Henrique Narrando Assim que o médico chamou a gente, eu e tio Fumaça entramos na sala quase tropeçando de pressa. Coração tava acelerado, suor escorrendo nas costas mesmo com o ar-condicionado bombando. Quando eu vi a cena, mano, meu coração deu uma aliviada que nem sei explicar. Elas tavam ali. Vivas. Respirando. A Flor com os olhinhos abertos. A tia Kelly com soro, mas acordada. Estavam fracas, machucadas, mas tavam ali. Na mesma hora corri pra Flor. Tio Fumaça foi pro lado da tia Kelly, mas depois virou pra cama da filha. Eu me abaixei do lado dela com o maior cuidado, abracei ela devagarinho, sem apertar muito, com medo de machucar. — Meu amor, eu tive tanto medo, tanto medo — falei baixinho, sentindo uma lágrima escorrer sem nem perceber. Ela sorriu fraquinho, com os olhinhos can

