Mais felipe e se isso acabar, o contrato acabar como eu vou pagar ou melhor voce percebe que gosta de ser livre sozinho.
O quarto estava em silêncio, só quebrado pelo som distante dos animais na fazenda e pelo vento leve passando pelas janelas.
Felipe ficou alguns segundos sem responder.
Não porque não tinha resposta.
Mas porque a pergunta dela atingiu exatamente onde ele não estava colocando palavras ainda.
Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, olhando para o chão.
— Olivia… — ele começou baixo.
Ela esperou.
Ele respirou fundo.
— Não é sobre pagamento.
Ela franziu a testa.
— Mas é claro que é. Tudo isso envolve custo, envolve gente, envolve—
— Não — ele interrompeu com calma, sem dureza. — Não comigo.
Silêncio.
Ele levantou o olhar pra ela.
— Eu tô fazendo isso porque eu quero.
Olívia ficou parada, tentando entender.
— Mas por quê?
Ele demorou um segundo.
E respondeu com honestidade controlada:
— Porque eu vi o que essa fazenda significa pra você.
Ela desviou o olhar, desconfortável.
— Isso não responde.
Felipe soltou um leve suspiro.
— Talvez não tenha uma resposta simples.
Ele passou a mão na nuca.
— Você tá preocupada com dinheiro… com contrato… com o depois.
Olívia assentiu, séria.
— Eu preciso estar.
— Eu sei — ele disse.
E então continuou:
— Mas tem coisas que não entram nessa conta.
Ela o olhou de novo.
Felipe sustentou o olhar.
— Eu não tô te cobrando nada.
Pausa.
— Nem agora… nem depois.
Olívia engoliu seco.
— Então o que você quer em troca?
Silêncio.
Essa era a parte mais difícil.
Felipe desviou o olhar por um instante, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado demais.
— Eu quero ver isso aqui voltar a ser o que era.
Ele apontou levemente para fora, pela janela.
— E quero te ver leve de novo.
Olívia ficou em silêncio.
— Só isso?
Ele olhou pra ela.
E respondeu simples:
— Só isso.
Mas os dois sabiam que não era “só isso”.
Ela se sentou devagar na cama, ainda processando.
— Felipe… isso não é normal.
Ele soltou uma leve risada sem humor.
— Eu também não sou muito normal.
Ela tentou sorrir, mas não conseguiu completamente.
— Você vai acabar se arrependendo.
Ele se levantou e sentou ao lado dela.
— Por quê?
Ela hesitou.
— Porque um dia você pode cansar disso. Da fazenda. Da minha vida. Do meu caos.
Felipe ficou em silêncio.
E então respondeu:
— E se eu não cansar?
Olívia levantou os olhos.
Ele continuou:
— E se, pela primeira vez, isso aqui não for só um lugar… mas uma escolha?
O silêncio pesou.
Ela desviou o olhar, claramente desconfortável com o que aquilo fazia nela.
— Você tá misturando coisas.
— Eu sei — ele disse baixo.
Pausa.
— Mas não fui eu sozinho.
Olívia respirou fundo.
— Felipe…
Ele interrompeu com calma:
— Eu não tô te pedindo nada agora.
Ele levantou devagar.
— Só tô dizendo que eu quero fazer isso por você.
Ele pegou o celular de volta.
— E se um dia tudo isso acabar…
Olhou pra ela.
— eu vou ter feito mesmo assim.
Olívia ficou parada.
Sem resposta.
Porque aquilo não cabia mais no contrato.
Nem no plano.
Nem na lógica dela.
E isso era exatamente o problema.