Capítulo 17

538 Words
A luz da manhã entrava pela janela do quarto da fazenda com força, atravessando as cortinas claras e tocando tudo com um tom dourado. Olívia foi a primeira a se mexer. Sentiu uma leve dor de cabeça. Franziu o rosto. E então percebeu o calor ao lado. Muito perto. Demais. Ela abriu os olhos devagar… E travou. — Ai meu Deus… Felipe estava ali. Dormindo ao lado dela, tranquilo demais para a situação. E pior: Ela estava apenas de sutiã e calcinha. Olívia arregalou os olhos, puxando o lençol na hora. — Felipe! Ele se mexeu devagar. — Hmm… — Felipe, acorda! Ele abriu os olhos com calma, como se nada tivesse acontecendo. — Oi… Ela apontou pra ele, em choque. — A gente… a gente… Ele piscou. Olhou ao redor. Roupas no chão. Lençol bagunçado. Silêncio. Felipe coçou a nuca, ainda sonolento. — Você tá sentindo alguma dor? — Oi?! Ele suspirou. — Não é isso. É que… se a gente tivesse feito alguma coisa ontem, você estaria sentindo. Olívia pegou o travesseiro na hora e jogou nele. — Palhaço! Ele riu, se defendendo. — Eu tô sendo técnico! Ela respirou fundo, ainda vermelha. — A gente não fez nada, né? Felipe se apoiou no cotovelo, tranquilo. — Não. Ela estreitou os olhos. — Convencido você, né? — Não é isso — ele respondeu, rindo. — Mas vinho com sua família… foi uma armadilha emocional. Olívia cobriu o rosto. — Eu não acredito nisso… Ela se levantou rápido e puxou o lençol, jogando para ele. — Se vira. — Ei! — Eu não vou sair assim! — Eu já vi ontem — ele disse, inocente demais. Ela parou. — Você viu, mas não lembra direito! A gente tava bêbado! Felipe riu. — Então você admite. — Eu admito nada! Ela entrou no banheiro batendo a porta. — Felipe! — Oi! — Você é insuportável! — E você me ama assim mesmo — ele respondeu, rindo sozinho. Do outro lado da porta, ela tentou não sorrir. Falhou. Algum tempo depois… Olívia saiu já arrumada, com roupa leve de fazenda, cabelo preso e botas. Felipe já estava pronto também: jeans, camiseta clara, chapéu na mão. Ele a olhou. — Tá pronta? Ela respirou fundo. — Hoje eu quero montar. — Montar? — Sim. Quero te apresentar o Máximos e o Hércules. Ele sorriu. Os dois desceram juntos. E assim que chegaram à sala… — Bom dia, meus filhos — disse a mãe de Olívia. A avó já sorria. A tia Roberta também estava ali. — Olha eles… já estão no ritmo de fazenda — comentou Roberta. Olívia riu sem graça. — Eu vou montar um pouco hoje, tá? A avó imediatamente reagiu: — Nada disso, mocinha. Primeiro café da manhã. A mãe completou: — Não monta com a barriga vazia. Olívia suspirou. — Tá bom… Felipe se sentou ao lado dela, tranquilo. — Acho que vou sobreviver a esse café da manhã de fiscalização familiar. Ela riu baixo. — Bem-vindo à minha vida antiga. Ele olhou pra ela de lado. — Eu tô começando a gostar dela. Olívia desviou o olhar… mas sorriu. E pela primeira vez desde que chegaram ali… ela não sentiu pressa de sair daquela mesa.
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