Cap. 2

559 Words
Abby sorriu entredentes enquanto esperava a pequena crise de riso de George passar. - Lamento, gostaria de falar diretamente com seu pai e caso não se incomode, voltarei outra hora. - Ele se levantou e manuseou de leve a cabeça para ela. Abby indicou as mãos para a porta sem dizer nenhuma palavra e deu de ombros. Assim que ele saiu por ali ela se dera conta que realmente não conseguiria mais se concentrar nos cálculos. Subiu rapidamente em seu quarto e trocou de roupa, tirou o vestido pesado que usava e colocou um que a permitia passear liberalmente pelo campo, precisava de ar fresco e precisava relaxar sua mente. Caminhou pela imensa propriedade de seu pai e se sentou em frente ao imenso lago que cercava a fazenda. Abby começou a jogar pequenas pedras no lago enquanto tentava se concentrar em sentir um pouco menos de raiva por George. Por ora, conseguiu. O vento frio batendo em seu rosto e bagunçando pequenos fiapos de cabelo que encontravam-se fora do elaborado coque que fizera a estava deixando em estado de êxtase. A calmaria e paz sempre fora algo que Abby zelava e esse era um dos motivos para odiar George. Toda vez que ele chegava perto - isso desde criança - a calma dela se esvaia, algo dentro dela se transformava e a paciência gigantesca que tinha, simplesmente sumia. - O que faz sozinha aqui? Lucia apareceu saltitante atrás de Abby e a amiga logo tratou de levantar-se para abraçá-la. - Luci, que bom vê-la. - Estou aqui a algum tempo, bom, meu irmão veio tratar com seu pai e eu passei no estábulo para ver a Lucinda. - Ela disse referindo-se a égua a qual Abby havia batizado com esse nome como homenagem para a amiga. Ambas sabiam que havia sido uma homenagem um tanto quanto estranha, mas tratando-se de Abby, por Deus, era a maior prova de amor existente. - Vejo que prefere Lucinda a mim. - Abby disse de maneira dramática enquanto coçava o queixo. Lucia caiu na risada e apoiou os braços no ombro da amiga. - Pelo que vi, seu pai não está. Encontrou-se com George? Abby revirou os olhos e talvez aquilo dispensasse qualquer comentário, mas Abby não era o tipo de garota que guardava algum pensamento para si. - Tive o imenso importuno de tê-lo em minha sala. Seu digníssimo irmão gostaria de tratar sobre terras, mas visto o tremendo i****a que é, recusou-se a tratar comigo, uma mulher. - Oh céus. - Bufou Lucia. - Será que algum dia terei o prazer de presencia-los em paz? Abby balançou a cabeça repetidas vezes em negação. Não era uma hipótese, não era algo que Lucia devia fantasiar, era algo irreal e totalmente impossível. Não poderia jamais viver em paz com aquele sujeito. - Não, lhe asseguro que não. - Abby respondeu de maneira relaxada e começou a caminhar de volta para a propriedade enquanto Lucia caminhava atrás dela e murmurava reclamações quase inaudíveis. Nunca conseguira entender o atrito entre seu irmão e Abby. Quando eram crianças, ela podia jurar que era ciúme dela, mas já eram homem e mulher agora. Lucia não via nenhum motivo aparente. Abby e George nunca haviam discutido ou se desentendido de maneira literal, apenas carregavam um pequeno ranço recíproco. E na verdade, nem mesmo eles sabiam o porquê.
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