Eloá Narrando
Eu pensei em enfrentar o meu medo só para ter ele perto de mim, deixar ele fazer o que quisesse comigo só para ele não se afastar mais.
Eu sentia que precisava dele para sobreviver, que ele era minha única esperança.
Que tudo o que eu estava sentindo não era por acaso.
Que com ele eu podia aceitar tudo, que estava tudo bem.
E...
Quando ele finalmente correspondeu ao meu beijo, senti meu coração disparar de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Tudo em mim tremia, mas, pela primeira vez em muito tempo, não era de medo.
O beijo dele foi diferente do que eu imaginava. Não havia pressa, nem força. Era calmo, cuidadoso, como se ele tivesse medo de me machucar. Aquela delicadeza fez meus olhos se encherem de lágrimas, porque eu nunca tinha sido tocada com tanto respeito.
Sem perceber, me aproximei mais dele. Pela primeira vez, um toque não me trazia lembranças ruins. Nos braços dele, eu descobria que um beijo também podia significar proteção, carinho... e a esperança de que meu passado não precisasse definir o resto da minha vida.
Senti sua mão na minha cintura. Uma sensação estranha atingiu meu corpo, algo estranho, mas bom, muito bom.
Nos afastamos quando o ar nos faltou.
Meus olhos não se abriram de imediato, sentindo o gosto dos seus lábios nos meus.
Quando finalmente eles se abriram, encontrei seu olhar.
Intenso.
Abri um sorriso e me aproximei de novo.
Mas ele se afastou.
Olhei para ele confusa.
— Vamos com calma, flor. — Ele falou, meio desconfortável.
— Você pode me mostrar? — perguntei.
Ele me olhou confuso.
— O prazer que você falou... — sussurrei com vergonha.
"Mas, se for bom como esse beijo, eu quero sentir."
Ele limpou a garganta, visivelmente desconfortável.
Se sentou.
— Não está facilitando para mim. — falou.
— É que... — sussurrei envergonhada.
Me sentei.
Olhei para ele.
— Eu... eu não quero que você pare. — Minha voz saiu quase em um sussurro. — Se for com você... eu quero continuar. Quero descobrir como é... sem medo.
Ele me olhou, ainda desconfortável.
Ele segurou o meu rosto com delicadeza e encostou a testa na minha.
— Acredite, flor, eu quero continuar. Sinto meu corpo gritar por isso. Mas não, flor... não assim. Você passou tempo demais fazendo coisas porque alguém roubou as suas escolhas. Antes de eu te tocar, eu quero que você descubra o que gosta, o que te faz bem, o que faz você se sentir confortável. Sozinha, no seu tempo. Sem pressão. Sem ninguém esperando nada de você. — sussurrou.
Ele acariciou de leve minha bochecha.
Respirou fundo, como se estivesse tentando se controlar.
Ele se afastou.
— Quando você tiver certeza do que sente e do que quer, eu vou estar aqui. Mas eu não vou apressar nenhuma etapa da sua cura. — falou, olhando nos meus olhos.
E isso encheu meu coração de um sentimento que me fez ter certeza de que, por mais que ele fale que não é a pessoa certa para isso, eu sei que é ele.
— Você pode me ensinar? — perguntei envergonhada.
Ele arregalou os olhos.
— Te ensinar o quê? — perguntou, pigarreando para aliviar a tensão.
— A sentir sozinha. — sussurrei e abaixei a cabeça.
Ele encostou a cabeça na parede, respirando fundo. Parecia estar em uma luta interna.
— Ensino, porra... tô fodido, mas ensino. — falou sem me olhar.
Fiquei olhando para ele, esperando.
Ele me olhou.
— Eu vou te falar o que fazer... — respirou fundo. — Mas não vou te tocar. — falou.
Eu assenti.
— Deita. — Ele falou.
Eu me deitei com o coração batendo forte, ansiosa pelo que estava por vir.
— Se cobre. Eu não preciso ver isso. — falou mais para ele do que para mim.
Abri um sorriso. Ele parecia meio desesperado.
— Abre as pernas e coloca a mão. — Ele falou com a voz rouca, mais do que o normal.
Se deitou virado para mim, com a mão segurando a cabeça e o cotovelo apoiado na cama.
Mas distante.
Bem distante de mim.
Coloquei a mão, respirando fundo.
— Coloca dois dedos dentro de você. — falou.
Eu fiz, ainda insegura e com medo, mas fiz.
Olhei para ele.
— Está molhada ou não? — sussurrou.
— Molhada. — falei olhando para ele.
— Caralho... — sussurrou e fechou os olhos.
— E agora? — perguntei.
— Calma aí. — Ele falou sem abrir os olhos.
Depois de alguns longos minutos, ele me olhou.
Seus olhos estavam mais escuros que o normal.
— Passa o dedo pela sua a******a, até sentir um carocinho. — sussurrou, olhando nos meus olhos.
Eu fiz.
Respirei fundo.
— Achei. — sussurrei.
— Agora alisa ele conforme seu corpo for pedindo por mais. — Ele falou.
Eu comecei, com a mão um pouco trêmula.
Um arrepio percorreu meu corpo.
Não consegui desviar os olhos dele.
O jeito como ele me observava era intenso, quase feroz, como se travasse uma batalha silenciosa contra si mesmo. Havia algo contido naquele olhar, uma força que ameaçava transbordar, mas que permanecia rigidamente presa pelo próprio controle.
Senti algo queimar no meu corpo.
Meus dedos se mexiam mais rápido.
Minha respiração acelerava junto com meu coração.
— Huum... — um gemido escapou pelos meus lábios.
Não de dor.
Era algo diferente.
Os olhos dele permaneciam fixos nos meus, acompanhando cada reação do meu rosto.
Quanto mais eu via aquele esforço estampado em seus olhos, mais coragem encontrava dentro de mim.
— É... isso... — sussurrei com a voz falha pelos gemidos que saíam dos meus lábios sem controle.
— É isso. — sussurrou com uma voz grave, que deveria me assustar, mas só me fez sentir mais.
Ele desviou o olhar, passando-o pelo meu corpo, que se contorcia pelo prazer que eu mesma estava me dando.
Ele fez menção de se levantar.
Segurei sua camisa e puxei ele mais para perto.
— Isso é tortura. — Ele sussurrou olhando nos meus olhos.
Eu não respondi.
Não conseguiria.
Mas eu precisava dele ali perto de mim.
Me olhando como se fosse me devorar a qualquer momento.
O que era estranho é que, em vez de temer, eu sentia mais.
Muito mais prazer.