A manhã chegou devagar.
A luz do sol atravessava levemente a cortina do quarto, iluminando o ambiente com um tom quente e silencioso.
Felipe já estava acordado.
Deitado de lado, ele apenas observava.
Olívia estava encostada nele.
A cabeça apoiada no peito dele, respirando tranquila, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo.
Uma das mãos dela estava por baixo da blusa dele, repousando na barriga, enquanto o outro braço a mantinha abraçada a ele de forma leve.
Felipe não se mexia.
Não queria acordá-la.
Só observava.
Com um olhar diferente do habitual.
Mais calmo.
Mais profundo.
Mais preso nela do que ele gostaria de admitir.
Até que ela começou a se mexer.
Olívia piscou devagar, ainda meio perdida.
E então abriu os olhos.
Congelou.
Levou meio segundo para entender a posição em que estava.
— Meu Deus… — ela sussurrou, levantando rápido. — Desculpa, Felipe, eu não queria…
Ela se sentou na cama às pressas, puxando o lençol para cobrir melhor a camisola, o rosto completamente vermelho.
— Eu… eu não percebi…
Felipe soltou uma risada baixa.
— Você pode parar com isso?
Ela franziu a testa, confusa.
— Com o quê?
— Essa timidez toda.
Ela o olhou sem entender.
Ele se virou levemente na cama.
— Olívia… a gente se casou, lembra? Tecnicamente eu sou seu marido.
Ela arregalou os olhos.
— Mas, Felipe, a gente…
Ele a interrompeu, calmo.
— Não tô dizendo que vai acontecer alguma coisa entre a gente. Só tô dizendo que você não precisa ficar tão nervosa assim.
Ele deu um meio sorriso.
— Uma hora ou outra, você vai esquecer isso. Uma toalha vai cair, ou eu vou entrar no quarto sem querer… essas coisas acontecem.
Olívia pegou um travesseiro e jogou nele.
— Você é tão sem graça!
Felipe riu, pegando o travesseiro no ar.
— E você é linda demais, Vivi.
Ela ficou em silêncio por um segundo.
E depois riu, sem perceber.
Nesse momento, bateram na porta.
— Meus filhos, bom dia! Trouxe café da manhã pra vocês!
Olívia arregalou os olhos de novo.
— Eu vou morrer aqui… — ela murmurou.
Felipe levantou calmamente.
— Já vou, mãe!
Ele foi até a porta e abriu.
A mãe dele parou na porta sorrindo .
— Dormiram bem?
Olívia respirou fundo, tentando parecer normal.
— Dormi bem, sim… obrigada por tudo, viu?
— Imagina, querida — a mãe dele respondeu com carinho. — Aproveitem mais um pouco.
E saiu, fechando a porta.
Silêncio.
Quando ficaram sozinhos novamente, Felipe voltou com a bandeja e colocou na cama.
Olívia soltou uma risada.
— Sua mãe é maravilhosa… adorei conhecer ela. Seu pai também.
Ele sentou ao lado dela.
— E eu, onde entro nisso?
Ela o olhou de canto.
— Você é… como posso dizer… Um chato.
Ele colocou a mão no peito.
— Isso foi ofensivo.
— Para de drama — ela disse rindo e dando um leve beijo na bochecha dele. Você é chato porque fica fazendo piadinhas e me fazendo rir.
Ela ficou mais séria por um segundo.
— Mas eu gostei de te conhecer também.
Fez uma pausa.
— Ainda não acredito que você realmente seja rico… isso me pegou de surpresa.
Felipe soltou um suspiro leve, desviando o olhar por um instante.
— A comida do seu restaurante é maravilhosa. E com o tempo… eu acabei me acostumando com a dona também.
Olívia piscou.
— Espera… você ia lá por causa da comida?
Ele a olhou rápido.
— Claro.
Pequena pausa.
— E pelo atendimento.
Ela estreitou os olhos.
— Hm.
Ele sorriu de leve, escapando do assunto.
— Falando nisso, você disse que hoje precisa organizar o restaurante?
Ela assentiu.
— Sim. Preciso deixar tudo pronto essa semana. No fim de semana a gente viaja pra fazenda.
Felipe concordou.
— Certo. Então hoje a gente resolve tudo isso.
Ela se levantou da cama.
— Pode ser.
E enquanto ela ia se preparar para voltar à rotina…
Felipe ficou olhando por um instante a porta do banheiro se fechar.
E pela primeira vez, ele percebeu que aquele “contrato” estava começando a ficar… perigoso.