đź““ Isabela Duarte — “A Sala de Vidro” O corredor atĂ© a UTI parecia nĂŁo ter fim. Cada passo ecoava, cada segundo pesava como chumbo. Uma enfermeira me alcançou, discreta, segurando um jaleco azul e uma touca descartável. — Senhora Isabela, por favor… — disse com delicadeza. — Precisa colocar isso antes de entrar. Higienize as mĂŁos e evite tocar nos equipamentos. Assenti sem conseguir responder. Vesti o jaleco com os dedos trĂŞmulos, amarrei a touca e respirei fundo. O som do ar comprimido, dos monitores apitando, do zumbido das máquinas tudo se misturava num ruĂdo frio que me apertava o peito. Ela abriu a porta de vidro e fez um gesto pra eu entrar. Serafina estava ali. TĂŁo pequena, tĂŁo imĂłvel, que o coração quase parou dentro de mim. Os tubos, os fios, o bip contĂnuo da máquina…

