CAPÍTULO 6 MEDO

1063 Words
Eloá Narrando. Eu não sei o que vai ser da minha vida daqui para frente, sinto medo. Medo do desconhecido, medo do que estar por vim, medo de ser encontrada. Depois que o Alexandre fez o curativo eu vim para o quarto. Mais não encontro o sono, acho que dormir demais. Me levantei e fui até a cozinha, tomei um copo de água. Olhei para sala, ele parecia estar dormindo. Me aproximei devagar, sem fazer barulho para não o acordar. Me sentei na poltrona de frente para a janela, fiquei olhando a escuridão lá fora. Faz tanto tempo que vivo na escuridão absurda, que é estranho ver uma luz no fim do túnel, uma nova chance de viver. Mais o medo me impedi, me trava, não sei explicar. - Angelina...- escuto o Alexandre sussurrar atrás de mim. Me virei, ele continua dormindo. "Quem será Angelina". - Angelina meu amor... - ele sussurrou de novo. Me levantei devagar e me aproximei dele. - Alexandre... - chamei baixo. Ele não acordou. - Alexandre... - chamei e coloquei a mão nele. Ele segurou meu pulso e me puxou, me fazendo cair sobre seu peito, me envolveu em um abraço de urso. Eu arregalei os olhos. Meu corpo inteiro tremeu e estranhamente relaxou, se sentiu em casa. Tentei me levantar, ele apertou mais o abraço. Deitei minha cabeça no seu peito, sentindo meu corpo se entregar, pelo calor dos seus braços. O sono profundo me levou. Acordei com ele se mexendo assustado. Se sentou rápido comigo no colo. Olhei para ele assustada. Ele me tirou do seu colo e se levantou rápido. - O que está fazendo aqui? - perguntou nervoso. - Desculpa. - falei abaixando a cabeça. - Não peça desculpa, responda minha pergunta. - falou alto e bravo. Muito bravo. - Eu vim beber água, você chamou por Angelina, eu me aproximei para te acordar, você me abraçou e não soltou mais. - falei e olhei para ele. Sua fisionomia mudou de raiva para dor e desconforto. - Não se aproxima mais. - falou. Virou as costas e saiu. - Desculpa. - Sussurrei antes que ele passasse pela porta. Não sei se ele ouviu, se ouviu ignorou. Me levantei rápido e voltei para o quarto. Meu corpo tremia de medo, me enfiei na cama e chorei. Será que ele vai me mandar embora. Não tive coragem de sair do quarto, estou com medo de ver ele, medo da sua reação. Escutei batidas na porta e ele apareceu. Me sentei. - Posso entrar? - ele perguntou. Assenti. - Está com fome? - perguntou sem entrar muito no quarto. Assenti. - Vamos comer está pronta. - Ele falou e saiu. Me levantei e fui atrás dele. Ele já estava sentado na mesa, me sentei também. - Me desculpa. - Sussurrei de cabeça baixa. Ele soltou a colher no prato fazendo um barulho que me assustou. Mais não levantei o olhar. - Você precisa para de pedir desculpas toda hora Eloá. - falou nervoso. Assenti. - Merda... eu que deveria te pedir desculpa, acho que estava sonhando e acabei confundindo com a realidade. - falou. Olhei para ele. "Acho que é a primeira vez que eu escuto alguém me pedindo desculpas, isso me deu uma vontade que a muito tempo eu não sentia, sorrir". Abrir um sorriso. Seus olhos se arregalaram, um brilho diferente passou por eles. Ele se levantou e saiu. Fiquei confusa, me levantei e fui atrás. Avistei ele entrando na floresta rápido. Pensei em chamar, mas ele não me ouviria. Entrei para dentro e me sentei na mesa. Me servi e comecei a comer. Terminei lavei tudo. E fui me sentar na sala. É estranho como eu ainda sinto o calor de seus braços ao meu redor. Nunca sentir algo parecido. As horas foram passando e nada de voltar. Tomei um banho demorada, sentindo a água quente aquecer meu corpo. Até tomar banho parece novidade. Coisa que era rara onde eu vivia. Sai coloquei uma de suas camisas que parece um vestido em mim. Fiz o curativo no meu pé, do jeito que eu consegui e coloquei uma meia. Essa casa é bem quietinha não preciso me encher de roupa. A noite caiu e ele não voltou. Meu estômago reclamou de fome, esquentei o caldo e comi. Nada dele voltar. Estou me sentindo ansiosa e preocupada. Será que ele está bem. Me sentei no sofá para esperar ele voltar. Mas acabei me deitando e dormir, sentindo o seu cheiro no estofado. Acordei com um barulho, me sentei assustada. Olhei e vi ele na cozinha. Me levantei e fui até ele. - Oi. - falei me aproximando. - Oi. - respondeu sem me olhar. - Quer ajuda? - perguntei vendo ele guardando umas carnes. - Não. - respondeu seco. - Eu quero ajudar, me sentir útil. - falei. - Me ajuda ficando longe de mim. - falou nervoso. - O que eu fiz para você? - perguntei sentindo um incomodo estranho com as suas palavras. Ele soltou o que estava na sua mão na pia fazendo um barulho de vidro se quebrando. Colocou a mão na borda e respirou fundo. Meu corpo tremeu de medo. - Desculpa eu só queria ajudar, você já fez tanto por mim. - Sussurrei. - Para de pedir desculpas p***a. - falou nervoso. Me encolhi. Ele se virou e me olhou. Se aproximou rápido e olhou nos meus olhos. - Me ajuda ficando longe de mim. - falou entre os dentes. As lágrimas escorreram, meu corpo tremeu e as minhas pernas fraquejaram me fazendo desabar no chão. - p***a. - Ele falou nervoso e se abaixou. Me arrastei para longe. - Não toca em mim por favor... desculpa. - Sussurrei com a voz embargada me arrastando para longe dele. - Eloá, desculpa porra... é que... - falou se aproximando. Me encolhi. - Me deixa te ajudar. - falou estendendo a mão. Neguei com a cabeça e me arrastei para mais longe dele. - Eu não vou te machucar, eu nunca machucaria você. - falou com dor. Olhei para ele. As lágrimas ainda escorriam, mas sentir segurança em suas palavras. Assenti devagar. Ele me pegou no colo, passei os braços pelo seu pescoço e enfiei o rosto, sentindo o seu cheiro que me acalma. Ele ficou tenso. Mais... Eu não consigo me afastar. Eu não entendo o porquê, só me traz paz.
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