Fumaça Narrando Hélio viajou com a Renata. Foi de última hora, nem deu tempo de trocar muita ideia. Só deixou o recado: — Fumaça, o morro tá na tua conta. E eu assumi. Porque aqui não pode vacilar, irmão. Cada passo em falso é brecha pra desgraça entrar. Já dei o papo pros vapor, reforcei os acessos, botei mais dois na laje da caixa-d’água e troquei a escala do beco de trás. A entrada da rua da creche agora só passa com autorização minha. Tá tudo monitorado. Não dá pra brincar, não agora. Souza deve tá espumando de ódio. Não é pouca coisa não, parceiro. Meu irmão entregou a cabeça do irmão dele. E isso pesa. Pesa no coração, na quebrada e no olhar da comunidade. A favela tá com aquele clima estranho, pesado, silencioso… parece até que choveu tristeza. A academia tá fechada. A moleca

