Renata Narrando Sentei na beira da cama, ainda com o coração apertado, e comecei a procurar voo pra Salvador no celular. A ansiedade me fazia errar as letras, as mãos tremiam. Depois de um tempo procurando, achei só um voo disponível: partia às onze da manhã. Os outros tavam tudo lotado. Suspirei fundo, frustrada. — Amor, só tem voo pras onze da manhã — falei olhando pro Hélio, que já tava em pé andando de um lado pro outro. Ele parou na porta da varanda, pensativo, e disse: — Espera um pouco. Deixa comigo. Saiu com o celular no ouvido, falando baixo. Eu fiquei ali, sentindo o tempo passar devagar demais, como se cada segundo fosse uma eternidade. A ideia de esperar até o fim da manhã pra ver minha mãe me deixava inquieta, com medo. Eu precisava estar lá o quanto antes. Uns minutos

