Capítulo 33

623 Words
O dia passou mais leve. Surpreendentemente leve. Olívia mostrou a fazenda, conversou com a mãe, riu com a avó, implicou com as primas… e em vários momentos, se pegava esquecendo. Esquecendo do medo. Esquecendo da dor. E, principalmente… esquecendo de fugir. Felipe percebeu. E não disse nada. Só ficou ali. Presente. — No fim da tarde, ela apareceu já pronta, com um vestido simples, leve, e o cabelo preso. — Tem um restaurante aqui perto — ela disse. — Pequeno, mas bom. Quero te mostrar. Felipe sorriu. — Tô adorando conhecer seu mundo. Ela sorriu de volta. — Então vem. --- 🍽️ No restaurante O lugar era aconchegante. Luzes amareladas, mesas de madeira, um clima familiar. Nada sofisticado. Mas cheio de história. Eles se sentaram. Conversavam tranquilos. Riam. Ela parecia… solta. Até que— — Olha só… A voz fez o corpo dela travar na hora. Felipe percebeu antes mesmo dela reagir. Olívia levantou o olhar devagar. E o mundo pareceu encolher. Um homem parado ali. Alto. Cabelo preto. Olhar que ela conhecia bem demais. Ao lado dele… uma mulher. Elise. A antiga amiga. O ex. Vitor. O passado… inteiro… na frente dela. — Resolveu voltar pra terra natal? — Vitor disse, com um meio sorriso. Olívia respirou fundo. Endireitou a postura. — Voltei pra visitar minha família. Ela olhou rapidamente pra Elise. — Oi, Elise. — Oi, Olívia… — a mulher respondeu, meio sem graça. O clima ficou estranho. Pesado. Vitor cruzou os braços, analisando. — Então… você casou? Olívia não hesitou. Virou levemente o corpo. E segurou a mão de Felipe. — Casei. E, antes que qualquer coisa pudesse sair do controle, ela se inclinou e deu um beijo nele. Calmo. Mas firme. Como uma afirmação. Felipe entendeu na hora. E sustentou. Quando ela se afastou, Vitor já não sorria da mesma forma. — Interessante… — ele murmurou. Olívia manteve a postura. — Esse é o Felipe. Meu marido. Felipe apenas assentiu, educado. Observador. Silencioso. Mas presente. Vitor deu um sorriso de lado. — Que bom pra você. Mas o tom não era leve. Nunca foi. Olívia percebeu. E decidiu encerrar. — Bom, foi… bom ver vocês. Mentira. Mas necessária. — A gente tá jantando. Ela apertou levemente a mão de Felipe. — Com licença. O recado foi claro. Vitor sustentou o olhar por mais um segundo. Mas não insistiu. — A gente se vê por aí. Eles se afastaram. Mas o estrago já estava feito. Olívia ficou em silêncio. O garfo parado no prato. O olhar distante. Felipe observava. Com calma. — Era ele… né? — ele perguntou baixo. Ela não respondeu de imediato. Só assentiu. Devagar. — Vitor. Silêncio. Felipe apoiou os braços na mesa. — Você quer ir embora? Ela respirou fundo. — Não… eu consigo terminar. Mas a voz não estava firme como antes. Ele não pressionou. — Tá. Eles continuaram o jantar. Mas agora… tudo estava diferente. O passado tinha aparecido. E mexido exatamente onde ainda doía. --- 🌙 Na volta O caminho foi em silêncio. Mas não um silêncio r**m. Era… carregado. Pensativo. Quando chegaram, Olívia parou antes de entrar. Respirou fundo. Felipe esperou. — Desculpa… — ela disse. Ele franziu o cenho. — Pelo quê? Ela olhou pra ele. — Por isso. Ele respondeu na hora: — Você não tem que se desculpar pelo que te machucou. Silêncio. Ela desviou o olhar. — Eu achei que já tinha superado… Felipe se aproximou um pouco. — E talvez tenha. Pausa. — Mas isso não apaga o que você sentiu. Ela respirou fundo. — Eu odeio o poder que isso ainda tem em mim. Ele respondeu com calma: — Então não foge disso. Ela olhou pra ele. — Enfrenta. Silêncio. E dessa vez… ela não recuou.
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