de lá pra cá, fui conhecendo outras possibilidades e adicionei ao meu repertório.
- Uma criança que gostava de Scorpions? Tá aí algo que não se vê todos os dias.
- Sim, mas também curto as mais atuais... depende muito do meu estado de espírito. - concluí.
Ele abriu um enorme sorriso com dentes lindos e muito brancos.
Meu Deus! Ele tem covinhas! Desse jeito eu não aguento!
Meu cérebro derrete todas as vezes que esse homem se aproxima de mim.
- Mas o senh... você – corrigi antes que ele mesmo faça isso - não veio aqui para discutir meu gosto musical. Do que precisa?
- Ah, sim... Richard saiu para atender alguns clientes, você deve saber disso, mas antes me disse que deixaria com você alguns contratos dos clientes do mês passado que pedi. Ele sempre os deixa em pastas marrons. - falou enquanto percorria aquele ambiente com as vistas, me ajudando a procurar.
- Certo. E os contratos são do quê, especificamente? Posso tentar localizar. Ele deixou várias pastas aqui, ontem.
- São os contratos mais recentes. Contas empresariais.
- Certo. Sei onde estão. Só um minuto - comecei a revirar o monte de pastas que estavam sobre a outra mesa.
- Aliás, você já está devidamente acomodada?
- Sim, sim. Fiquei muito confortável aqui. A iluminação é muito boa, a vista é realmente impressionante daqui de cima. - falei entregando a ele a pasta com os contratos.
- Que bom que gostou. Eu mesmo escolhi... Mas me refiro ao seu apartamento. Está tudo em ordem?
- Ah... sim! Aos poucos está tomando jeito de casa de adultos e as caixas estão saindo do nosso caminho.
- Fico feliz que esteja tudo em ordem. A vizinhança ali é muito boa - pegou a pasta e caminhou em direção à sua sala.
O quê? Como assim? "Eu mesmo escolhi"?” A vizinhança ali é muito boa”???
Fiquei sem entender nada. Do que ele estava falando?
Quem é esse homem?
Meu coração está aos saltos quando meu celular toca – é Michael. Atendi logo no primeiro toque.
- Oi, amigo!
- Que voz é essa? O que aconteceu? – perguntou preocupado.
- Algo muito esquisito, mas não dá para contar por telefone. Vem almoçar comigo?
- Já estou saindo daqui agora, te encontro no saguão do prédio em trinta minutos.
- Tudo bem. É o tempo que preciso para terminar de organizar umas coisas aqui e já desço – me despedi do meu amigo e tentei organizar meus pensamentos e retornar o que estava fazendo antes que aquele deus grego aparecesse em minha frente e roubasse meu chão e minha sanidade.
***
Como pode alguém conseguir fazer tudo isso sem nunca sequer ter me tocado? Isso não é normal! EU PRECISO t*****r URGENTEMENTE!
Estava terminando de organizar minha mesa que àquela altura do dia já estava cheia de petições para revisar e encaminhar aos devidos endereços comerciais quando Layla se aproximou e disse:
- Amanda, infelizmente não vou conseguir almoçar com você hoje. Tenho um compromisso – ela falou cheia de culpa.
- Não se preocupe, Layla. Já ia lhe procurar para combinar de irmos amanhã. Hoje também tenho companhia – sorri para minha gentil colega de trabalho.
- Hummm... companhia masculina? – perguntou meio envergonhada.
- É sim. Meu melhor amigo, irmão e talvez o homem mais incrível do mundo... e ele mora comigo!
- Sortuda! – comentou com ar decepção – Amigos são a melhor coisa da vida!
- O que foi? Você parece triste. Está chateada com algo? Será que posso te ajudar? - tentei ser o mais solidária possível.
- Dramas pessoais; só isso. Outra hora conto mais detalhes. Agora vai lá. Tenha um bom almoço.
- Vou trazer uma fatia daquela torta que você adora, para te animar – prometi.
- Você é um anjo! Muito obrigada! – ela agradece e caminho em direção ao elevador para encontrar meu amigo que já estava chegando. O que eu não esperava era ter que dividir o elevador com ELE. Por um momento hesitei; podia pegar o próximo elevador, porém, ele segurou a porta automática para que eu entrasse antes dele.
- Posso acompanha-la até o térreo? – perguntou em um meio sorriso.
- Claro que pode. Você manda em tudo aqui, esqueceu? – tentei parecer brincalhona, mas acho que não funcionou. Ele apertou o botão do térreo e seguindo os vinte e oito andares abaixo.
Aquele homem era mais impressionante do que eu já mencionei antes. Controlei o impulso de tocar seu braço forte. Ele fez questão de ficar bem próximo a mim, mesmo com todo o espaço disponível no elevador. Que diabos tá acontecendo? Ele parece estar em todos os lugares e literalmente surgir do nada quando eu menos espero.
- Tem algo que eu gostaria de lhe perguntar, se me permite... Brian. – falei, escolhendo muito bem as minhas palavras.
- Pode perguntar – ele estava relaxado, com mãos no bolso, paletó aberto e rosto suave como sempre. Me olhava nos olhos, profundamente.
- Como sabe onde moro? – falei sem ao menos respirar.
- O quê? – ele parecia não compreender o que ouvia.
- É... mais cedo você falou que minha vizinhança é muito boa. Como sabe? Aliás, como sabe onde moro?
- Ah, essa é fácil! É obvio que tenho a obrigação de saber onde meus funcionários moram. Se estão bem instalados... – respondeu na maior naturalidade, sem pestanejar.
- É mesmo? Onde Layla mora? – questionei.
- Quem é Layla? – Rá!
- Sua associada que já trabalha na firma há dois anos – não pude evitar o tom austero em minha voz.
- Ah... sim. A Layla. Claro. A Layla. A senhorita Davis. – Ele parecia muito constrangido - Lógico que sei. – Mentiu. Percebi porque ele falou desviando o olhar.
- E onde é? – chegamos ao térreo e ele se apressou em sair.
- Depois continuamos essa conversa. Um excelente almoço a vocês! – saiu sem que eu conseguisse pressioná-lo a me responder.
Que filho da p...
Saí do elevador sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ele estava me espionando ou era impressão minha?
De longe avistei Michael apoiado na coluna de mármore, olhando no celular, distraído. Senti um enorme alívio por enfim, estar em terreno seguro. Brian atraiu sua atenção assim que passou por ele, rumo à porta de saída. Correu a vista pelo saguão e me encontrou quase espumando de tanta raiva daquele ser que, apesar de eu achar que estava invadindo minha privacidade, me deixava louca de t***o.
- Já sei – falou se aproximando – aquele gato é o cara que você me falou.
- Tá tão na cara assim? – quase rosnei com ele.
- O que houve, além do óbvio? – perguntou.
- Vamos! Tenho muita coisa para te contar. Se prepara! – saímos para o clima agradável que fazia lá fora.
Chegamos ao restaurante e Michael m*l se aguentava de tanta curiosidade.
Não disse uma palavra até que estivéssemos sentados à mesa:
- Amanda você está me assustando - falou com os olhos arregalados - Me explica tudo o que tá acontecendo.
- Vamos por partes, ok? - falei tentando manter a calma - Olhei ao redor para me certificar que não estávamos sendo observados, principalmente por ELE e continuei - Pois bem, hoje pela manhã tive a surpresa do século. Sabe o cara gostoso do saguão? Ele é meu chefe - à medida que eu ia contando os fatos, Michael ia alternando suas expressões entre surpresa e consternação - Exatamente! MEU CHEFE, do verbo DONO DA EMPRESA ONDE TRABALHO. O cara que me dá calafrios só de pensar nele, é MEU CHEFE!
- Sim, essa parte você me falou pelo celular. Estou tentando entender qual o motivo de tanta aflição.
- Você ainda não entendeu? Estou cheia de t***o nesse homem – falei quase sussurrando.
- Amiga... não é como se você tivesse um p*u no meio das pernas e ficasse duro todas as vezes que você sentisse t***o, não é mesmo? Mulher tem como disfarçar, e bem.
- Mas a questão não é só essa.
- E o que é?
- Acho que é recíproco!
- Como assim??? Você acha que ele também está interessado? O que ele fez que levou a descobrir?
Contei a ele o episódio em que Brian comenta sobre a vizinhança e em seguida o momento em que o questionei sobre saber o endereço de seus funcionários, quando estávamos saindo do elevador. E foi quando Michael deu sentença:
- Amiga! - bateu as duas mãos na mesa com delicadeza - O boy é seu! Pode ter certeza! Ele tá caidinho por você e nem sabe como disfarçar.
- Não sei o que sentir sobre isso. Deveria ficar animada ou me desesperar? Nunca passei por nada parecido. Ele é meu chefe!
Passamos todo o nosso almoço conversando sobre minhas recentes descobertas ou desconfianças. Ele ouviu tudo atentamente e concordou com meu ponto vista. Não fazia sentido que ele soubesse onde morávamos e, principalmente, que havíamos mudado recentemente. Acredito que Richard não comentou nada – aliás, por que comentaria? – e ainda que Brian soubesse da informação por intermédio de Richard, ele não teria feito aquela ceninha para disfarçar. Simplesmente teria dito que soube através de Richard, não é mesmo? Ou será que estou surtada à toa?
De repente me veio um estalo:
- O bilhete! Será que ele tem alguma coisa a ver com aquele bilhete deixado na porta do apartamento? – parei por um instante – Não, né? É muita loucura!
- Tem um jeito de descobrir; as câmeras dos corredores do apartamento. Podemos pedir ao pessoal da segurança para dar uma olhada.
- Então vamos fazer isso e hoje! – disse, determinada a descobrir quem havia deixado o bilhete por debaixo da porta.
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