Mathias Narrando Saí da casa daquela mulher com o coração aos pedaços. Meu mundo tinha virado de cabeça pra baixo. Olhei pro garoto que tinha vindo comigo e falei com a voz firme, mesmo que por dentro eu estivesse desmoronando: — Me leva na casa do Heros. Agora. Ele só balançou a cabeça e fez um gesto com a mão, me mandando seguir. Entramos num beco estreito, meio escuro, com cheiro forte de esgoto e comida estragada. Aquele lugar parecia um labirinto. As paredes tinham pichações de tudo quanto é tipo, e a cada passo o clima ficava mais pesado. No final do beco, saímos numa rua larga, mas tão silenciosa que dava até medo. Andamos mais uns minutos até chegar numa casa que me deixou sem palavras. O muro era enorme, o portão de ferro preto parecia coisa de prisão. Dois vapores estavam na

