Capítulo 26

563 Words
Mais felipe e se isso acabar, o contrato acabar como eu vou pagar ou melhor voce percebe que gosta de ser livre sozinho. O quarto estava em silêncio, só quebrado pelo som distante dos animais na fazenda e pelo vento leve passando pelas janelas. Felipe ficou alguns segundos sem responder. Não porque não tinha resposta. Mas porque a pergunta dela atingiu exatamente onde ele não estava colocando palavras ainda. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos, olhando para o chão. — Olivia… — ele começou baixo. Ela esperou. Ele respirou fundo. — Não é sobre pagamento. Ela franziu a testa. — Mas é claro que é. Tudo isso envolve custo, envolve gente, envolve— — Não — ele interrompeu com calma, sem dureza. — Não comigo. Silêncio. Ele levantou o olhar pra ela. — Eu tô fazendo isso porque eu quero. Olívia ficou parada, tentando entender. — Mas por quê? Ele demorou um segundo. E respondeu com honestidade controlada: — Porque eu vi o que essa fazenda significa pra você. Ela desviou o olhar, desconfortável. — Isso não responde. Felipe soltou um leve suspiro. — Talvez não tenha uma resposta simples. Ele passou a mão na nuca. — Você tá preocupada com dinheiro… com contrato… com o depois. Olívia assentiu, séria. — Eu preciso estar. — Eu sei — ele disse. E então continuou: — Mas tem coisas que não entram nessa conta. Ela o olhou de novo. Felipe sustentou o olhar. — Eu não tô te cobrando nada. Pausa. — Nem agora… nem depois. Olívia engoliu seco. — Então o que você quer em troca? Silêncio. Essa era a parte mais difícil. Felipe desviou o olhar por um instante, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado demais. — Eu quero ver isso aqui voltar a ser o que era. Ele apontou levemente para fora, pela janela. — E quero te ver leve de novo. Olívia ficou em silêncio. — Só isso? Ele olhou pra ela. E respondeu simples: — Só isso. Mas os dois sabiam que não era “só isso”. Ela se sentou devagar na cama, ainda processando. — Felipe… isso não é normal. Ele soltou uma leve risada sem humor. — Eu também não sou muito normal. Ela tentou sorrir, mas não conseguiu completamente. — Você vai acabar se arrependendo. Ele se levantou e sentou ao lado dela. — Por quê? Ela hesitou. — Porque um dia você pode cansar disso. Da fazenda. Da minha vida. Do meu caos. Felipe ficou em silêncio. E então respondeu: — E se eu não cansar? Olívia levantou os olhos. Ele continuou: — E se, pela primeira vez, isso aqui não for só um lugar… mas uma escolha? O silêncio pesou. Ela desviou o olhar, claramente desconfortável com o que aquilo fazia nela. — Você tá misturando coisas. — Eu sei — ele disse baixo. Pausa. — Mas não fui eu sozinho. Olívia respirou fundo. — Felipe… Ele interrompeu com calma: — Eu não tô te pedindo nada agora. Ele levantou devagar. — Só tô dizendo que eu quero fazer isso por você. Ele pegou o celular de volta. — E se um dia tudo isso acabar… Olhou pra ela. — eu vou ter feito mesmo assim. Olívia ficou parada. Sem resposta. Porque aquilo não cabia mais no contrato. Nem no plano. Nem na lógica dela. E isso era exatamente o problema.
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