As câmeras piscavam sem parar, os microfones se estendiam como armas apontadas, e Daniel Albuquerque, de terno impecável, estava sentado diante da mesa de conferência. Atrás dele, o letreiro reluzia em dourado: ALBUQUERQUE ENGENHARIA. O ambiente era de triunfo. Mas o clima mudou quando um dos jornalistas, mais ousado, ergueu a voz: — Senhor Albuquerque, como é para o senhor se tornar o único dono da antiga Machovane Engenharia, agora que não há mais herdeiros legítimos? Afinal... Nayla Machovane foi dada como morta e a filha menor nunca mais foi encontrada. O burburinho na sala foi imediato. Os flashes explodiram, os repórteres se inclinaram para frente, ávidos pela reação. Daniel permaneceu imóvel por alguns segundos, o maxilar travado, os olhos castanhos escurecendo. Dentro dele, o c

