Alice narrando.
Na segunda-feira, o relógio marcava seis e meia da manhã, eu já tava acordada e pronta pra minha faculdade e depois ir trabalhar. Faço faculdade de administração, assim como meu pai fazia. Tenho muito orgulho dele e no futuro espero estar ao lado dele trabalhando. E a loja onde trabalho é de sapatos e acessórios. Eu gostava muito de trabalhar lá, mas não via a hora de terminar a faculdade e sair fora dali, pois trabalhar com vendas não era fácil. Sempre tenho que estar bem arrumada, atender com classe pois eu lidava com gente rica e as vezes bem metida.
Quando eu estava indo pro carro, recebi uma mensagem de Lola me chamando pra almoçamos mais tarde, respondi dizendo que iria e me despedi dela. Me arrumei toda e sai antes sem tomar café, estava sem fome mesmo.
Depois das minhas aulas terminarem, eu fui embora indo até o lugar marcado com a Lola. Ela já estava lá sentada me esperando. Cumprimentei ela com um abraço e me sentei a sua frente.
— Eu tenho um negócio pra te contar, mas você não pode falar pra ninguém. — Eu falo, a encarando.
— O que é? Você sabe que eu não falo pra ninguém mesmo. — Ela revirou os olhos.
— Aconteceu algo com o Luke… — Fui dizendo tudo o que tinha acontecido e ela ficou me encarando surpresa.
— Você é maluca? Perdeu o resto de juízo que possui? — Ela falou mais alto e ficou sem graça quando algumas pessoas nos olharam. Ela deu um sorriso sem graça e me encarou séria.
— Eu não queria, mas eu não sei o que me deu.
— Aí Alice, não queria? Você pode dizer qualquer coisa, menos que não queria né?
— Lola, é sério. Merda. — Resmungo, passando a mão no meu rosto.
— E a sua irmã nisso tudo, Alice? Meu Deus…
— Eu me sinto m*l, m*l demais Lola. Mas, eu não tenho mais o que fazer, rolou.
— Você tem razão nisso, já aconteceu e não tem como mudar mais, mas pensa bem se vale a pena fazer isso, você traiu a sua irmã… Não esqueça disso.
— Eu não esqueço né… Eu não sei se eu falo, não quero que ela me odeia. — Faço um bico.
— Óbvio ou com certeza isso vai acontecer? — Ela solta um riso. — Mas e ele beija bem?
— Eu falando sério e você querendo saber disso? — Eu reviro os olhos.
— Ué, se você fez a merda tenho que saber se valeu a pena fazer a merda mesmo. Ele beija?
— Muito amiga, acho que foi até o melhor beijo que já dei em toda minha vida. — Confesso, vendo ela sorrir.
Continuei falando tudo o que aconteceu pra ela e ela queria saber de todos os detalhes. Ela ainda me aconselhou e eu a prometi que me manteria afastada dele. Depois que terminamos de almoçar, me despedi dela e fui pra loja. Assim que piso no shopping, de longe vejo Gabi com o Luke, de mãos dadas andando pelo o shopping e vendo vitrines. Esse cafajeste era bonito e sabia que chamava atenção, pois todas que passavam perto dele só faltava babar. Fui até ao banheiro, arrumei o meu cabelo, fiz uma maquiagem básica e passei um batom vermelho, bem chamativo. Troquei minha roupa pela da loja e estava linda como sempre.
Quando cheguei na loja, cumprimentei todas, guardei minhas coisas e fiquei ali na frente, tentando conseguir clientes. De longe vi Gabi e Luke vindo em minha direção. O garoto ainda me encarava, mas eu desviei os olhos dele. Ela vinha sorrindo e parou perto de mim. Cumprimentei ela e dei um pequeno sorriso pra ele.
— Oi Lice, não sabia que você estava trabalhando hoje. — Gabi disse.
— É, hoje não tive como me livrar. — Fiz uma cara de tédio.
— Chegou alguma novidade aí? — Ela perguntou.
— Sim, aquelas bolsas que você adora.
— Opa, me mostra que vou comprar com você então.
Gabi sempre que podia vinha até a minha loja comprar, ela adorava a loja que eu trabalhava. As meninas de lá cumprimentaram a Gabi pois a conhecia e ficou disfarçadamente olhando pro Luke que estava quieto mexendo no celular.
Separei as bolsas que ela sempre gostava de usar que eram das cores claras. Mostrei todas que tinha ali e ela ficou mostrando pro Luke que tentava prestar atenção. Como as outras meninas estavam ocupadas, entrou um homem vendo a loja.
— Gabi, fica a vontade aí que eu vou ali atender o moço. — Ela concordou e eu saí de perto dela.
O homem não era velho, mas parecia ser mais velho que eu. Mas era bonito até.
— Boa tarde, posso ajudar o senhor? — Perguntei me aproximando dele.
Ele se virou e pude perceber que o homem era mais bonito de perto. Era moreno com os olhos cor de mel. Ele me encarou e me deu um sorriso.
— Oi, boa tarde. Eu quero dar um presente pra minha mãe… Talvez um salto, não sei, não sou tão bom assim pra escolher presentes. Você poderia me ajudar?
— Oh claro, temos lançamentos na loja. Tem preferência por cor? Qual o tamanho?
— Ela gosta de cores claras, sabe? E o tamanho é trinta e sete.
Eu concordei e fui até a prateleira aonde ficava os saltos. Peguei o mais bonito que eu tinha achado e o levei pro moço olhar.
— Se sua mãe gosta assim, ela vai amar esse. Se eu fosse você, daria esse daqui. — Sorrio.
— Você tem um bom gosto, ela vai amar esse mesmo. — Ele sorriu.
— Que isso, apenas faço meu serviço. — Sorio simpática.
— Qual o seu nome? — Ele me perguntou.
— Eu me chamo Alice, vamos até ali no caixa. — Sorrio.
Ele concorda e me segue. Quando me viro pra agradecer pela sua compra, de longe vejo Luke nos encarando sério. Eu o ignoro e foco no meu cliente, agradeço pela a compra e falo pra ele voltar sempre.
Fui até a Gabi e ela ainda estava em dúvida entre duas bolsas. Disse qual achei mais bonita e ela ficou ali encarando ainda.
— Gabi, essa é muito bonita, vai combinar…
— Pode apostar na escolha dela, ela tem muito bom gosto. — O meu cliente apareceu me interrompendo e sorrindo pra mim. Sorri envergonhada e Gabi agradeceu pela sua opinião. Ele foi embora e Gabi me olhou sorrindo.
— Hum… bom gosto né? — Ela brinca me fazendo revirar os olhos. — Eu já me decidi, vou levar esse aqui.
Eu concordei e a levei até o caixa pra pagar. Luke ficou ainda me encarando, mas eu fingir não perceber nada, não queria nada com ele. Ia levar a sério o que falei pra Lola, mesmo que eu tenha que ignorá-lo.
Uma semana tinha se passado desde daquele dia do shopping e eu não tinha mais visto Luke, o que eu agradeci aos céus. Ele não me procurou mais e a Gabi parecia estar bem feliz com ele. Sempre saía a tarde e voltava à noite com um sorriso enorme estampado no rosto. No fundo, isso me deixava um pouco m*l, pois foi pouco, mas acabei gostando. Mas acho que era melhor assim, cada um pro seu canto e ninguém sai magoado nessa história toda.
Desde cedo Lola estava me perturbando por mensagem pra irmos ao um pagode, mas eu não estava tão animada assim. Então parei de respondê-la e foquei no filme que eu tinha colocado na televisão. Eu estava tão focada no meu filme clichê, que nem percebi que a Lola tinha entrado no meu quarto junto com a Gabi do seu lado.
— Oi amiga, já está pronta? — Lola perguntou, sorrindo pra mim.
— Eu não estou afim amiga, pode ir…
Lola deitou na minha cama e apoiou a cabeça na minha perna.
— Lice, até eu vou hoje, vamos pra você me mostrar como é tudo lá. Por favor? — Gabi perguntou, fazendo um bico.
— Não quero, podem ir, Lola te mostra tudo Gabi. — Falei, voltando a ver meu filme.
Mas quem conhece Lola sabe que ela não ia sossegar enquanto não conseguisse. Ela começou a falar de tudo e todos, o tempo todo, então meu foco no filme foi embora. Acabei me irritando
— Você não cala a boca? — Me irritei.
— Não, até você aceita ir conosco. — Ela sorriu e me olhou.
— Como você é chata, eu vou. Que merda. — Gritei, me levantando.
Gabi e Lola fizeram uma dancinha lá e eu revirei meus olhos.
Fui até o meu armário e peguei um vestido vermelho, todo colado no corpo. Eu amava como eu me sentia gostosa nele, chamava atenção de todos.
Como eu tinha tomado banho antes, apenas coloquei o vestido e fiz uma maquiagem básica. Coloquei um salto e arrumei uma bolsa que eu iria levar com minhas coisas.
Quando voltei ao quarto, Lola assobiou e me elogiou. Ela estava linda também com um vestido verde, estava até combinando com o meu. Gabi já estava vestindo uma saia colada com um croped.
Como meus pais não estavam em casa, pedimos um carro e logo chegou nos deixando no pagode que já estava cheio.
A rodinha da frente já estava cheio de conhecidos meus, inclusive amigos também e no meio deles estava Luke. Ele estava todo de preto e com uma correntinha de ouro no pescoço. Tão lindo. Desviei meu olhar e fui com as meninas até lá. Cumprimentei todos e até ele, mesmo sendo de longe. Gabi grudou nele e Lola me olhou, mas eu disfarcei o meu desconforto. Quando começou um pagode bom pra dançar coladinho, Fred veio me puxando pra dançarmos e ficamos coladinhos dançando. Ele dizia algumas palhaçadas no meu ouvido, o que me fazia o tempo todo rir. Ficamos algumas horas ali dançando ou cantando as músicas um pro outro, era muito divertido estar com ele nesses pagodes. Depois que cansei, fui pegar uma bebida e virei de uma vez. Peguei outra bebida e fiquei ali com os meninos dançando, alguns até queriam algo a mais, mas eu dispensava. De longe vi Lola com um amigo de Luke. Ela me viu e sorriu quando viu minha cara de confusa.
Olhei pro outro lado e vi Gabi sentada ao lado de Luke que estava conversando com os amigos. Gabi parecia não estar a vontade ali, então fui até ela e a puxei pela mão. Minha bebida caiu um pouco no chão.
— Eita, já está assim é? — Gabi disse, rindo de mim.
— Vem, vamos dançar.
Ela me deu a mão e fomos pro meio de uma rodinha. Na mesma hora começou a tocar funk, então coloquei minha mão no joelho e rebolei minha b***a. Joguei meus cabelos pro um lado e acabei olhando pro Luke, que estava me encarando e mordendo os lábios.
Gabi ainda dançou um pouco comigo, mas disse que não estava se sentindo bem e iria embora. Tentei impedir, mas ela foi até o Luke. Ele se levantou e saiu com ela.
Resolvi beber mais e esquecer esses dois, eu merecia. O resto da noite, fiquei dançando com vários amigos, íamos até o chão, rimos das palhaçadas. Até Lola veio pro meu lado dançar comigo. Yuri, um amigo nosso e que eu ficava de vez em quando, se aproximou e me agarrou por trás, me deixando molinha. Eu adorava quando faziam isso comigo. Ele me beijou e eu retribui. Quando não tínhamos ninguém pra ficar, as vezes ficávamos, só pra matar a vontade mesmo.
Já era tarde da noite, já estava um pouco bêbada quando me afastei deles indo até ao banheiro que tinha ali.
Senti alguém agarrando meu braço e me puxando com força. Quando vi era Luke com uma cara nada amigável. Sorri de lado e tentei me afastar dele, mas ele me segurava com força.
— Eu não mereço uma dança não? — Ele sussurrou.
— Não, cadê minha irmã? — Perguntei.
— Está em casa, a deixei lá. Vem cá…
— Não, me solta Luke. O que aconteceu antes não vai se repetir.
Ele me pressionou contra a parede e sentir seu volume. Tentei não me abalar com isso.
— Para Luke, eu não quero mais nada disso.
— Eu só vou acreditar nisso quando você me olhar e seus olhos dizer a mesma coisa que você me fala. Pois você fala isso, mas seus olhos me dizem outra coisa. — Ele sorriu, me dando um selinho.
— Não é verdade.
— Você sabe que é, não dá pra negar. — Ele sussurrou em meu ouvido, mordendo devagar minha orelha.
Me segurei nele sentindo minha pele se arrepiar.
Um funk começou a tocar e ficamos ali dançando coladinhos. Ele estava me deixando louca, mas eu não ia fazer nada.
— Está bom, se afasta. — Eu falo, me afastando dele. — Não podemos dar mole aqui Luke.
— Eu sei, mas eu não resisto… Eu tento te ignorar, mas não consigo.
— Luke, você vai correr hoje? — Um rapaz apareceu do nosso lado, perguntando a ele.
— Vou sim, coloca meu nome lá. — Luke respondeu e o homem concordou, nos deixando a sós.
— Você vai me assistir? — Ele me pergunta.
— Não, eu vou embora, já estou bêbada.
— Cuidado viu? Agora vem cá… — Ele me puxou pelo o cabelo, quase colando nossas bocas.
— Não, sai, afasta Luke.
— Me da um selinho?
Revirei os meus olhos e me aproximei dele. Encostei nos seus lábios e ele me agarrou, não deixando me afastar. Quando consegui, o empurrei e o deixei sozinho. i****a.
Fui atrás da Lola pra irmos embora. Estava irritada e frustrada, mesmo não ficando com ele, não dava pra negar que eu queria ficar com ele. Ele como sempre estava certo, eu dizia não querer, mas meus olhos diziam outra coisa.