Capítulo 8 - Chegou a Hora

897 Words
Ponto de Vista de Maximus — Vossa Majestade, encontramos algo. — A porta do meu escritório se abriu e Lucien entrou apressado, com o tablet na mão. — Então, na noite passada… — Ele disse, deixando o tablet na minha frente. — Uma das ômegas foi vista vagando pelo corredor. Ela é bem esperta, tentou não mostrar o rosto, mas conseguimos identificá-la. — Meus olhos foram para a tela onde uma garota tentava ao máximo se misturar com as sombras. Voltei meu olhar para Lucien enquanto ele continuava: — Mas o problema é que ela não fugiu, porque pedi para verificar e ela ainda está com as outras. Por que ela estaria fora, se não estava tentando fugir? — Talvez ela tenha percebido que não conseguiria sair e desistiu. — Falei enquanto me recostava na cadeira. — Ou ela foi distraída por algo. — Com suas palavras, peguei o tablet novamente e olhei para o rosto da mulher, tentando ver se conseguia lembrar da mulher da noite anterior. Mas não consegui. Nada se encaixava. — Então você está dizendo que ela é a mulher da noite passada? — Perguntei. — Ela pode ser, mas não temos certeza, porque você nos disse para não colocar câmeras na zona da morte e todos sabem que ninguém tem permissão para entrar naquele corredor, então não temos certeza se foi ela quem entrou. — Preciso que você tenha certeza. — Eu sei, mas o fato é que ela foi a única vista vagando na noite passada. O que significa que pode ser ela. E também, você disse que sabe como ela cheira, certo? — Ele disse e eu apenas assenti. — Ótimo. Isso significa que você será capaz de identificá-la quando ela se apresentar a você esta noite. — Mais alguma coisa? — Perguntei e ele ficou em silêncio por um tempo. Conhecia aquele olhar. Aquele em que ele lutava entre salvar a própria cabeça ou apenas calar a boca ou falar. Sabia que ele estava prestes a dar uma sugestão muito absurda, que eu não iria gostar. — Não estou interessado. — Falei antes mesmo dele abrir a boca para falar, e ele sabia melhor do que discutir comigo. — Conforme desejar, Vossa Majestade. — Ele disse e estava prestes a pegar o tablet, mas o detive. — Deixe isso aqui. — Há mais alguma coisa que gostaria que eu fizesse por você? Devo mandá-la para o seu escritório? — Ele perguntou e estreitei os olhos para ele. — Não, a verei esta noite. Mas… — Mas o quê? — Fique de olho nela. — Sim, meu rei. — Ele disse e, sem mais palavras, inclinou a cabeça e saiu da sala. Peguei lentamente o tablet e continuei observando a mulher na tela. Ela estava em grande parte coberta pela escuridão. Repousei o tablet, virando-o para baixo e voltei ao trabalho diante de mim. Um homem morto não tinha esperança. E eu era um homem morto. ****** Ficamos o dia todo sentadas nesta sala, ouvindo a senhora nos falar sobre o que fazer e o que não fazer. “Faça o que o rei mandar.” “Não o encare nos olhos.” “Não fale a menos que ele mande.” “Não grite.” “Não lute.” Não sabia se todos esses avisos eram para nos preparar ou nos assustar, mas acho que era o último. Porque havia uma garota no canto que parecia prestes a desmaiar. Suspirei ao enfiar a comida na boca. Sim, eles nos deram comida, boa comida. Não queriam que morrêssemos de estômago vazio. — Até quando isso vai continuar? — Uma das garotas perguntou de repente, e a atenção de todas se voltou para ela. — Do que está falando? — A garota no alojamento ao lado perguntou. — Tudo isso… — Ela disse enquanto gesticulava as mãos ao redor. — Quantas mulheres vão morrer na cama do Rei? Ninguém vai impedi-lo? Alguém riu, mas não havia nada de engraçado no som. — Impedir o rei? Você é burra? E além disso, o rei não obrigou ninguém a estar aqui, quem você deveria estar brava são seus Alfas por te entregarem como sacrifícios a ele. — Disse uma garota de cabelos castanhos, no alojamento oposto ao meu. — Não acredito que está defendendo ele. — A primeira garota disse, incrédula. — Não estou defendendo ele, só estou dizendo fatos. E você não estaria tão brava se acabasse sendo a única que o cura, não é? — A garota de cabelos castanhos disse e a outra garota ficou quieta, virando o rosto para a parede. O lugar ficou silencioso e parecia que todo mundo se perdeu em seus próprios pensamentos. A cada segundo que passava, estávamos nos aproximando do momento em que seríamos convocadas para encontrar o rei. Eu não estaria aqui, mas graças a mim, joguei fora aquela oportunidade. Ouvimos o som de passos se aproximando e todas imediatamente se sentaram eretas, enquanto todos os olhos se voltavam para a porta. Nesse ponto, todas estávamos familiarizadas com aquele som imponente de saltos. Não havia dúvidas de que era a senhora. Meu coração batia muito alto no peito à medida que os passos se aproximavam e finalmente a porta se abriu. E lá estava ela, com um sorriso no rosto como se fosse a portadora de boas novas. — Chegou a hora, garotas.
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