Capítulo 16

563 Words
O jantar na fazenda estava animado. A mesa longa reunia toda a família, risadas ecoando entre pratos e conversas cruzadas. Felipe foi oficialmente apresentado a todos. — Essa aqui é minha irmã, Roberta — disse a mãe de Olívia. A tia dela sorriu, analisando Felipe com simpatia. — Então você é o famoso marido da Olívia. — Em defesa dele, ainda estou tentando me acostumar com esse título — Felipe respondeu com leve humor. Roberta riu. — Gostei dele. Ao lado, o marido da tia apertou a mão dele com firmeza. — Bem-vindo à família. E aos poucos, mais pessoas foram se apresentando. As duas primas de Olívia também estavam ali. Uma delas claramente comprometida, conversando com o namorado sem parar. A outra, porém, estava mais quieta. Observando. E, por mais sutil que fosse, Felipe percebeu. Não demorou muito para que o olhar dela se voltasse para ele algumas vezes. Discreto. Mas constante. Olívia também percebeu. E fingiu não ver. Manteve a postura. Continuou conversando, sorrindo, atuando perfeitamente no papel de esposa. Mas por dentro… anotava tudo. O jantar seguiu leve. Histórias antigas, lembranças da fazenda, risadas que pareciam preencher o espaço que o tempo tinha deixado. Até que, mais tarde, já com a noite avançada, a mãe de Olívia se levantou. — Minha filha, o quarto está pronto, tá? Olívia olhou. — Obrigada, mãe. — Agora ele tá mais… com cara de casal — ela disse, sorrindo sugestivamente. Olívia suspirou, envergonhada. — Mãe… — Vai descansar, vocês devem estar cansados da viagem. Felipe se levantou também. — Obrigado pela noite, senhora. — Boa noite, vó — Olívia disse, abraçando todos antes de sair. — Boa noite, meus filhos — a avó respondeu, sorrindo. Os dois seguiram juntos pelo corredor da casa antiga. O silêncio entre eles era diferente agora. Menos estranho. Mais íntimo. Quando abriram a porta do quarto, Olívia parou. — Meu Deus… Felipe riu baixo. — Parece que isso é um padrão familiar. O quarto estava exatamente no estilo “romântico exagerado”. Pétalas espalhadas pela cama. Vinho sobre a mesa. Uma tábua com queijos, frutas e frios. Tudo cuidadosamente preparado. Olívia fechou a porta devagar. — Elas realmente têm a mesma ideia dos seus pais… — Pelo visto, sim — Felipe respondeu, divertido. Eles se sentaram na cama. Por alguns minutos, só comeram, beberam vinho e conversaram. Sem pressa. Sem encenação. Quase… naturalmente. Olívia soltou um suspiro leve. — Eu tô gostando de te conhecer, Felipe. Ele olhou pra ela. — Eu também. Fez uma pausa. — Eu sei que tudo isso começou como um contrato… mas não acho que isso precise ser só isso pra sempre. Olívia o encarou, mais séria. — Eu também acho. Ela mexeu de leve na taça. — Eu nunca tive tempo pra isso… pra conhecer alguém… pra namorar… pra me apaixonar. Felipe a observou em silêncio. — Eu sei. A voz dele saiu mais baixa. — Mas agora a gente tem tempo. Ela respirou fundo. — Tem… O silêncio entre eles ficou mais pesado. Mais próximo. Mais inevitável. Felipe se aproximou um pouco. Olívia não recuou. E naquele instante, sem pressa, sem brincadeira, sem encenação… eles se beijaram. Diferente dos anteriores. Mais profundo. Mais consciente. Como se, pela primeira vez, o “contrato” tivesse parado de ser a única justificativa. E o resto… ainda fosse um território desconhecido para os dois.
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