Rio de Janeiro..
Rocinha
Palhaço
Satisfação total pra vocês!
Me chamo Pedro, ou como costumam me chamar aqui pela quebrada: Palhaço.
Sempre fui um cara de poucas palavras, tá ligado? Gosto de observar bem as coisas antes de agir. Não sou de ter muitos amigos, só tenho conhecidos... Amigos são aqueles que estão ali do seu lado no pior ou no melhor momento. Os meus "amigos" só quiseram estar presente agora que estou no comando da Rocinha, mas quando foi pra me dar apoio quando meu coroa rodou aqui dentro, ninguém tava, ninguém botou fé que eu iria erguer esse morro novamente. Exceto o Moura e a Cecília; eles sim foram os únicos que estiveram ali comigo.
Fomos criados os três juntos. Considero o Moura como um irmão, até porque meus pais que terminaram de criar ele. A Cecília é nossa protegida, pô! Menina dez, não tem papas na língua e os melhores conselhos que eu ouço são os dela.
Perdi o meu pai com dezessete anos, porém só comecei a comandar o morro quase um ano depois, quando completei dezoito. Quem ficou no comando por esse tempo foi o sub do meu pai, mas assim que assumi o posto de chefe aqui na quebrada, rolou uma invasão e ele acabou falecendo.
Quando meu pai morreu, minha coroa ficou sem chão, mas ela já sabia que isso uma hora poderia acontecer. É o ciclo do crime, né... Ou você morre ou fica trancado por vários anos.
Eu sempre fui do movimento, fazia os corre quando meu pai era vivo, mas só os básicos mesmo. Minha mãe ficava com ódio da minha cara e da cara do meu coroa, mas eu que pedia pra ir. Eu gostava da adrenalina de tá ali fazendo as paradas, até que chegou o dia que ela não tinha mais o que fazer e teve que aceitar a minha escolha.
O Moura começou a se envolver quando ainda tinha dezessete. Ele é três anos mais velho que eu. Quando a Cecília viu que nós dois estávamos no movimento, ela ficou meio bolada, disse que não queria ver os melhores amigos dela dentro de um caixão. Aquilo me tocou pra c*****o! Aí a maluca fez nós dois prometer que não iríamos morrer tão cedo, e tamo aí né, tentando cumprir essa promessa desde então.
Hoje em dia eu tô com vinte e quatro, o Moura com vinte e sete e a Céci com vinte.
E falar pra vocês: eu sou totalmente completo tendo o meu morro, minha rainha, o meu irmão do coração e a minha pretinha atentada.
Mato e morro por eles, assim como eu sei que, se necessário, eles fariam a mesma coisa por mim.