Capítulo 10

691 Words
A manhã chegou devagar. A luz do sol atravessava levemente a cortina do quarto, iluminando o ambiente com um tom quente e silencioso. Felipe já estava acordado. Deitado de lado, ele apenas observava. Olívia estava encostada nele. A cabeça apoiada no peito dele, respirando tranquila, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo. Uma das mãos dela estava por baixo da blusa dele, repousando na barriga, enquanto o outro braço a mantinha abraçada a ele de forma leve. Felipe não se mexia. Não queria acordá-la. Só observava. Com um olhar diferente do habitual. Mais calmo. Mais profundo. Mais preso nela do que ele gostaria de admitir. Até que ela começou a se mexer. Olívia piscou devagar, ainda meio perdida. E então abriu os olhos. Congelou. Levou meio segundo para entender a posição em que estava. — Meu Deus… — ela sussurrou, levantando rápido. — Desculpa, Felipe, eu não queria… Ela se sentou na cama às pressas, puxando o lençol para cobrir melhor a camisola, o rosto completamente vermelho. — Eu… eu não percebi… Felipe soltou uma risada baixa. — Você pode parar com isso? Ela franziu a testa, confusa. — Com o quê? — Essa timidez toda. Ela o olhou sem entender. Ele se virou levemente na cama. — Olívia… a gente se casou, lembra? Tecnicamente eu sou seu marido. Ela arregalou os olhos. — Mas, Felipe, a gente… Ele a interrompeu, calmo. — Não tô dizendo que vai acontecer alguma coisa entre a gente. Só tô dizendo que você não precisa ficar tão nervosa assim. Ele deu um meio sorriso. — Uma hora ou outra, você vai esquecer isso. Uma toalha vai cair, ou eu vou entrar no quarto sem querer… essas coisas acontecem. Olívia pegou um travesseiro e jogou nele. — Você é tão sem graça! Felipe riu, pegando o travesseiro no ar. — E você é linda demais, Vivi. Ela ficou em silêncio por um segundo. E depois riu, sem perceber. Nesse momento, bateram na porta. — Meus filhos, bom dia! Trouxe café da manhã pra vocês! Olívia arregalou os olhos de novo. — Eu vou morrer aqui… — ela murmurou. Felipe levantou calmamente. — Já vou, mãe! Ele foi até a porta e abriu. A mãe dele parou na porta sorrindo . — Dormiram bem? Olívia respirou fundo, tentando parecer normal. — Dormi bem, sim… obrigada por tudo, viu? — Imagina, querida — a mãe dele respondeu com carinho. — Aproveitem mais um pouco. E saiu, fechando a porta. Silêncio. Quando ficaram sozinhos novamente, Felipe voltou com a bandeja e colocou na cama. Olívia soltou uma risada. — Sua mãe é maravilhosa… adorei conhecer ela. Seu pai também. Ele sentou ao lado dela. — E eu, onde entro nisso? Ela o olhou de canto. — Você é… como posso dizer… Um chato. Ele colocou a mão no peito. — Isso foi ofensivo. — Para de drama — ela disse rindo e dando um leve beijo na bochecha dele. Você é chato porque fica fazendo piadinhas e me fazendo rir. Ela ficou mais séria por um segundo. — Mas eu gostei de te conhecer também. Fez uma pausa. — Ainda não acredito que você realmente seja rico… isso me pegou de surpresa. Felipe soltou um suspiro leve, desviando o olhar por um instante. — A comida do seu restaurante é maravilhosa. E com o tempo… eu acabei me acostumando com a dona também. Olívia piscou. — Espera… você ia lá por causa da comida? Ele a olhou rápido. — Claro. Pequena pausa. — E pelo atendimento. Ela estreitou os olhos. — Hm. Ele sorriu de leve, escapando do assunto. — Falando nisso, você disse que hoje precisa organizar o restaurante? Ela assentiu. — Sim. Preciso deixar tudo pronto essa semana. No fim de semana a gente viaja pra fazenda. Felipe concordou. — Certo. Então hoje a gente resolve tudo isso. Ela se levantou da cama. — Pode ser. E enquanto ela ia se preparar para voltar à rotina… Felipe ficou olhando por um instante a porta do banheiro se fechar. E pela primeira vez, ele percebeu que aquele “contrato” estava começando a ficar… perigoso.
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