Heros Narrando Mano, eu pensei demais, juro. A noite inteira. Virei pra lá, virei pra cá, encostei na parede, tentei contar carneirinho, tentei respirar fundo, nada funcionou. O bagulho tava martelando na minha cabeça que nem marreta no ferro quente. Quando vi, a madrugada já tinha chegado e eu ainda com o zóio arregalado no escuro, ouvindo só o tic tac do relógio que fica na parede. Eu ali, virado num zumbi pensando na baianinha de fogo. Até que me deu um estalo. Pá! Sentei na cama de supetão, o coração disparado e um sorriso já tomando conta do meu rosto. — É isso, pörra. Falei alto sem querer, soltei uma risadinha. — Desculpa, filha, mas a partir de amanhã a gente vai ficar mais pertinho da deusa baiana. Fiquei um tempão sentado, olhando pra frente com aquele olhar de quem teve

