Ponto de Vista de Maximus
— Vossa Majestade, encontramos algo. — A porta do meu escritório se abriu e Lucien entrou apressado, com o tablet na mão.
— Então, na noite passada… — Ele disse, deixando o tablet na minha frente.
— Uma das ômegas foi vista vagando pelo corredor. Ela é bem esperta, tentou não mostrar o rosto, mas conseguimos identificá-la. — Meus olhos foram para a tela onde uma garota tentava ao máximo se misturar com as sombras.
Voltei meu olhar para Lucien enquanto ele continuava: — Mas o problema é que ela não fugiu, porque pedi para verificar e ela ainda está com as outras. Por que ela estaria fora, se não estava tentando fugir?
— Talvez ela tenha percebido que não conseguiria sair e desistiu. — Falei enquanto me recostava na cadeira.
— Ou ela foi distraída por algo. — Com suas palavras, peguei o tablet novamente e olhei para o rosto da mulher, tentando ver se conseguia lembrar da mulher da noite anterior. Mas não consegui. Nada se encaixava.
— Então você está dizendo que ela é a mulher da noite passada? — Perguntei.
— Ela pode ser, mas não temos certeza, porque você nos disse para não colocar câmeras na zona da morte e todos sabem que ninguém tem permissão para entrar naquele corredor, então não temos certeza se foi ela quem entrou.
— Preciso que você tenha certeza.
— Eu sei, mas o fato é que ela foi a única vista vagando na noite passada. O que significa que pode ser ela. E também, você disse que sabe como ela cheira, certo? — Ele disse e eu apenas assenti.
— Ótimo. Isso significa que você será capaz de identificá-la quando ela se apresentar a você esta noite.
— Mais alguma coisa? — Perguntei e ele ficou em silêncio por um tempo.
Conhecia aquele olhar. Aquele em que ele lutava entre salvar a própria cabeça ou apenas calar a boca ou falar. Sabia que ele estava prestes a dar uma sugestão muito absurda, que eu não iria gostar.
— Não estou interessado. — Falei antes mesmo dele abrir a boca para falar, e ele sabia melhor do que discutir comigo.
— Conforme desejar, Vossa Majestade. — Ele disse e estava prestes a pegar o tablet, mas o detive.
— Deixe isso aqui.
— Há mais alguma coisa que gostaria que eu fizesse por você? Devo mandá-la para o seu escritório? — Ele perguntou e estreitei os olhos para ele.
— Não, a verei esta noite. Mas…
— Mas o quê?
— Fique de olho nela.
— Sim, meu rei. — Ele disse e, sem mais palavras, inclinou a cabeça e saiu da sala.
Peguei lentamente o tablet e continuei observando a mulher na tela.
Ela estava em grande parte coberta pela escuridão.
Repousei o tablet, virando-o para baixo e voltei ao trabalho diante de mim.
Um homem morto não tinha esperança.
E eu era um homem morto.
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Ficamos o dia todo sentadas nesta sala, ouvindo a senhora nos falar sobre o que fazer e o que não fazer.
“Faça o que o rei mandar.”
“Não o encare nos olhos.”
“Não fale a menos que ele mande.”
“Não grite.”
“Não lute.”
Não sabia se todos esses avisos eram para nos preparar ou nos assustar, mas acho que era o último.
Porque havia uma garota no canto que parecia prestes a desmaiar.
Suspirei ao enfiar a comida na boca. Sim, eles nos deram comida, boa comida. Não queriam que morrêssemos de estômago vazio.
— Até quando isso vai continuar? — Uma das garotas perguntou de repente, e a atenção de todas se voltou para ela.
— Do que está falando? — A garota no alojamento ao lado perguntou.
— Tudo isso… — Ela disse enquanto gesticulava as mãos ao redor. — Quantas mulheres vão morrer na cama do Rei? Ninguém vai impedi-lo?
Alguém riu, mas não havia nada de engraçado no som.
— Impedir o rei? Você é burra? E além disso, o rei não obrigou ninguém a estar aqui, quem você deveria estar brava são seus Alfas por te entregarem como sacrifícios a ele. — Disse uma garota de cabelos castanhos, no alojamento oposto ao meu.
— Não acredito que está defendendo ele. — A primeira garota disse, incrédula.
— Não estou defendendo ele, só estou dizendo fatos. E você não estaria tão brava se acabasse sendo a única que o cura, não é? — A garota de cabelos castanhos disse e a outra garota ficou quieta, virando o rosto para a parede.
O lugar ficou silencioso e parecia que todo mundo se perdeu em seus próprios pensamentos.
A cada segundo que passava, estávamos nos aproximando do momento em que seríamos convocadas para encontrar o rei.
Eu não estaria aqui, mas graças a mim, joguei fora aquela oportunidade.
Ouvimos o som de passos se aproximando e todas imediatamente se sentaram eretas, enquanto todos os olhos se voltavam para a porta.
Nesse ponto, todas estávamos familiarizadas com aquele som imponente de saltos. Não havia dúvidas de que era a senhora.
Meu coração batia muito alto no peito à medida que os passos se aproximavam e finalmente a porta se abriu.
E lá estava ela, com um sorriso no rosto como se fosse a portadora de boas novas.
— Chegou a hora, garotas.