O meu queixo quase bate no fundo do assoalho do carro nesse momento. O que ele quer dizer?
— Em que sentido você está falando?! A minha indignação pode ser ouvida em cada palavra.
— Bem, se você calar a boca por apenas alguns minutos e virar a cabeça, tenho certeza que vai adivinhar tudo.
O seu sorriso me faz sentir m*al. A minha respiração acelera e a minha voz interior grita com toda a força que sou uma idi*ota.
E agora o que posso fazer?!
Olho para o homem barbudo e entendo que não há esperança de que ele estivesse brincando. Parece que vou fazer uma viagem completa hoje.
Mordo o lábio inferior com os dentes até doer e me viro para a janela.
Talvez eu pudesse bater na cabeça dele com alguma coisa quando ele parasse o carro?
Quando o carro entra no pátio de um prédio residencial, consigo ficar num estado terrível. Estou tensa, a minha perna está tremendo de emoção selvagem e os meus olhos estão tremendo.
Ele mora do outro lado da cidade. Eu levaria mais de uma hora para chegar em casa saindo daqui. É noite lá fora e as luzes das janelas do prédio estão todas praticamente apagadas. Posso presumir que a maioria dos apartamentos aqui ainda não estão ocupados, pois é claro que o prédio é novo.
Bem, isso é tudo, ele tem um porão aqui onde desmembra cadáveres. Agora ele vai me arrastar para lá.
— Saia. Ele dá a ordem em tal tom que me aperto ainda mais no assento.
Tenho certeza de que agora pareço uma lebre assustada, cuja cenoura também foi arrancada das suas patas e devorada diante dos seus olhos. Uma lebre assustada e humilhada.
A julgar pela maneira como o barbudo sai do carro e caminha em direção à porta do meu lado, ele vai me tirar do carro à força.
Eu pulo do carro como uma bala.
— Eles não contratariam você como motorista de táxi. Sorrio causticamente para o grandalhão e endireito os ombros. Eu sei que digo muitas coisas desnecessárias, mas não consigo evitar. Eu sempre faço isso quando estou nervosa. — Nenhum lugar contrata pessoas rudes. Eu termino de falar.
— Como vou sobreviver a esse fracasso? O homem torce levemente os lábios num sorriso irônico. — O endereço está escrito na esquina da rua. Vejo que você sabe usar um telefone. Aconselho chamar um táxi rápido, dizem que temos um maníaco aqui.
A suas palavras fazem os meus olhos crescerem.
— O que? Que maníaco?! Imediatamente olho em volta. Percebo um cara no final da rua e tudo dentro de mim fica frio. A minha própria imaginação desenha detalhes extras para ele na forma de uma corda nas suas mãos e no fato de ele esfregar as mãos enquanto olha para mim.
— Não sei, parece um tipo de serial. O barbudo dá de ombros e então, lançando um olhar zombeteiro para mim, se vira e carrega a sua carcaça até a entrada. Me deixando completamente deseperada!
Há um som alto atrás de mim. É alguém saindo pela entrada e batendo a porta contra a parede. Mas eu não me importo. Eu grito alto, pulo ali mesmo e, como alguém picado na bu*nda, corro atrás do barbudo. Eu bato nele com tanta velocidade que quase o derrubo.
— Posso ir com você? Enfio os dedos na mão dele, mesmo que ele diga não, não me importo.
— Vejo que a viagem não lhe ensinou nada. O homem estreita os olhos e parece gostar do fato de que estou pronta para implorar para que ele me leve embora com ele.
— Por que? Você acabou não sendo tão ru*im quanto eu pensava. Tento sorrir e olho em volta novamente. — Como é assustador aqui.
— Eu não vou tomar conta de você. O homem começa a avançar, e eu não fico para trás um único passo. Isso significa que ele está me levando com ele?
— Você me convidou para te visitar no clube, considere que pensei e concordei.
O principal é entrar no apartamento dele. Lá vou recuperar um pouco o juízo e chamar um táxi. Espero que alguém venha aqui.
— Eu convidei você para fo*der na boate, não para me visitar. O barbudo abre a porta de entrada na frente do meu nariz. — Então aconselho você a ficar aí mesmo onde você está.
— Ugh, você é tão rude. Torço o nariz e volto para a entrada do prédio. — É por isso que ninguém ficou com você, você é um id*iota m*l-educado e rude.
Ouço o homem atrás de mim suspirar de irritação. Ele aperta o botão do elevador, e eu corro novamente na sua direção. Entramos na cabine, é grande e espaçosa. Eu me viro para dizer algo a ele, mas tudo desaparece instantaneamente da minha mente. Porque quando me viro, quase bato os meus lábios nos dele. O homem, apoiando as duas mãos na parede do elevador, paira sobre mim como uma pedra enorme e me perfura com o seu olhar.
O meu coração imediatamente cai aos meus pés. Noto que os seus olhos à luz são ainda mais atraentes do que me pareciam na boate.
— Bem, já que sou um id*iota m*al-educado e rude, então vou te fo*der aqui mesmo.
Alguns segundos depois, saímos do elevador no décimo andar. Eu movo as minhas pernas muito ativamente. Esse momento estranho no elevador quase me causou um ataque cardíaco. Mas o barbudo só me assustou de novo e não encostou um dedo em mim. Claro, posso estar errada, mas parece que ele gosta do jeito que arregalo os olhos de medo e fico pálida. De que outra forma explicar o fato de ele já ter feito uma manobra semelhante duas vezes nos últimos cinco minutos?
O fato de o prédio ser novo e nem todos os apartamentos estarem ocupados é imediatamente evidente. Algumas portas ainda são em polietileno. É estranho, mas o medo está desaparecendo gradualmente. Parece-me que ele não fará nada comigo. Além disso, ele me salvou no clube. As suas travessuras, é claro, provavelmente não contam. Ele queria me dar uma lição por minhas ações precipitadas ou me punir por privá-lo de fo*der com a boneca Barbie. Mas em vez disso, ele abre a porta do seu apartamento na minha frente e me lança um olhar irritado.
— Você é tão hospitaleiro. Estico os meus lábios num sorriso.
Tiro os sapatos no corredor e reviro os olhos para o teto, mordendo o lábio inferior para não soltar um suspiro.
Os meus sapatos apertam tanto que eu só sonhava em me livrar deles. Só posso torcer para que não haja manchas de sangue nos meus pés e que não manche o apartamento do barbudo.
— Para que um táxi venha, você precisa chamá-lo. Ele diz atrás de mim e reviro os olhos novamente.
Abstenho-me de responder e entro no apartamento do barbudo. Entro na sala e o meu olhar imediatamente se fixa na estante. Mais precisamente, para vários livros familiares.
Não pode ser. Eu sorrio e sigo em frente. Sim, não me enganei. Vários livros sobre TI. Acabei recentemente de estudar este último. Pouco antes de fazer o exame do curso. Mamãe revirou os olhos quando descobriu o que eu estava fazendo no meu tempo livre. Aliás, já tenho clientela. Conduzi várias campanhas publicitárias de sucesso na Internet e recebi uma taxa decente.
— Uau, são seus? Tenho certeza de que o meu interesse genuíno está brilhando nos meus olhos agora.
O barbudo apoia o ombro no batente da porta e me olha com zombaria.
— Não me lembro de ter convidado você para entrar e permitir que você olhasse as minhas coisas. Ele exala lentamente e aperto os olhos.
Mesmo num momento tão irritante, não posso deixar de notar o quão sedutor ele parece. Que figura tonificada ele tem e eu adoraria sentir os seus bíceps. Eles são grandes demais e isso me dá vontade de verificar se são reais ou não.
— Na última meia hora, você já me deu a entender muitas vezes que estou incomodando você. Estou tentando dialogar e não ser rude, bato no livro e devolvo-o à estante.
O homem continua a olhar para mim em silêncio e sinto a minha pele formigar nos lugares que o seu olhar tocou. O barbudo fixa o olhar nas minhas pernas nuas, pela primeira vez hoje não me envergonho do fato do meu vestido ser curto. Tenho pernas lindas, deixe-o admirá-las.
— Eu precisava desses livros para trabalhar. Tendo dito isso, o homem se afasta do batente da porta e caminha pela sala. Um leve sorriso brinca nos meus lábios. Estamos vivenciando uma mudança na comunicação.
Eu o vejo se aproximar de um globo grande, algo estala e a tampa do globo se abre, e tem bebida dentro... Uau...
O barbudo tira uma garrafa de uísque. O meu pai tem o mesmo e guarda para seu aniversário.
— Você não vai me oferecer nada? Eu chego mais perto dele. Bem, ele não pensou em beber sozinho, não é?
— Não tenho champanhe infantil. Vem a resposta, e semicerro os olhos e dou mais um passo em direção ao homem.
— Por que você me convidou para o seu clube então, em vez de me levar ao jardim de infância?
O homem curva os lábios num sorriso. Parecendo que contei uma piada.