Alexandre Narrando.
Mais um dia acordando com o som das arvores balançando pelo vento, o cheiro da neve, junto com a sensação de paz.
Levantei tomei um banho bem quente, coloquei calça, botas e um sobretudo, do jeito que as arvores estão balançando, já sei que tem geada chegando.
Os dias mais frios do mês, onde as estradas ficam interditadas, as pessoas presas em casa e o meu dia de ir à cidade e comprar as coisas que vou precisar durante o mês.
Não vivo no luxo como era no tempo da máfia, minha cabana é simples, quarto, sala e cozinha, tudo na madeira preferir assim, para aplacar o frio, eu nunca fui muito fã do frio hoje vejo que ele é meu único refúgio.
O lugar que tem mais luxo aqui é o banheiro, com água quente que foi difícil de conseguiu fazer chegar aqui em cima, mais nada que o dinheiro vivo não pague, tem uma banheira também, não por luxo mais por necessidade, as vezes me machuco caçando e a banheira ajuda na dor.
Peguei uma mochila com algumas coisas, e minha arma essa é minha fiel companheira, ainda não usei, mais caso precise estará comigo.
A parte r**m de viver escondido é ter sempre que ficar em alerta, esperando o momento que eles me acharam, mais uma coisa é certa não irei sem lutar.
Entrei no meu jipe e sai.
As estradas estão horríveis demorei mais que o normal para chegar na cidade.
Eu não costume entrar e comprar, todo mês que venho deixo uma lista e só venho buscar na mesma data.
- Como está a estrada hoje? - O Nicolai dono da única venda que tem na cidade mais próxima perguntou.
- Normal. - Respondi seco.
- Pra você, que só sai da sua montanha nessa época. - Ele falou.
- Trouxe tudo? - perguntei.
- Sim. - Ele falou me entregando um copo de uísque.
- Manda carregar. - falei e me sentei no balcão.
Quando eu ando pela cidade as pessoas me olham como se eu fosse realmente um bicho, são poucos que ficam por perto, como o Nicolai, porque todos que estavam aqui quando eu entrei deram um jeito de sair ou se fastar.
Vilarejo pequeno e pessoas burras que acreditam em lendas ridículas.
Depois que ele carregou o jipe, paguei e segui o caminho de volta.
Mais as estradas estram piores ainda, com a neve e as árvores que geralmente cai nesse tempo, tive que pegar o caminho mais longe.
Cheguei na cabana o dia já tinha ido embora e a lua já estava clareando o alto da montanha.
Parei o jipe na parte de trás e vim andando, quando amanhecer eu descarrego.
Mas tinha algo estranho, diferente do que eu deixei.
Tirei a arma da cinta e fui andando devagar, a porta estava aberta, olhei em volta e não vi nada, nem carros ou marcas de pneus na neve, deve ter sido algum animal tentando fugir do frio.
Me aproximei e passei pela porta.
Entrei mais um pouco e vi, alguém caído no chão.
Me aproximei mais, era uma garota, desmaiada.
Virei ela de frente para mim, seu rosto machucado, um vestido velho rasgado, marcas de correntes nos braços e nas canelas.
Segurei a mão dela, sentir seu pulso, fraco mais ainda tinha vida.
Desci o olhar suas pernas expostas machucadas, os dedos dos pês roxos pelo frio.
- De onde você veio garota. - Sussurrei olhando no seu rosto desacordado.
Ninguém nunca chegou tão próximo da minha cabana, quem dirá entrar assim.
Mas está na cara que ela fugiu de algum lugar, algum cativeiro.
Mas isso não é problema meu, ela precisa ir embora.
- Ei, garota, acorda. - falei balançando ela e nada.
Me aproximei, respiração fraca.
Ele deve estar com hipotermia, andando assim nesse frio.
Guardei a arma na cinta e peguei ela no colo.
Levei ela para o quarto e coloquei na minha cama, liguei o aquecedor que me ajudar em noites como essa.
Fui até o banheiro e enchi a banheira com água quente.
Volte para o quarto ela ainda estava do mesmo jeito, não se mexeu.
Peguei ela no colo e levei para o banheiro, coloquei ela de roupa e tudo.
Tirei o vestido que ela usava embaixo da água.
E constatei que não era uma garota e sim uma mulher.
Me afastei.
Tem muito tempo, muito tempo mesmo que eu não chego perto de uma mulher.
Mais não posso deixar ela assim.
Respirei fundo e me aproximei de novo.
Passei a esponja nas suas pernas, braços e rosto.
Deixei ela embaixo da água quente até melhorar a coloração dos seus pês e os dedos das mãos.
Ela não acorda de jeito nenhum.
Tirei ela da banheira, enrolei ela na toalha e coloquei na cama.
Ela está tão frágil, desidratada, machucada.
Várias partes do seu corpo, quem fez isso com ela não teve dó.
Peguei um calça de moletom e uma camiseta e coloquei nela, passei uma pomada nos seus pês e coloquei uma meia.
Ficou tudo enorme no seu corpo pequeno, mais é melhor isso do que passar frio.
Cobrir ela e sai do quarto.
Agora é só esperar ela acordar.
Não posso ficar com ela aqui, se ela fugiu estão atrás, e já basta um fugitivo nessa cabana ela precisa se recuperar logo e assim que isso acontecer, vai embora.