A noite havia caído sobre o Complexo de Israel como um manto vivo, pulsante, cheio de cores, sons e cheiros. Para Nayla, tudo ainda era novo, um universo paralelo que parecia distante da vida que ela tinha conhecido no asfalto. Ali, as ruas não eram apenas ruas: eram corredores de energia, onde crianças corriam com pipas coloridas iluminadas pela luz dos postes, onde barracas improvisadas ofereciam desde churrasquinhos até algodão-doce, onde a música ecoava de caixas de som e se misturava às vozes alegres da comunidade. Aquele cenário, que para muitos representava perigo, para Nayla se tornava um abrigo. O Complexo respirava vida. Era barulhento, desorganizado, mas ao mesmo tempo acolhedor. E, naquela noite, o cheiro de pizza fresca, churrasco assando e pipoca estourando no óleo se espalh

