A mansão estava mergulhada em um silêncio pesado, como se a noite tivesse decidido segurar a respiração. O vento fazia as cortinas balançarem suavemente, e a chuva da madrugada ainda pingava nos beirais, deixando um rastro úmido de frescor no ar. Elowen estava deitada na cama de hóspedes, mas o sono não vinha. Desde a noite anterior, desde a forma como o corpo dela se misturara ao de Kael, nada nela parecia o mesmo. Virava-se de um lado para o outro, relembrando cada toque, cada respiração ofegante, o olhar dele quando finalmente se rendeu. Um arrepio percorreu sua pele só de pensar. Ainda assim, por mais intensa que tivesse sido aquela entrega, havia algo em sua mente que não a deixava em paz: a carta. As ameaças veladas, a promessa de que ela seria o ponto fraco, um alvo. Elowen suspir

