Ponto de Vista de Maximus
Eu podia sentir, estava perdendo o controle novamente, e era apenas questão de tempo antes de perder completamente.
Minhas mãos estavam tão cerradas enquanto eu caminhava em direção ao quarto da alta sacerdotisa. Eu sabia que era perda de tempo, porque ela me daria a mesma resposta.
Lucien abriu a porta e entrei.
Meus olhos percorreram o quarto e era o de sempre: livros que não tinham solução para o meu problema alinhados nas prateleiras, havia algo que queimava no canto e cheirava a ervas.
As cortinas estavam fechadas e apenas pouca luz passava pela janela, e sobre a mesa havia uma vela acesa e a fumaça que saía dela tinha um cheiro estranho.
— Sua Majestade. — Despertei dos meus pensamentos quando ouvi sua voz, e finalmente meus olhos pousaram nela.
— Soraya. — Eu disse ao continuar em direção ao sofá no centro da sala.
— Você tem uma solução para mim? — Perguntei, afundando lentamente no sofá.
— Sua Majestade… Eu… Eu… — Ela suspirou, balançando a cabeça.
Minhas mãos se cerraram ainda mais.
— Eu já disse, a única maneira de você melhorar, é se a deusa decidir lhe dar uma segunda chance como companheira e…
— Você não vê isso acontecendo. — Disse, terminando as palavras que ela tinha medo de dizer em voz alta.
— Não… não é isso, Sua Majestade, o que estou dizendo é que está demorando mais do que o esperado. E às vezes, nunca acontece.
— Não foi isso que eu acabei de dizer?
— Não, meu Deus… — Levantei a mão, a interrompendo. Eu não queria ouvir o que ela tinha a dizer.
O quarto ficou em silêncio e tenso, tão denso que poderia ser cortado por uma faca.
— Então, no final, você ainda não tem uma solução para mim? Vou apenas esperar até o dia em que minha b***a assumir o controle e enlouquecer, é isso? — Perguntei, meus olhos gelados encontrando os dela, assustados.
— Encontraremos uma solução. — Ela sussurrou e isso fez algo dentro de mim se quebrar.
— Por quanto tempo? Huh? Até eu perder o controle e me tornar uma ameaça para todo o reino, e então meu povo se voltar contra mim e me matar, ou até minha b***a me consumir por completo? — Levantei-me do sofá, meu peito subindo e descendo de raiva.
A alta sacerdotisa deu um passo para trás, seus olhos negros procurando uma saída, com medo.
— Você não entende, aceitei meu destino. Mas tudo que estou pedindo é que encontre algo… algo que me ajude a não matar nenhuma mulher que eu toque. Eu sei que vou morrer. Mas eu preciso de um herdeiro. É pedir demais?!
— Estou tentando, meu Rei, você apenas precisa me dar tempo.
— Não tenho tempo. A cada dia que passa, eu pioro e perco o controle! — Rosnei, o cheiro de sangue era intenso no ar devido à força com que eu estava cerrando as mãos.
— Você é a feiticeira mais poderosa e mais antiga. Tudo que estou pedindo é por uma erva… qualquer coisa que seja poderosa o suficiente para acalmar minha b***a, mesmo que seja por um dia… Droga! Até por uma hora. Eu só preciso de um herdeiro, pois nem morto deixarei o trono ir para aquela família.
— Eu entendo, meu rei. Trabalharei ainda mais, encontraremos uma solução.
Respirei fundo e me virei para ela, tentando recuperar o controle.
— Sua Majestade. — Lucien chamou e virei-me para encará-lo.
— E a mulher, a que você viu? — Lucien perguntou, sua voz cautelosa.
— Que mulher? — A alta sacerdotisa perguntou, seus olhos cheios de curiosidade.
— Havia uma mulher comigo ontem e minha b***a não a matou.
— O quê?! — Ela perguntou, sua voz cheia de incredulidade.
— Isso é impossível.
— Eu sei. Mas aconteceu. — Eu disse.
— Ela pode ser a solução, onde está ela? Traga-a para mim. — Ela disse.
— Não me dê esperanças. — Eu disse, sentindo um aperto forte em meu coração. Outra perda de racionalidade, mais um ponto para minha b***a.
— Ainda estamos tentando descobrir quem ela é. Teremos essa informação antes do final do dia. — Lucien disse e ela assentiu.
— Bem, como não serviu de nada vir aqui, talvez eu deva ir. — Eu disse ao começar a me encaminhar para a porta, mas sua voz me impediu.
— Sua Majestade. — Eu não me virei.
— Apenas tenha um pouco de fé. Continue lutando, você é forte, vencerá isso. — Eu não lhe dei uma resposta, apenas saí, com Lucien logo atrás de mim.
Não precisava de conselhos ou incentivo. Precisava de uma solução.
Uma saída da minha miséria.
Segui pelo corredor e Lucien se juntou a mim.
As pessoas se afastaram, se curvando em respeito, ao passarmos.
— Preparei para que as ômegas que acabaram de ser trazidas sejam apresentadas a você esta noite. Ela pode ser uma delas. — Lucien disse e isso me fez parar imediatamente.
— Estou apenas pensando… e se ela for uma delas, você dormirá com ela?
Sua pergunta ecoou em minha cabeça como um sino. E se ela fosse uma delas? E o que aconteceria se eu a tocasse? Ela morreria como as outras?
Minha b***a tinha se acalmado ao vê-la. E se ela estivesse calma o suficiente para eu realmente tocá-la sem matá-la?
— Vamos encontrá-la primeiro. O que farei com ela depende de como minha b***a reagirá ao vê-la novamente.
Por tudo que sabia, aquela calma poderia ter sido apenas uma ilusão, e na próxima vez que a vir…
Ele iria para o ataque.