Ponto de Vista de Emilia
Eles nos fizeram vestir branco, como se isso tornasse a situação menos aterrorizante.
Todas nós usávamos conjuntos semelhantes, um vestido curto de seda com um roupão para cobrir. Sim, nos fazer parecer sexy. Claro, quem não gostava que sua comida parecesse sexy?
Ficamos todas alinhadas do lado de fora de um par de portas duplas, e acredite em mim quando digo que o número de corações batendo tão alto era suficiente para iniciar uma orquestra.
Suguei o ar, apertando minhas mãos e tentando parecer o mais calma possível por fora, mas por dentro, eu estava tremendo feito uma folha.
— Lembrem-se do que eu disse, meninas, tenham um bom comportamento. — Disse a senhora e lutei contra a vontade de revirar os olhos.
Tipo, querida, a gente não vai fazer um teste, nós vamos morrer.
Ela começou a andar devagar, olhando para cada uma de nós. Parou na frente de uma das garotas, a mais tímida, e ela deu um sobressalto.
A senhora inclinou-se e sussurrou algo para a garota. Ela concordou rapidamente, antes de se endireitar — ou tentar — porque pelo olhar em seu rosto, fosse lá o que a senhora disse a ela, se era para acalmá-la, não funcionou.
As portas finalmente se abriram e parecia que meu coração afundou no estômago.
Um homem estava na porta, o rosto sem emoção, olhos afiados como uma lâmina, enquanto seus olhos escaneavam cada uma de nós.
Instantaneamente o reconheci como o homem da noite anterior. O beta do Rei.
Uma das garotas gemeu ao vê-lo e eu não pude culpá-la, ele era assustador. Sexy, mas assustador.
Ele saiu da sala, fechando as portas atrás de si. Não disse uma palavra, apenas começou a andar com as mãos atrás das costas, como um homem inspecionando as mercadorias que estava prestes a comprar.
Parou ao meu lado e meu coração podia ter saltado pela boca, mas eu não percebi porque estava com muito medo de me mexer.
— Olhe para mim. — Sua voz ecoou em meus ouvidos, mas poderia ter sido apenas o vento e minha mente brincando comigo. Eu não me movi.
— Me ouviu? Eu disse: olhe para mim. — Ah, merda, não foi o vento.
Rapidamente olhei para cima, meus olhos se encontrando com os dele, meu coração batendo contra o peito.
— Você será a última. — Ele disse, acenando com a cabeça para que eu fosse para o final da fila e eu não perguntei nada.
Silenciosamente, saí de onde estava e fui para o final da fila.
Não sabia por que ele me pediu para ir para o final, talvez porque eu era... gorda, feia. Era o que todos diziam.
Senti olhares sobre mim e me virei para ver que ele ainda estava me olhando e, para minha surpresa, vi o canto de seus lábios se mexerem para o que poderia ter sido um sorriso.
Mas então ele se virou para outra garota e disse:
— Você, venha comigo.
*******
Sentei-me em minha cadeira tipo um trono, pernas abertas, minhas mãos descansando nos braços da cadeira enquanto a porta se abria e a primeira garota entrava.
Cabelos castanhos curtos, olhos castanhos que pareciam assustados pra caramba. Era patético e eu odiava repetir esse ciclo.
Eu conseguia sentir o medo dela daqui, estava tão espesso no ar que me sufocava.
Ela caminhou mais para dentro da sala até parar a alguns metros de mim. Eu estava principalmente coberto pelas sombras, então ela não pôde ver meu rosto, mas eu a vi.
Ela era o que alguns chamariam de fofa.
— Vossa Majestade. — Disse com uma reverência, a voz tremendo.
— Meu nome é Samantha... Samantha Wilson. — Não respondi, apenas a observei em silêncio.
Pensei que ela viria para se apresentar e sair, porque eu não tinha nenhum plano em tocar qualquer mulher esta noite. Essa era apenas a brilhante ideia de Lucien para eu encontrar aquela mulher.
Fazê-las se apresentarem para mim até que eu a encontrasse.
Ela se aproximou de mim, algo perto da bravura repentinamente brilhando em seus olhos e eu me inclinei para trás na cadeira, observando.
Ela parou na minha frente e então subitamente, se sentou em meu colo, ficando de pernas abertas sobre mim.
Meu m****o já estava duro, e o peso dela sobre mim, me fez gemer.
— Corajosa, não é? — Eu disse, mas ela não respondeu. Ao invés disso, começou a roçar em mim, mas minha mão imediatamente se estendeu, parando-a.
Eu sabia o que ela estava tentando fazer. Se ela fosse morrer, por que não apenas morrer esta noite?
— Saia de cima de mim. — Eu disse calmo, e ela piscou como se não pudesse acreditar em seus ouvidos, mas então ela assentiu enquanto lentamente se levantava de cima de mim.
— Preciso ver as outras também.
— Desculpe, meu rei. — Ela disse com uma reverência, antes de sair rapidamente da sala.
Respirei fundo enquanto ajustava minhas calças. Meu m****o estava dolorosamente rígido e o menor movimento do tecido estava me deixando desconfortável.
Minutos depois, outra garota entrou e se apresentou.
Ela não tinha o cheiro que eu procurava.
Outra veio. E outra.
E outra.
Me dizendo nomes que eu nunca lembraria.
Até a última, ou assim pensei…
A porta se abriu novamente e dessa vez foi Lucien quem entrou.
— Meu Rei, resta apenas uma garota.
— Mande-a entrar. — Eu disse, e ele assentiu, antes de sair.
Inclinei-me para trás na cadeira enquanto esperava, e então ouvi o som de passos.
Segundos depois, um cheiro tão forte me atingiu antes mesmo da porta se abrir.
Baunilha. Jasmim.
Era ela.
Não a tinha imaginado.
Ela era real.