Jef Jeferson dirigia em silêncio, as mãos firmes no volante, os olhos fixos na estrada. O motor do carro roncava baixo, mas dentro da cabine o peso era ensurdecedor. Ele olhava de vez em quando para o banco ao lado, onde Blade estava jogado contra o encosto, os olhos vermelhos, a mandíbula travada e o silêncio que gritava mais do que qualquer palavra. Ele já tinha visto Michel em muitas situações: no fogo cruzado, em emboscada, sangrando no chão, mas sempre firme, sempre no controle. Só que ali, naquela noite, o que Jeferson enxergava era um homem despedaçado. As lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto de Blade, e isso o feria mais do que se tivesse visto o amigo levar um tiro. — c*****o, mano… — murmurou Jeferson para si mesmo, apertando mais o volante. — Isso não pode ficar assim.

