O dia passou mais leve.
Surpreendentemente leve.
Olívia mostrou a fazenda, conversou com a mãe, riu com a avó, implicou com as primas… e em vários momentos, se pegava esquecendo.
Esquecendo do medo.
Esquecendo da dor.
E, principalmente… esquecendo de fugir.
Felipe percebeu.
E não disse nada.
Só ficou ali.
Presente.
—
No fim da tarde, ela apareceu já pronta, com um vestido simples, leve, e o cabelo preso.
— Tem um restaurante aqui perto — ela disse. — Pequeno, mas bom. Quero te mostrar.
Felipe sorriu.
— Tô adorando conhecer seu mundo.
Ela sorriu de volta.
— Então vem.
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🍽️ No restaurante
O lugar era aconchegante.
Luzes amareladas, mesas de madeira, um clima familiar.
Nada sofisticado.
Mas cheio de história.
Eles se sentaram.
Conversavam tranquilos.
Riam.
Ela parecia… solta.
Até que—
— Olha só…
A voz fez o corpo dela travar na hora.
Felipe percebeu antes mesmo dela reagir.
Olívia levantou o olhar devagar.
E o mundo pareceu encolher.
Um homem parado ali.
Alto.
Cabelo preto.
Olhar que ela conhecia bem demais.
Ao lado dele… uma mulher.
Elise.
A antiga amiga.
O ex.
Vitor.
O passado… inteiro… na frente dela.
— Resolveu voltar pra terra natal? — Vitor disse, com um meio sorriso.
Olívia respirou fundo.
Endireitou a postura.
— Voltei pra visitar minha família.
Ela olhou rapidamente pra Elise.
— Oi, Elise.
— Oi, Olívia… — a mulher respondeu, meio sem graça.
O clima ficou estranho.
Pesado.
Vitor cruzou os braços, analisando.
— Então… você casou?
Olívia não hesitou.
Virou levemente o corpo.
E segurou a mão de Felipe.
— Casei.
E, antes que qualquer coisa pudesse sair do controle, ela se inclinou e deu um beijo nele.
Calmo.
Mas firme.
Como uma afirmação.
Felipe entendeu na hora.
E sustentou.
Quando ela se afastou, Vitor já não sorria da mesma forma.
— Interessante… — ele murmurou.
Olívia manteve a postura.
— Esse é o Felipe. Meu marido.
Felipe apenas assentiu, educado.
Observador.
Silencioso.
Mas presente.
Vitor deu um sorriso de lado.
— Que bom pra você.
Mas o tom não era leve.
Nunca foi.
Olívia percebeu.
E decidiu encerrar.
— Bom, foi… bom ver vocês.
Mentira.
Mas necessária.
— A gente tá jantando.
Ela apertou levemente a mão de Felipe.
— Com licença.
O recado foi claro.
Vitor sustentou o olhar por mais um segundo.
Mas não insistiu.
— A gente se vê por aí.
Eles se afastaram.
Mas o estrago já estava feito.
Olívia ficou em silêncio.
O garfo parado no prato.
O olhar distante.
Felipe observava.
Com calma.
— Era ele… né? — ele perguntou baixo.
Ela não respondeu de imediato.
Só assentiu.
Devagar.
— Vitor.
Silêncio.
Felipe apoiou os braços na mesa.
— Você quer ir embora?
Ela respirou fundo.
— Não… eu consigo terminar.
Mas a voz não estava firme como antes.
Ele não pressionou.
— Tá.
Eles continuaram o jantar.
Mas agora… tudo estava diferente.
O passado tinha aparecido.
E mexido exatamente onde ainda doía.
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🌙 Na volta
O caminho foi em silêncio.
Mas não um silêncio r**m.
Era… carregado.
Pensativo.
Quando chegaram, Olívia parou antes de entrar.
Respirou fundo.
Felipe esperou.
— Desculpa… — ela disse.
Ele franziu o cenho.
— Pelo quê?
Ela olhou pra ele.
— Por isso.
Ele respondeu na hora:
— Você não tem que se desculpar pelo que te machucou.
Silêncio.
Ela desviou o olhar.
— Eu achei que já tinha superado…
Felipe se aproximou um pouco.
— E talvez tenha.
Pausa.
— Mas isso não apaga o que você sentiu.
Ela respirou fundo.
— Eu odeio o poder que isso ainda tem em mim.
Ele respondeu com calma:
— Então não foge disso.
Ela olhou pra ele.
— Enfrenta.
Silêncio.
E dessa vez…
ela não recuou.