Michel saiu da casa com passos pesados, mas o coração parecia feito de cacos. O ar da noite fria de Magé queimava seus pulmões, mas não era o vento que o sufocava — era a sensação de estar deixando para trás mais do que poderia suportar. Ele tinha acabado de ouvir da boca de Nayla o que mais temia: ela não o queria, não do jeito que ele sonhava, não mais. A imagem dela com a mão na barriga, protegendo o filho como se o mundo inteiro fosse inimigo, corroía ele por dentro. A cada passo que dava em direção ao carro, Michel se sentia mais vazio. O motor roncou quando girou a chave, mas dentro dele não havia barulho, apenas silêncio e dor. A estrada até o Rio parecia interminável. Cada curva trazia lembranças — os risos de Nayla, as brigas, as noites em que jurou protegê-la de tudo e de todos

