Planos

1050 Words
De volta no QG, primeira coisa que faço é decidir quem vai me representar nos morros. — Cabeça agora tu é gerente dessa p***a toda, você me representa na minha ausência e verifica os outros morros para mim. — Certo Chuck. — TH, tu vai ser subgerente, me fortaleceu se não fosse sua lealdade a gente ia perder o comando, portanto, você vai ficar responsável por todas as bocas, de todos os morros e tem uma coisa, não quero menor trabalhando sem o pai ou mãe autorizar. — Demoro Chuck, valeu o fortalecimento aê. — JB tu vai ficar responsável por vigiar e comandar as tropas, quero organização e todo mundo preparado para tudo. — Fechou, Obrigadão aê Chuck. — Agora quem eu vou colocar como comando nos outros morros, me ajudem aí a decidir, antes de assumirem quero que provem a lealdade a mim, vocês têm uma semana para achar gente de confiança, não quero zé ruela, quero homem de pulso firme e quem sabe seguir regras. Todos concordam. — Agora TH, você começa fazendo um balanço nas bocas aqui do morro, hoje é festa, dia de baile, mas amanhã cedo eu e o cabeça, vamos nos outros morros impor a lei. JB, quero uma equipe f**a. — Demoro chefe. — Que p***a de chefe, é Chuck c*****o. — Sim Chuck, foi m*l. Quero um balanço geral de quem morreu, quero nome, endereço, posição que estava. Vou dar uma moral para a família. — Chuck e os traidores? — Esses aí, quero tudo na cela, todos juntos, sem comida e sem água, amanhã depois de voltar do rolê nos morros, vou pessoalmente ver a cara de cada um. Passa a ordem que tá proibido qualquer um sair do morro, o baile de hoje é fechado, só da comunidade. — Chuck, posso colocar dois homens com fuzil no pé do morro. — De confiança, informa que se entrar qualquer um aqui, eles morrem junto. — Demoro. — Vamos, todos circulando. Menos você cabeça. — Ok. Todos saem. Cabeça sem entender ainda por que ficou. — Mano, conseguimos, o morro é nosso. — Os morros mano. Quatro morro agora. — Será que vai dar certo? — Chuck, tu nasceu aqui dentro, tudo que não aprovava nosso pai fazer, agora tu pode mudar. — Espero que a gente consiga. — Vamos sim. — Bora pra casa. — Bora. Nós vamos para nossa casa, é estranho entrar lá, saber que meu velho nunca mais vai voltar e devido a correria nem pude enterrar ele, eu precisava liberar um baile para acalmar a comunidade, mas queria poder ter um luto por meu pai, ele podia ter todos os defeitos do mundo, mas sempre cuidou de nós, me ensinou muito, vejo uma foto dele. — Vai fazer falta velho. — Vai mesmo. Eu e o Cabeça nos olhamos, sabe aquela vontade de abraçar e chorar, temos, mas não podemos demostrar, então cada um vai para o seu quarto, certeza de que assim como eu vou chorar no chuveiro ele vai, mas ninguém pode saber que existe lágrimas dentro de nós. Ser visto como desumano, sem coração é o que precisamos nesse cargo que me foi imposto desde o nascimento, é preciso ser temido, mas em dias como hoje, que tudo o que eu queria era ser poderoso o suficiente para poder chorar e ninguém ousar falar nada. Anoitece, nos vestimos, pego os cordão de ouro do meu pai e divido entre mim e o cabeça, coloco alguns no pescoço, mas o que separei para mim e nunca vou me separar é o relógio dele, ele dizia que era o relógio do meu avô. Vamos pro local do baile, isso é outra coisa que vou mudar, o lugar que o baile é feito, p***a nem posso colocar um tênis branco, chega marrom em casa. Tenho uns planos aê para ajudar a comunidade, na minha opinião comunidade feliz, não denuncia para a polícia e evita as invasões, claro que os gambé tem o deles todo mês, nós pagamos as viagens, os carros caros, ser polícia não banca os luxos das madames deles não, pior raça que existe. Claro não podemos generalizar, tem aqueles que estão ali porque amam o que fazem, acredita que todo bandido está nessa vida por opção, mas aqui no morro por exemplo, matamos não por diversão e sim por sobrevivência, se eu não mato aqueles filhos da p**a, eles matariam a mim e o cabeça, pois é assim que se quebra o direito do herdeiro ao poder do morro, pela lógica mesmo após matar meu pai eu teria o direito ao poder, mas não é assim que funciona, por isso mesmo quero manter minha comunidade feliz, assim tenho eles como aliados, se vai dar certo? Não sei, mas preciso tentar, quero ser diferente dos outros que passaram pelo comando aqui. Meus projetos são, abrir creche por menorzinho, assim as mães podem ir trabalhar, quero abrir um hospital aqui, o governo não faz nada pra gente, somos esquecidos por eles, saúde, estudos, serviços sociais e muito menos serviços de recreação para evitar que os menores entrem para esse mundo. E vou mudar isso, quero meu povo, estudado e os meninos, envolvidos com esporte, com o tempo quem sabe o que mais posso fazer pela comunidade. Chegamos no baile, foi tudo organizado rápido e mais uma vez me vem na mente, vou abrir uma quadra de esportes, de dia a molecada aprende esportes e dia de baile não ficamos na lama, hoje entro aqui observando tudo com outros olhos, olhos que querem melhorar tudo aqui, quero que um dia meu povo tenha orgulho de falar que mora no morro, quero que falem que eu cuido deles. Claro que nunca o tráfico vai parar, as negociações de armas, mortes, torturas isso faz parte, não somos monstros, sei as consequências de tudo que acontece aqui, de famílias que são destruídas pelas drogas, quando um dos homens morre, ele deixa família para trás, mas precisamos de gerar dinheiro e como disse somos esquecidos pelo mundo, a mídia faz a nossa caveira de tão forma que todos temem subir em qualquer morro, vim morar aqui por vontade própria ninguém vem, vem pela dificuldade, para se esconder, começar uma vida nova, mas por escolha, ninguém vem... Mas isso vai mudar.
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