Ponto de Vista de Emilia O som da água corrente enchia o banheiro, constante e reconfortante, a princípio. Eu fiquei embaixo do chuveiro, minhas palmas planas contra o azulejo frio, olhos fechados, tentando respirar. O vapor subia ao meu redor como um fantasma, enrolando-se contra minha pele. Por alguns segundos, era a única coisa que me impedia de desmoronar. Eu queria lavar tudo: a raiva, as lágrimas, a dor que ainda persistia depois que Maximus saiu. Mas no momento em que a água quente tocou minha pele, um arrepio agudo subiu pela minha espinha. Começou devagar, apenas um tremor fraco. Então, de repente, o calor se abateu sobre mim como uma onda. Meu corpo queimava. Meu fôlego ficou preso na garganta enquanto eu recuava, agarrando a borda da parede de vidro. — Não. — Eu sussurrei,

