POV CLARA – O ar de Goiânia, que até minutos atrás era leve e quente, tornou-se chumbo derretido no instante em que meus olhos colidiram com os de Adrian naquela obra. O mundo ao redor o ronco das máquinas, a voz do Victor, o som da minha própria risada simplesmente emudeceu, como se alguém tivesse cortado o som da realidade. Meu coração não batia; ele dava marretadas violentas contra as minhas costelas, um prisioneiro tentando escapar do peito antes que eu pudesse formular uma única palavra. Eu tentei fugir. Me despedi e corri para encontrar Isadora, mas eu não contava que ele viria atrás de mim como um predador que não aceita perder o rastro. Ele me chamou para um café, tentou uma conversa civilizada, mas quando o estresse explodiu e ele soltou aquela frase maldita — “Você não entender

