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1344 Words
Meu corpo reagiu antes que eu pudesse impedi-lo, uma contração no fundo da calça, o calor se formando no fundo do meu estômago. Ela era a isca perfeita, portanto, seria meu próximo bode expiatório. "Começaremos a licitação com cinquenta mil!", gritou o homem. "Cem mil!", alguém gritou da esquerda. "Um e cinquenta!" A sala se tornou um frenesi de vozes, números sendo jogados, cada homem desesperado para possuí-la por uma noite, uma semana ou até que ela quebrasse. "Dois e cinquenta!", alguém gritou, e a sala inteira ficou em silêncio. Ninguém mais se atreveu a fazer um lance. Mas eu não podia me dar ao luxo de perder essa oportunidade. "Quinhentos mil!" gritei. Um suspiro coletivo veio da multidão. As cabeças se viraram. Um holofote brilhante veio em minha direção e todos os olhares se voltaram para mim. "Uau!", disse o leiloeiro, com um sorriso largo. "Quinhentos mil! Foi arrematado uma vez... duas vezes... e vendido para o homem da máscara preta!" Os holofotes se desviaram de mim, mergulhando-me de volta nas sombras, e os murmúrios de descrença se espalharam pela sala. Os lances continuaram com as garotas restantes, cada uma delas vendida para outros licitantes famintos e ávidos, mas eu m*l prestei atenção. Quando a última garota foi arrastada para fora do palco e o martelo caiu pela última vez, o leiloeiro levantou a voz. "Senhores, nossos vencedores podem reclamar seus prêmios. Esta noite será inesquecível." Eu me levantei para sair, porque a fome estava momentaneamente controlada, quando senti um novo cheiro permear a sala. Todos os outros cheiros desapareceram. Virei-me antes de perceber que havia me movido, atraído de volta para o palco. Os manipuladores empurraram um segundo grupo para a frente. Quatro garotas e mais uma forma mantida fora da luz. Mãos ásperas a empurraram para baixo; seus joelhos bateram nas tábuas e algo dentro de mim ficou branco. Por um instante, a sala ficou avermelhada nas bordas. Ouvi uma voz em minha cabeça. Era profunda e rouca. Eu sabia que não era a voz do meu lobo, já que não nos comunicávamos há anos. Se não fosse o meu lobo... "Eu a reconheço." Uma reverberação baixa dentro do meu crânio. "Ela é minha." A possessividade não era uma sugestão. Sorvane havia revelado seu verdadeiro eu. Meus músculos responderam a ele antes de minha mente. Aproximei-me e a luz mudou o suficiente para que eu a visse. Uma garota ruiva, menor que Seraphina, não podia ter mais de um metro e oitenta de altura. Curvada nos quadris, mas estreita acima da cintura, um braço cruzado sobre o peito, os dedos enrolados protetoramente em torno de um seio, como se quisesse se proteger de uma centena de olhos famintos. Sua pele estava corada onde eles a agarraram, o cabelo era um derramamento de brasas de cobre escuro contra ombros pálidos. O medo se desprendia dela, mas, por baixo dele, havia aquele pulso de energia bruta que fazia Sorvane se enroscar ainda mais. "Estes", dizia o leiloeiro, "são o lote menor, novos, inexperientes. Eles ainda não lhe darão prazer refinado, mas serão treinados." Os tratadores empurraram novamente. Ela tropeçou, com o tornozelo torcendo na borda do palco, perdendo o equilíbrio. Ela se jogou para a frente, para fora da borda, em direção à pedra... em direção a mim. Eu a peguei no meio da queda, com as duas mãos em volta de sua cintura pequena. Sua respiração explodiu em minha garganta, quente e assustada. O calor da pele dela inundou minhas palmas, e Sorvane inalou através de mim. A multidão riu baixinho da falta de jeito, já voltando sua atenção para outro lugar, mas para mim o espaço se reduziu à frágil coluna de sua espinha sob meus dedos. "Minha", sussurrei. ** Angelina POV Se há uma coisa que eu odiava, eram os lobisomens. Quando eles chegaram, anos atrás, os lobisomens nos tornaram escravos. Se você tiver sorte, poderá ser vendido como escravo. Um escravo doméstico, um escravo de guerra, um escravo sortudo que pode se tornar um lobisomem se acasalar com um lobo. A pior de todas era uma escrava s****l. Minha mãe não era nada mais do que uma escrava doméstica, embora o destino tenha lhe dado um breve sorriso quando ela se casou com meu pai, um homem que já havia sido um escravo de guerra. Eles me tiveram, e ela morreu ao me dar o primeiro suspiro. Meu pai me criou sozinho, mas quando fiz quinze anos, ele também morreu, e o mundo parecia mais frio do que nunca. Os lobos me arrastaram para um bordel. Eu havia implorado para que eles me mandassem para alguma casa onde eu pudesse trabalhar como empregada doméstica, mas não tive escolha. Seus olhos percorreram meus quadris e um deles riu, dizendo que eu seria uma "ótima prostituta". Eles queriam que eu aprendesse a agradar os patrões, mas eu me recusei. Eles começaram a me chamar de rebelde sem causa e me negaram comida e água por dias, tentando me fazer ajoelhar, mas eu ainda não servia aos lobos. Eu preferia morrer de fome a lhes dar aquele pedaço de mim. Por causa de minha má atitude e negligência, só fui levado à casa de leilões quando completei vinte e três anos. A idade normal para todo ser humano, especialmente escravo s****l, ser leiloado era dezoito anos, mas digamos que eu tive sorte. Quando chegamos à casa de leilões, eles nos dividiram em dois grupos. As melhores escravas sexuais: aquelas que pareciam ter saído de filmes pornôs, e depois havia nós. Garotas como eu, que não tinham a menor ideia do que era sexo de verdade, apesar de terem nos dito durante anos que nosso único propósito na vida era aprender a servir. "Dispam-se, todas vocês!", gritou Nora, a madame responsável por nos levar ao palco. As mercadorias premiadas obedeceram imediatamente, tirando seus vestidos e dando um passo à frente em direção ao palco. E nós, as virgens, ficamos para trás. Minhas mãos tremiam, mas forcei meus dedos a trabalhar, puxando o tecido áspero do meu vestido pela cabeça. Fiquei apenas com minha roupa íntima fina e desgastada. Eles nos empurraram em direção ao palco e a cada passo eu me sentia como se estivesse sendo conduzida a um curral de abate. Mãos nas minhas costas, no meu cotovelo, dedos cravados apenas o suficiente para machucar... movam-se, movam-se, movam-se. O murmúrio do fosso escuro à nossa frente aumentava. Eu não conseguia ver seus rostos, mas sentia seus olhos rastejando sobre minha pele, parando, pesando, decidindo os preços das partes do corpo. O calor subiu ao meu rosto. Não era modéstia. Raiva. O homem no palco começou a falar algo sobre nós sermos "não treinados", mas eu não ouvi metade do que ele disse, porque se minhas mãos não estivessem ocupadas protegendo meu peito, eu teria pegado aquele microfone i****a e o esmagado em seus dentes só para calá-lo. Memorizei a escuridão: os contornos das máscaras, o brilho dos anéis, a curva dos sorrisos gananciosos. Mas então eu o vi. Na parte de trás, havia uma figura que não se movia como as outras. Não se mexia, não tinha uma respiração superficial. Ele simplesmente ficou sentado como um predador. Meu pulso pulou, depois bateu mais forte, como se meu corpo reconhecesse algo que minha mente não conseguia nomear. Forcei meus olhos a se deslocarem, mas, mesmo sem olhar, pude sentir sua presença. Os nós dos dedos de alguém bateram em minha coluna. "Em frente." Cambaleei o último meio passo em direção à luz total. Engoli, com a parte de trás da garganta seca, e senti o gosto de ferro de onde eu havia mordido a parte interna da bochecha. Outro empurrão forte por trás me fez recuar. Meu equilíbrio se rompeu e tropecei para frente, a borda do palco se inclinando sob meus pés. Por um instante, achei que cairia de cara no chão. Mas não caí. Mãos fortes me agarraram e os dedos se fecharam em minha cintura. Minha respiração ficou presa, e o contato repentino me fez sentir um choque quase violento.
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