Kelly Narrando Acordei e antes mesmo de abrir o olho direito, ouvi baterem no portão. Levantei na pressa, calcei o chinelo e fui ver quem era. Quando cheguei lá, dei de cara com o entregador da floricultura, segurando um buquê lindo, todo arrumado, que só de olhar já dava vontade de sorrir. Ontem tinha sido de rosas vermelhas, hoje o negócio subiu de nível: rosas cor-de-rosa, lindas, bem abertas, um escândalo. Eu fiquei só rindo sozinha, porque olha o Fumaça tá se superando, viu? E detalhe: o bilhetinho, assinado direitinho. Ele faz questão de assinar, como se eu não soubesse quem é que tá por trás dessa onda de romantismo toda. Olhei pro meu único vaso, onde já estavam as vermelhas de ontem, tudo bonitinho. E agora? Onde é que eu ia enfiar mais esse buquê? Catei a jarra de suco mesmo.

