CAPÍTULO QUINZE
Marcus Volpone
Conhecer a Gabriela foi a melhor coisa que já me aconteceu, ela era tudo o que eu queria.
Quando ela me mandou seu endereço para abrir uma conta no banco para ela, eu viajei imediatamente para o Rio para ver a minha menina. Aproveitei para conversar pessoalmente com o Aurélio da cirurgia. Quando ela me disse que não sabia como contaria para a vó sobre o dinheiro que mandei, eu ainda não fazia ideia de como me livraria da velha. Pensei em pagar o anestesista para dar um fim nela, mas a mulher fumava, o que fez com que o estado do seu coração estivesse ainda mais deteriorado e ela não resistiu.
Quando a Gabriela me viu pessoalmente, eu vi a decepção em seus olhos. Achei melhor sair do funeral antes de ser visto pela mãe da amiga. À noite fui até sua casa e pude ficar sozinho com ela. Minha menina estava triste, vulnerável, mas mesmo assim exigiu saber por que eu menti para ela.
Um dia, eu decidi fazer uma visita surpresa para ela e a vi aos beijos com um cara que descobri ser seu vizinho.
Ela continuava a mentir para mim, dizendo que estava me esperando, que me amava, e me pedia dinheiro.
Fui organizando a minha casa para receber a Gabriela. Ela estava me enrolando e eu não deixaria isso dessa forma. Preparei o porão para recebê-la de forma confortável.
E um dia a filha da p**a resolveu me bloquear por eu ter feito reclamações. Peguei meu carro e dirigi até lá, determinado a trazê-la comigo.
O desejo e a raiva que eu sentia dela me fizeram perder completamente a cabeça.
Foi a melhor sensação do mundo saber que ela ainda era virgem, que ninguém tinha tocado nela daquela forma. A Gabriela ainda tinha salvação, ainda poderia ser minha esposa.
Mas como eu faria para ela ficar comigo?
Eu queria poder tirar ela do porão. Mas como?
Pensei no que fazer durante um tempo, até que a ideia louca surgiu na minha cabeça. Fiquei dias longe dela, a observando pela câmera escondida no porão.
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Chamei meu irmão para tomar uma cerveja.
— Parece preocupado! — Mauro disse, me observando.
— Eu me enrolei em um problema enorme! — confessei.
— O que você fez?
— Promete que não vai rir nem me julgar? — meu irmão levantou uma sobrancelha, desconfiado.
— Prometo tentar!
— Conheci uma pessoa online, me apaixonei, ela veio me conhecer na noite que comemoramos o aniversário do Artur, lembra? — meu irmão fez uma cara engraçada, demonstrando que lembrava.
— Claro que lembro, você estava bêbado, tive que te levar pra casa. Aposto que broxou — ele disse rindo.
— Não, quem dera tivesse broxado. Ela apareceu na minha casa, bonita, cheirosa, fizemos sexo — fiz uma pausa — de manhã, quando acordei, me dei conta de que ela era virgem e tinham mentido a idade dela. Ela disse que tinha 20 anos, mas na verdade tem 17! — meu irmão começou a rir — p***a Mauro, prometeu não rir!
— Prometi tentar — disse entre risos e tomou um gole grande de cerveja — Marcus, a menina armou pra você e você caiu. Ela já pediu dinheiro ou te ameaçou te processar?
— Não, a Gabriela não é assim, ela realmente gosta de mim — Mauro começou a rir, mas parou quando viu que eu o encarava sério — posso terminar?
— Ainda tem mais? — assenti.
— Há umas semanas, a vó e ela foram assaltadas e a vó morreu durante o assalto. Agora a Gabriela tá sozinha e tudo a deixa assustada, está sofrendo de síndrome do pânico.
— Você tá muito fudido! — ele fez uma pausa, parecendo pensar — ainda não descarto a possibilidade de ela estar te enganando.
Assim como fiz com o Mauro, fiz com todos da família. Deixei eles acharem que ela sofria de síndrome do pânico e, ao mesmo tempo, deixei eles pensarem que ela queria dar um golpe. Não seria a primeira a tentar.
Voltei para casa e chamei o José, o caseiro da minha casa.
— José, minha namorada tem uma égua que ficou no Rio. Vou te passar o endereço, e você pode ir buscá-la pra mim?
— Claro, seu Marcus!
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Desci deixando a porta aberta e, como tudo que planejei, a Gabriela apareceu. Levei ela para falar com o José, ele achando que eu falava da égua e ela da amiga.
Achei que meu plano ia dar errado quando vi a Valéria na casa da minha mãe. Já namorei a Valéria, mas ela fala alto e tem opinião demais!
Ela fez questão de me alfinetar, e a Gabriela parecia um ratinho assustado!
Hoje tem sido maravilhoso poder viver com a Gabriela. Aconteceu de ela me irritar algumas vezes, mas eu já resolvi.
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— Vou deixar um filme aqui, assiste para você tentar me agradar. Se eu estiver feliz, prometo te fazer feliz!
— Brasileirinhas — ela segurou a capa do DVD lendo o título — Se eu fizer tudo como você mandar, pode ser mais... mais gentil?
— Quer que eu te f**a com gentileza? — puxei ela para mim, apertando nossos corpos — quer que eu seja carinho?
— Por favor — segurei seu queixo e a beijei. Ela demorou, mas retribuiu.
— Eu quero sua boca no meu p*u outra vez!
— Outra vez?! — ela me olhou com nojo e raiva — você fez isso quando eu estava apagada, né?
— Sim, mas tenho certeza que será melhor com você colaborando!
— Você é nojento! — ela começou a socar meu peito.
— Você me odeia, né?
Ela me olhou com uma raiva contida em seus olhos, deixou as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
— Com todas as minhas forças, eu odeio você!
Doeu. Doeu ouvir ela dizer isso, ela sempre resistia demais, e com ela apagada, seu corpo relaxado era mais fácil.
Depois desse dia, ela nunca mais me desafiou. Foi comigo ao casamento do meu irmão. Minha mãe está encantada com como a Gabriela é recatada, e eu feliz por ser um bom adestrador!