Diana Blake
Já estávamos na estrada ah algum tempo, tudo estava tão vazio, era estranho andar por essas estradas que um dia já foram lotadas e hoje em dia só me fazem lembrar um cemitério, havia poucos errantes nas pistas, devia ser pela aglomeração deles na cidade, espero que fiquem por lá mesmo. Viajamos o dia todo, estava quase escurecendo quando chegamos, aquele lugar sim era um cemitério, muitos corpos estavam jogados na frente do lugar, copos já finalizados, militares, mulheres e até crianças, descemos dos carros e andamos com certa cautela, eu via Lori colocar a mão sobre o rosto de Carl na intenção do mesmo não ver esse horror, quando chegamos na porta começamos a chamar ajuda, Rick se exaltou, ele gritava que seja lá quem estivesse lá dentro estaria nos matando se não abrisse, ele realmente estava alterado.
-Rick vamos, não tem ninguém, precisamos ir logo. Falei tentando manter a calma.
-Eu vi a câmera se mexer Diana, eu vi, eu sei que tem alguém aí dentro.
Assim que ele disse voltou a bater na porta e gritar socorro, mas seus gritos estavam atraindo muitos zumbis, por todos os lados eles começaram a aparecer, tínhamos uma única chance de sair dali e era agora, peguei no braço de Rick e começamos a puxar ele com força, tínhamos que sair dali logo, mas, enfim a porta se abriu trazendo pra fora uma luz enorme, logo vimos um homem com uma arma na mão.
-Entrem vocês só terão essa chance, peguem oque quiserem logo porque depois que essas portas se fecharem elas não vão voltar a se abrir. Disse o homem
Alguns correram pros carros pegando algumas coisas que faltavam, logo todos entramos, o homem nos barrou novamente antes de descermos pro sub-solo, onde o mesmo disse ser onde ficaríamos.
-Pra ficarem terão que deixar eu colher uma amostra de sangue, esse é o preço da entrada. Falou.
-Sem problemas. Respondeu Lori.
Entramos no elevador, o tal cara era médico se chama Edwin Jenner, mas pediu pra que todos o chamassem só de Jenner, ele primeiro nós levou pra uma sala e fez oque disse, tirou amostras de sangue de todos, logo após disse que tinha água aqui e que poderíamos tomar banho, eu quase surtei com a palavra banho, meus cabelos que antes eram um castanho claro com mechas loiras agora era pura sujeira, eu necessitava de um banho e na primeira oportunidade eu entrei naquele box, me esquecendo até de levar a roupa, quando a água quente caiu sobre meus ombros eu me senti no céu, antes do mundo acabar banhos quentes eram a melhor coisa do mundo pra mim. Aproveitei aquele banho da melhor forma possível, claro que, sem exageros já que o Dr Jenner avisou que não podíamos usar muito porque o combustível do prédio estava acabando. Quando fechei o chuveiro percebi algo errado, eu não trouxe roupa, havia ficado no quarto, que não era longe, então apenas enrolei uma toalha branca em meu corpo e fui saindo do banheiro, quando fui passar pela porta acabei esbarrando em alguém.
-Nossa desculpa. Disse enquanto segurava a toalha para que não caísse.
-Olha por onde anda garota. Falou o caçador.
Antes do homem sair da minha frente pude ver seu olhar pra mim, eu não soube decifrar direito mas senti meu corpo queimar com aqueles olhos me encarando, pareceu muito tempo mas tudo não passou de segundos, logo ele virou as costas e saiu pisando duro e bufando, eu não entendi nada, mas pra que contestar né. Voltei pro quarto e me troquei, soube que o Jenner iria nos servir uma janta, então não demorei nada pra me trocar e ir pro local onde todos estavam, quando cheguei vi uma cena linda, todos comendo e bebendo algo que decifrei ser vinho, me juntei a eles e comecei a me deliciar com aquela comida, eu gostava muito de comer massas e aquela, naquele momento, era a melhor refeição do mundo. Todos estavam meio embriagados já, eu não bebi muito, apenas o suficiente pra rir um pouco, vi Carl encarando o copo de vinho e logo Dale também percebeu.
-Sabia que na Itália as crianças bebem vinho?. Falou Dale.
-É, da um gole mini Sheriff. Encorajei o menino.
Ele olhava para os pais como um sinal de aprovação.
-Ah, pode provar vai, se gosta você pode beber o resto. Disse Rick, como se já soubesse a reação do menino.
Carl pegou o copo e deu uma bela golada, logo fazendo uma careta péssima.
-Eca que nojo, como vocês conseguem gostar disso?. Perguntou o garoto.
-Quando você crescer vai entender. Respondeu Lori.
-Precisamos de algumas coisas amargas na nossa vida, pra darmos mais valor as coisas mais doces. Falei.
Percebi muitos olhares, mas só um me intrigou, o caçador me olhava como se quisesse, ou melhor desejasse entender oque eu disse, logo todos voltaram a falar animadamente, até Shane estragar o clima, começou a fazer certas perguntas para o Dr Jenner, como o porquê de só ter ele aqui, o mesmo disse que muitos fugiram pra perto de suas famílias e outros desistiram, ele foi oque sobrou de todos os médicos que haviam aqui, senti uma tristeza em sua voz, mas eu não conseguia olhar pra ele e ver muita verdade, algo nele me intrigava, mas, deixei os pensamentos de lado e acabei minha refeição, logo alguns foram se retirando e eu também, andei pelo local até achar uma biblioteca, entrei e comecei a dedilhar entre os livros nas estantes, queria ler algo leve, fazia tempos que não pegava um livro decente pra ler, logo achei algo que valesse, peguei e me sentei no canto do grande cômodo, eu estava com uma coberta por cima da roupa, me acomodei e comecei a ler atentamente, mas a porta se abre com certa brutalidade, era Daryl, completamente bêbado, quando me viu pareceu tentar ficar mais rígido.
-Oque faz aqui garota?. Perguntou com aquela linda voz rouca.
-Não sei, talvez cozinhando. Disse sendo irônica. -Estou lendo não tá vendo?. Respondi.
Ele me olhou e ergueu a sobrancelha, logo andou até mim e se sentou ao meu lado.
-Nunca vi graça nessas coisas. Disse ele.
-Em livros?. Perguntei.
-É, na minha vida não era algo útil, por isso não tinha graça. Falou com uma voz firme.
-Uma pena, foram os livros que me fizeram conseguir passar em medicina, ainda lembro de quando lia escondido. Dizia enquanto lembranças invadiram minha mente.
-Porque tinha que se esconder pra isso?. Perguntou.
-Bom, meu pai não era alguém muito amigável, nunca gostou de nada que eu gostasse, ele só adorava quando eu chegava exausta de trabalhar, acho que ele adorava mesmo era a grana que eu dava pra ele. Respondi.
-Alguns pais não servem pra ter filhos. Falou o homem com uma voz embargada.
-Vai falar que seu pai tambem era um m***a?. Disse em um tom de humor.
-Ele era, sabe, eu acho que esse fim de mundo foi até bom, eu me livrei daquele velho maldito, mas perdi o Merle, nessa vida eu não tenho sorte. Comentou.
-Sorte é uma coisa relativa, você tem sorte de estar vivo, de ter comido hoje e de poder dormir me uma cama. Respondi.
-Que seja. Disse ele ríspido.
-É eu não consigo te entender, uma hora você consegue ser agradável e na outra já é bem b****a. Falei enquanto me levantava. -Vou dormir, espero que um dia você consiga ser apenas agradável.
Quando me virei senti ele segurar meu braço.
-Eu não sou um b****a, só não sou obrigado a aturar a filhinha de mamãe que se acha porque é médica. Falou.
-Vai se fuder Dixon, nunca fui filhinha de mamãe, primeiro que nem mãe eu tive, segundo que tudo oque eu tenho eu consegui por mérito próprio, então dobra a p***a da língua pra falar de mim. Respondi e em um movimento rápido me soltei dele.
Comecei a andar em direção a porta, mas antes de sair ouvi ele falar.
-Sabe garota, você irritada consegue ficar mais linda ainda. Disse ele em quase um sussurro.
Eu apenas ignorei, ele não é normal só pode, é todo e******o comigo e depois me chama de linda, quer saber, ele que se f**a. Voltei pro quarto e me deitei, não demorei a dormir, a cama macia ajudava muito, depois de meses poder estar em um lugar desses era como o paraíso, e eu iria aproveitar..