Estava organizando planilhas na minha mesa, os números dançando na tela do laptop sob a luz fria do monitor, quando meu celular vibrou discretamente sobre a superfície de vidro. Era Theo. Atendi no segundo toque, mantendo a voz profissional, como sempre fazíamos no ambiente do escritório: "Oi, senhor Salvatori. Deseja alguma coisa?""Sim, Ana Lis. Venha à minha sala. Preciso conversar com você", respondeu ele, o tom grave e imperioso cortando o ar como uma lâmina afiada. "Tá bem, já estou indo", repliquei, desligando rápido e me levantando, o coração dando um salto sutil enquanto alisava a saia do tailleur.Caminhei pelo corredor silencioso, os saltos ecoando baixinho no piso de porcelanato polido, passando por portas fechadas e mesas vazias. O ar condicionado zumbia constante, carregado com

