Ponto de Vista de Emilia
Meu coração estava batendo tão violentamente em meu peito, minhas mãos apertadas ao meu lado, minhas palmas úmidas de suor.
Eu disse a mim mesma que ia ser forte, mas minha ansiedade estava me consumindo.
Você não poderia me culpar. Parecia que eu estava sendo levada para a execução.
Segui em silêncio atrás da senhora, os olhos vasculhando o corredor escuro como se eu esperasse que algo pulasse e me atacasse, ou algo assim.
O lugar estava tão malditamente silencioso, que parecia que até as paredes estavam segurando a respiração. Como se até o ar estivesse parado de repente.
O som dos nossos passos ecoava, fazendo meu coração bater ainda mais rápido.
Estava sendo levada ao quarto do Rei, um lugar de onde talvez nunca mais voltasse. Mas eu me recusava a deixar que esse fosse o meu destino. Me recusava a ser uma das muitas mulheres que não saíram de sua cama.
De um jeito ou de outro, eu ia sair viva. Eu não tinha um plano. Não sabia o que ia dizer ou fazer para que o Rei não quisesse me tocar.
Mas eu tinha que arrumar alguma coisa. Eu não podia morrer, tinha um mundo inteiro pela frente.
Tinha muitas coisas para realizar e nenhuma delas seria possível se eu morresse esta noite.
Soltei um suspiro pela boca para acalmar a ansiedade que se enroscava dentro de mim.
Rosella disse que ele ficaria tão asqueado que não me tocaria por eu ser tão feia. De todas as vezes em que fui chamada de feia, esta foi a única vez que esperava que fosse verdade. Esperava que o rei me olhasse e sentisse nada além de asco. O suficiente para me mandar embora. E então, talvez... talvez eu finalmente tivesse uma chance de escapar deste lugar.
Eu não podia me render a este destino. Não podia me render à morte.
A senhora virou em outra direção, entrando em outro corredor e eu a segui.
Havia vários guardas alinhados, e eu sabia que estávamos nos aproximando do quarto do rei. Mais perto do meu destino. Os rostos dos guardas eram impassíveis, parecendo tão frios como se matassem por diversão. E aposto que o faziam.
Ainda estávamos andando, quando ouvi o som de passos se aproximando.
Um homem alto de cabelos castanhos vinha em nossa direção e, se eu achava que o rosto dos guardas era frio, o dele era outra história totalmente.
Parecia que a única coisa que o fazia sorrir era o pulsar do coração de seu inimigo em suas mãos.
Mas ele era um dos homens mais bonitos que eu já vi. Era musculoso, com braços que faziam parecer que ele quebraria seu pescoço sem suar. A maneira como ele andava era majestosa, como se até o chão tivesse medo dele.
Ele gritava poder e autoridade.
A senhora parou e eu fiz o mesmo.
Isso significava que ela não continuaria daqui? Isso significava que iriam me levar daqui para o Rei Alfa?
Ele parou na nossa frente e a senhora se curvou. Não foi necessário que me dissessem que eu tinha que fazer o mesmo.
— Beta Lucien. — Ela cumprimentou,
Oh, ele devia ser o segundo no comando do Rei. O homem que também era rumorado como sendo tão frio e impiedoso quanto o Rei.
O homem não respondeu, seus olhos apenas se estreitaram para mim enquanto ele me estudava como se estivesse procurando por algo.
Eu apertei minhas mãos fortemente para evitar que elas tremessem, por causa da intensidade do seu olhar.
— Ela veio com o novo grupo de ômegas, a estava trazendo até o quarto do rei. — A senhora explicou
— Não será necessário.
Eu ouvi corretamente? Isso significava que eu não seria levada ao Rei? Pisquei confusa e não pude me conter quando olhei para cima, nossos olhos se encontraram brevemente e rapidamente olhei para baixo.
Nos avisaram para não fazer contato visual e eu acabei de quebrar essa regra.
Ele iria me matar agora?
— O que você quer dizer, Beta Lucien? — A senhora perguntou, confusa.
— O Rei ordenou que ele não quer ver mais nenhuma mulher em seu quarto… — Ele fez uma pausa e senti seu olhar atravessar-me. — Ou ele pode matá-la antes que sua cama faça.
Sem dizer mais uma palavra, o homem virou-se e se afastou.
Houve um silêncio por um momento e eu fiquei ali esperando pela ordem da senhora.
— Bem, devo dizer que você teve sorte. Mas, bem, o inevitável ainda acontecerá. — Ela disse como se tivesse feito isso mil vezes.
— Venha comigo. — Ea ordenou e eu a segui de volta pelo mesmo caminho que viemos.
Isso significava que eu não veria o Rei esta noite?
A realização do que acabou de acontecer finalmente me atingiu.
Eu estava destinada a ver o rei esta noite, mas então ele disse que não queria ver mais nenhuma mulher esta noite.
Isso poderia ser um sinal. Poderia significar que eu poderia encontrar um jeito de escapar.
Não sabia quando me levariam para vê-lo novamente, mas sobrevivi a esta noite.
A senhora parou na frente de uma porta, empurrou-a e então olhou para mim.
— Estes são os aposentos onde ficará com as outras. Vão lhe dizer o que fazer até o dia em que o Rei decidir que quer ver outra mulher, então você será chamada.
Eu assenti e então ela me lançou um olhar que não entendi muito bem, antes de se afastar.
Respirei fundo antes de entrar no quarto.
Havia várias mulheres, reconheci algumas da minha alcateia e outras não, mas sabia que eram de outras alcateias.
O quarto era grande, havia várias beliches. “Uma cama boa para dormir até esperar sua vez de morrer.” Pensei comigo mesma.
Caminhei silenciosamente até uma cama vazia na beliche inferior e subi nela.
Meus olhos encontraram uma garota no canto do quarto que estava visivelmente tremendo, porque todas sabíamos pelo que fomos trazidas aqui.
Para morrer ou curar a maldição do Rei.
Me afastei de todas enquanto trazia o cobertor até o queixo.
Eu só tinha que esperar todas adormecerem.
Não sobrevivi esta noite para esperar ser um sacrifício amanhã.
Eu tinha que escapar, e tinha que fazê-lo…
Esta noite.