cap 04 ela vai falar sozinha

737 Words
Cecília Toquei a campainha e não demorou muito para Tia Ana aparecer com um sorriso no rosto. -- Céci, minha filha, entra aí. O Pedro tá lá no quarto dele. -- Nem vim atrás dele não, tia. Vim atrás do seu bolo - falei mordendo o lábio. -- Seu pedaço tá ali bem guardadinho. Entrei e fui indo direto pra cozinha. Ela me serviu um pedaço de bolo com café enquanto me perguntava sobre a faculdade. -- Na casa dos outros uma hora dessa, Cecilião? - Moura falou entrando na cozinha. -- Vai a merda, Moura! Você também não tá aqui? -- Mas eu morei aqui praticamente a vida toda. -- Eu vou dar na sua cara! -- Hoje o Moura acordou virado, Céci. Tá atentando até a coitada da cachorra - Tia Ana falou rindo. -- Se eu fosse a cachorra eu mordia ele. -- Mas você também é uma cachorra - ele respondeu com a mão na cintura. Peguei uma colher de p*u que estava em cima da bancada e rumei nele, mas o filho da mãe desviou e quem acabou sendo acertado na cabeça foi o Palhaço, que estava vindo atrás todo distraído. -- c*****o, Cecília! Tentativa de homicídio pra cima de mim logo de manhã? - falou enquanto passava a mão no lugar atingido. A Tia Ana só sabia rir daquela situação. -- Foi m*l, preto. Era pra pegar nessa praga do Moura. -- Porque com o Palhaço rola apelido carinhoso e comigo não, em Céci? - Moura perguntou bolado. -- Quando eu te chamava de n**o tu ficava no puro ódio. -- É lógico! Tava acabando com meus esquemas, as mina tava achando que nós dois tinha caso. -- Então pronto, não reclama. -- Garota agressiva... Fiquei de conversa por mais um tempinho e logo desci pro estúdio. Hoje tem baile, então o dia vai ser bem agitado. Tenho várias manutenções e maquiagens hoje para poder fazer. Enquanto descia pro salão eu vi o cara da noite passada. Quando ele me viu passar, abaixou a cabeça. Já tinha umas meninas me esperando na porta. Assim que abri, já fui logo adiantando o meu trabalho. -- Ei, garota, ainda tem horário sobrando? Olhei para frente e vi uma mulher de cara fechada parada na entrada do estúdio. -- Infelizmente não, os horários de hoje já estão todos lotados - respondi educadamente. -- Tá perdendo dinheiro então, mas sem problema. Eu vou no salão ali de cima que é bem mais espaçoso e organizado do que esse daqui - falou com deboche. -- Então porquê não foi lá antes? - perguntei já cheia de ódio. Ela me deixou sem resposta e saiu... Eu não entendi essa garota. -- Ih, Cecília, relaxa. Essa daí tá pesando na sua por causa do Palhaço e do Moura - Nara falou enquanto olhava uma revista. A gata estava aqui ontem pra fazer as garras e hoje veio para fazer a maquiagem. -- Deixa ela vim de graça pra cima de mim. -- Ela nem daqui é, só sobe aqui mesmo em dia de baile. A garota é do asfalto, típico aquelas meninas paty que sai da zona delas pra vim sentar pra bandido. -- Tá vendo aí, a mona nem é daqui e vem crescer asa pro meu lado. -- Ela tá de olho nos dois a tempo, só que o Palhaço não rende pra ela e o Moura diz que não gosta de mulher oferecida. -- Ela vai ficar se mordendo sozinha, porque se depender de mim, vejo e finjo que nem conheço. Terminei todas as minhas clientes já era um pouco tarde e, como eu prometi pro Palhaço, liguei para ele. O mesmo não demorou muito para chegar e eu logo subi na garupa. -- Vai colar no baile? -- Não sei, tô sem ninguém para poder ir. -- Eu e o Moura somos ninguém? -- Não é a mesma coisa, pô. Vocês ficam lá enchendo a cara enquanto eu fico sentada olhando vocês encherem a cara. Preciso de uma companhia feminina. -- E as fiel dos cara lá? -- Prefiro ficar sozinha do que andar com aquelas fiéis, inventam coisa de todo mundo. -- E aquela menina lá que tu sempre andava? -- A Nara? -- Ela mesmo. -- Vou ver com ela. Ele concordou com a cabeça enquanto eu descia da moto. Entrei dentro de casa e fui logo me produzir pra mais tarde.
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