Abby sorriu entredentes enquanto esperava a pequena crise de riso de George passar.
- Lamento, gostaria de falar diretamente com seu pai e caso não se incomode, voltarei outra hora. - Ele se levantou e manuseou de leve a cabeça para ela.
Abby indicou as mãos para a porta sem dizer nenhuma palavra e deu de ombros. Assim que ele saiu por ali ela se dera conta que realmente não conseguiria mais se concentrar nos cálculos. Subiu rapidamente em seu quarto e trocou de roupa, tirou o vestido pesado que usava e colocou um que a permitia passear liberalmente pelo campo, precisava de ar fresco e precisava relaxar sua mente.
Caminhou pela imensa propriedade de seu pai e se sentou em frente ao imenso lago que cercava a fazenda. Abby começou a jogar pequenas pedras no lago enquanto tentava se concentrar em sentir um pouco menos de raiva por George. Por ora, conseguiu. O vento frio batendo em seu rosto e bagunçando pequenos fiapos de cabelo que encontravam-se fora do elaborado coque que fizera a estava deixando em estado de êxtase. A calmaria e paz sempre fora algo que Abby zelava e esse era um dos motivos para odiar George. Toda vez que ele chegava perto - isso desde criança - a calma dela se esvaia, algo dentro dela se transformava e a paciência gigantesca que tinha, simplesmente sumia.
- O que faz sozinha aqui?
Lucia apareceu saltitante atrás de Abby e a amiga logo tratou de levantar-se para abraçá-la.
- Luci, que bom vê-la.
- Estou aqui a algum tempo, bom, meu irmão veio tratar com seu pai e eu passei no estábulo para ver a Lucinda. - Ela disse referindo-se a égua a qual Abby havia batizado com esse nome como homenagem para a amiga. Ambas sabiam que havia sido uma homenagem um tanto quanto estranha, mas tratando-se de Abby, por Deus, era a maior prova de amor existente.
- Vejo que prefere Lucinda a mim. - Abby disse de maneira dramática enquanto coçava o queixo.
Lucia caiu na risada e apoiou os braços no ombro da amiga.
- Pelo que vi, seu pai não está. Encontrou-se com George?
Abby revirou os olhos e talvez aquilo dispensasse qualquer comentário, mas Abby não era o tipo de garota que guardava algum pensamento para si.
- Tive o imenso importuno de tê-lo em minha sala. Seu digníssimo irmão gostaria de tratar sobre terras, mas visto o tremendo i****a que é, recusou-se a tratar comigo, uma mulher.
- Oh céus. - Bufou Lucia. - Será que algum dia terei o prazer de presencia-los em paz?
Abby balançou a cabeça repetidas vezes em negação. Não era uma hipótese, não era algo que Lucia devia fantasiar, era algo irreal e totalmente impossível. Não poderia jamais viver em paz com aquele sujeito.
- Não, lhe asseguro que não. - Abby respondeu de maneira relaxada e começou a caminhar de volta para a propriedade enquanto Lucia caminhava atrás dela e murmurava reclamações quase inaudíveis.
Nunca conseguira entender o atrito entre seu irmão e Abby. Quando eram crianças, ela podia jurar que era ciúme dela, mas já eram homem e mulher agora. Lucia não via nenhum motivo aparente. Abby e George nunca haviam discutido ou se desentendido de maneira literal, apenas carregavam um pequeno ranço recíproco. E na verdade, nem mesmo eles sabiam o porquê.