Capítulo 6- Olhares que não mentem

1384 Words
É hoje o grande dia. Meu primeiro dia na Universidade Valthera. Estou ansiosa, é um misto de sentimentos que se confundem dentro de mim. Meus irmãos já estão me esperando. Escolhi uma roupa linda, prendi o cabelo em um r**o de cavalo e fiz uma maquiagem leve e delicada. Enfim, estou pronta. Entrei no carro e partimos. Quando chegamos, fiquei mais uma vez maravilhada com a elegância daquela universidade. Tudo ali transmitia imponência e sofisticação. Meus irmãos desceram do carro e abriram a porta para mim. Notei algumas mulheres olhando para eles — e uma, em especial, olhava demais. Fiquei conversando um pouco com eles. Bento me disse qual seria a minha sala, pois, no ato da matrícula, fora informado a ele que eu ficaria na sala nove. Respirei fundo e entrei. A sala estava lotada. Sentei-me em uma carteira do lado esquerdo. Fiquei intrigada com uma coisa: o que Theo estava fazendo no apartamento de Enrico? A pergunta não saía da minha cabeça. Havia algo naquele olhar, naquela presença silenciosa e intensa, que não combinava com simples coincidência. Pensei por alguns instantes e decidi perguntar a Laura. O que ela me contou me deixou pasma. Theo é irmão de Enrico. E mais: aquele apartamento, na verdade, é do Theo. Enrico o usa às vezes por ser mais próximo da universidade. Como se não bastasse, Laura ainda acrescentou, com naturalidade, como se estivesse falando de algo comum: — Ah, e ele também é um dos donos da Universidade Valthera. Fiquei parada por alguns segundos. Um dos donos da universidade. Não acredito. Tudo começou a fazer mais sentido — a postura dele, o olhar firme, a maneira como parecia observar tudo ao redor sem realmente participar. Havia poder ali. Controle. Mas, acima de tudo, não consegui deixar de lembrar da expressão dele quando me viu interagindo com Enrico… e com Noah. Aquela cara fechada. Aquele olhar estranho. Aquilo não foi impressão minha. E, pela primeira vez desde que saí do apartamento, senti que talvez aquela noite tenha sido mais intensa do que eu imaginei. e perguntou se poderia sentar ao meu lado. Respondi que sim. Ela perguntou meu nome; respondi e, em seguida, perguntei o dela. — Laura Salazar — disse ela. Laura é muito linda e bem simpática. Gostei dela imediatamente. Acho que já fiz minha primeira amiga. Conversamos um pouco, e ela me falou sobre algumas garotas metidas da sala e da universidade. Comentou também sobre os homens bonitos dali. Confesso que ri bastante com ela. Disse que tem um melhor amigo chamado Márcio e falou também sobre o cara mais bonito do campus: Enrico. Mencionou ainda a patricinha Eleonora Petrovich, herdeira dos hotéis e das lojas Petrovich. Segundo Laura, dizem que ela é a sombra de Enrico, arruma briga com qualquer garota que se aproxima dele. Ele não gosta dela, nem lhe dá atenção, mas ela insiste. Conversamos mais um pouco, quando Márcio chegou. Ele é bem simpático e, prontamente, já nos sentamos juntos. Rimos bastante e, ali mesmo, formamos nosso trio. Já tenho meus amigos. Combinamos de sair naquela noite; eles me apresentariam melhor a cidade. Já estou gostando dessa amizade. A aula terminou e foi tudo muito tranquilo. Eu estava esperando Márcio e Laura, que foram pegar um suco, quando senti alguém esbarrar em mim. Olhei — e vi um homem muito lindo. Muito lindo. Olhos verdes, cabelo castanho-claro, sorriso perfeitamente desenhado. Só saí do meu transe quando ele perguntou se eu tinha me machucado. Pediu desculpas. Não foi nada respondi, ainda meio atordoada. Ele sorriu. Prazer, Enrico. Ana Lis, respondi. Ele perguntou se eu era nova ali. Disse que sim. Então me convidou para uma reunião com os amigos naquela noite. Respondi que iria e perguntei se poderia levar dois amigos. Ele prontamente disse que sim. Trocamos telefones para que ele combinasse o horário comigo. Ele me falou o endereço. — Eu também moro nesse condomínio — falei. Ele sorriu. — Assim é bem melhor. Quando ele saiu, Márcio e Laura chegaram eufóricos. — O que você estava conversando com o Enrico? — perguntaram, quase ao mesmo tempo. Olhei para eles, dei um sorriso torto e respondi: — Fomos convidados para uma reunião hoje à noite, na casa dele. Eles ficaram de boca aberta, se entre olharam e começaram a pular de animação. Tenho a impressão de que Laura gosta do Enrico. Eu, Laura e Márcio fomos tomar um sorvete. Depois nos despedimos, combinando de conversar e marcar outros passeios. Eles disseram que me levariam para conhecer alguns lugares da cidade. Meu irmão veio me buscar. Estou muito animada. Contei que fiz novos amigos e que iríamos sair qualquer dia desses. Ele ficou feliz, pediu para que eu tivesse cuidado, mas disse que não iria me proibir de sair com meus amigos — apenas que fosse responsável e que os levasse para ele conhecer. Concordei. Quando chegamos em casa, tomei um banho demorado e fui comer alguma coisa. Na cozinha, contei ao meu irmão que havia sido convidada por Enrico, da universidade, para uma reunião na casa dele — e que, para melhorar, morávamos no mesmo condomínio. Bento me perguntou, surpreso: — Como ele se chama? — Enrico — respondi. Meu irmão riu de lado e disse apenas: — Tá certo. Achei estranho, mas deixei para lá. Meu celular tocou. Era Enrico. Ele disse que seria às sete horas e que eu não poderia faltar. Conversamos mais um pouco. Fui tomar outro banho e escolher uma roupa linda. Estava me arrumando quando Laura e Márcio me ligaram, dizendo que queriam vir para minha casa para irmos juntos. Passei o endereço para eles — assim Bento poderia conhecê-los. Avisei meu irmão, e ele ficou aguardando a chegada deles. Quando chegaram, Laura ficou vidrada no Bento. Foi a primeira vez que vi meu irmão sem jeito. Fui até eles e puxei Laura pelo braço, antes que ela falasse demais. Nos despedimos do Bento e fomos para o apartamento de Enrico. No caminho, Laura não parava de comentar o quanto Bento era lindo. Perguntou se ele namorava. Dei um tapinha nela e rimos. Quando chegamos, pegamos o elevador e tocamos a campainha. Para minha surpresa, quem atendeu foi ele… Theo. Fiquei paralisada. Só saí do meu transe quando Enrico veio até nós. Abraçou Laura, Márcio e depois me abraçou também. Notei um olhar estranho de Theo — talvez fosse impressão minha. Enfim, entramos. Já havia mais pessoas ali. Cumprimentaram-nos, sentamos, conversamos, rimos, comemos e fiz novos colegas. Noah, um dos amigos de Enrico, pediu meu número. Passei para ele. E, novamente, senti Theo estranho. Mas não dei atenção. Louco. Foi uma noite muito boa. Amei tudo. Márcio e Laura, então, nem se fala — os dois estavam radiantes. Eles iriam dormir lá em casa. Amo eles. — Bem, deu nossa hora — falei, levantando e chamando Márcio e Laura. Enrico e Noah pediram para ficarmos mais um pouco, mas dissemos que precisávamos ir, pois no dia seguinte teríamos aula normal. Despedi-me de todos e fomos embora. Mas não deixei de notar que Theo permaneceu de cara fechada durante boa parte da noite. Fiquei intrigada com uma coisa: o que Theo estava fazendo no apartamento de Enrico? A pergunta não saía da minha cabeça. Havia algo naquele olhar, naquela presença silenciosa e intensa, que não combinava com simples coincidência. Pensei por alguns instantes e decidi perguntar a Laura. O que ela me contou me deixou pasma. Theo é irmão de Enrico. E mais: aquele apartamento, na verdade, é do Theo. Enrico o usa às vezes por ser mais próximo da universidade. Como se não bastasse, Laura ainda acrescentou, com naturalidade, como se estivesse falando de algo comum: — Ah, e ele também é um dos donos da Universidade Valthera. Fiquei parada por alguns segundos. Um dos donos da universidade. Não acredito. Tudo começou a fazer mais sentido — a postura dele, o olhar firme, a maneira como parecia observar tudo ao redor sem realmente participar. Havia poder ali. Controle. Mas, acima de tudo, não consegui deixar de lembrar da expressão dele quando me viu interagindo com Enrico… e com Noah. Aquela cara fechada. Aquele olhar estranho. Aquilo não foi impressão minha. E, pela primeira vez desde que saí do apartamento, senti que talvez aquela noite tenha sido mais intensa do que eu imaginei.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD