O jantar na fazenda estava animado.
A mesa longa reunia toda a família, risadas ecoando entre pratos e conversas cruzadas.
Felipe foi oficialmente apresentado a todos.
— Essa aqui é minha irmã, Roberta — disse a mãe de Olívia.
A tia dela sorriu, analisando Felipe com simpatia.
— Então você é o famoso marido da Olívia.
— Em defesa dele, ainda estou tentando me acostumar com esse título — Felipe respondeu com leve humor.
Roberta riu.
— Gostei dele.
Ao lado, o marido da tia apertou a mão dele com firmeza.
— Bem-vindo à família.
E aos poucos, mais pessoas foram se apresentando.
As duas primas de Olívia também estavam ali.
Uma delas claramente comprometida, conversando com o namorado sem parar.
A outra, porém, estava mais quieta.
Observando.
E, por mais sutil que fosse, Felipe percebeu.
Não demorou muito para que o olhar dela se voltasse para ele algumas vezes.
Discreto.
Mas constante.
Olívia também percebeu.
E fingiu não ver.
Manteve a postura.
Continuou conversando, sorrindo, atuando perfeitamente no papel de esposa.
Mas por dentro… anotava tudo.
O jantar seguiu leve.
Histórias antigas, lembranças da fazenda, risadas que pareciam preencher o espaço que o tempo tinha deixado.
Até que, mais tarde, já com a noite avançada, a mãe de Olívia se levantou.
— Minha filha, o quarto está pronto, tá?
Olívia olhou.
— Obrigada, mãe.
— Agora ele tá mais… com cara de casal — ela disse, sorrindo sugestivamente.
Olívia suspirou, envergonhada.
— Mãe…
— Vai descansar, vocês devem estar cansados da viagem.
Felipe se levantou também.
— Obrigado pela noite, senhora.
— Boa noite, vó — Olívia disse, abraçando todos antes de sair.
— Boa noite, meus filhos — a avó respondeu, sorrindo.
Os dois seguiram juntos pelo corredor da casa antiga.
O silêncio entre eles era diferente agora.
Menos estranho.
Mais íntimo.
Quando abriram a porta do quarto, Olívia parou.
— Meu Deus…
Felipe riu baixo.
— Parece que isso é um padrão familiar.
O quarto estava exatamente no estilo “romântico exagerado”.
Pétalas espalhadas pela cama.
Vinho sobre a mesa.
Uma tábua com queijos, frutas e frios.
Tudo cuidadosamente preparado.
Olívia fechou a porta devagar.
— Elas realmente têm a mesma ideia dos seus pais…
— Pelo visto, sim — Felipe respondeu, divertido.
Eles se sentaram na cama.
Por alguns minutos, só comeram, beberam vinho e conversaram.
Sem pressa.
Sem encenação.
Quase… naturalmente.
Olívia soltou um suspiro leve.
— Eu tô gostando de te conhecer, Felipe.
Ele olhou pra ela.
— Eu também.
Fez uma pausa.
— Eu sei que tudo isso começou como um contrato… mas não acho que isso precise ser só isso pra sempre.
Olívia o encarou, mais séria.
— Eu também acho.
Ela mexeu de leve na taça.
— Eu nunca tive tempo pra isso… pra conhecer alguém… pra namorar… pra me apaixonar.
Felipe a observou em silêncio.
— Eu sei.
A voz dele saiu mais baixa.
— Mas agora a gente tem tempo.
Ela respirou fundo.
— Tem…
O silêncio entre eles ficou mais pesado.
Mais próximo.
Mais inevitável.
Felipe se aproximou um pouco.
Olívia não recuou.
E naquele instante, sem pressa, sem brincadeira, sem encenação…
eles se beijaram.
Diferente dos anteriores.
Mais profundo.
Mais consciente.
Como se, pela primeira vez, o “contrato” tivesse parado de ser a única justificativa.
E o resto… ainda fosse um território desconhecido para os dois.