A luz da manhã entrava pela janela do quarto da fazenda com força, atravessando as cortinas claras e tocando tudo com um tom dourado.
Olívia foi a primeira a se mexer.
Sentiu uma leve dor de cabeça.
Franziu o rosto.
E então percebeu o calor ao lado.
Muito perto.
Demais.
Ela abriu os olhos devagar…
E travou.
— Ai meu Deus…
Felipe estava ali.
Dormindo ao lado dela, tranquilo demais para a situação.
E pior:
Ela estava apenas de sutiã e calcinha.
Olívia arregalou os olhos, puxando o lençol na hora.
— Felipe!
Ele se mexeu devagar.
— Hmm…
— Felipe, acorda!
Ele abriu os olhos com calma, como se nada tivesse acontecendo.
— Oi…
Ela apontou pra ele, em choque.
— A gente… a gente…
Ele piscou.
Olhou ao redor.
Roupas no chão.
Lençol bagunçado.
Silêncio.
Felipe coçou a nuca, ainda sonolento.
— Você tá sentindo alguma dor?
— Oi?!
Ele suspirou.
— Não é isso. É que… se a gente tivesse feito alguma coisa ontem, você estaria sentindo.
Olívia pegou o travesseiro na hora e jogou nele.
— Palhaço!
Ele riu, se defendendo.
— Eu tô sendo técnico!
Ela respirou fundo, ainda vermelha.
— A gente não fez nada, né?
Felipe se apoiou no cotovelo, tranquilo.
— Não.
Ela estreitou os olhos.
— Convencido você, né?
— Não é isso — ele respondeu, rindo. — Mas vinho com sua família… foi uma armadilha emocional.
Olívia cobriu o rosto.
— Eu não acredito nisso…
Ela se levantou rápido e puxou o lençol, jogando para ele.
— Se vira.
— Ei!
— Eu não vou sair assim!
— Eu já vi ontem — ele disse, inocente demais.
Ela parou.
— Você viu, mas não lembra direito! A gente tava bêbado!
Felipe riu.
— Então você admite.
— Eu admito nada!
Ela entrou no banheiro batendo a porta.
— Felipe!
— Oi!
— Você é insuportável!
— E você me ama assim mesmo — ele respondeu, rindo sozinho.
Do outro lado da porta, ela tentou não sorrir.
Falhou.
Algum tempo depois…
Olívia saiu já arrumada, com roupa leve de fazenda, cabelo preso e botas.
Felipe já estava pronto também: jeans, camiseta clara, chapéu na mão.
Ele a olhou.
— Tá pronta?
Ela respirou fundo.
— Hoje eu quero montar.
— Montar?
— Sim. Quero te apresentar o Máximos e o Hércules.
Ele sorriu.
Os dois desceram juntos.
E assim que chegaram à sala…
— Bom dia, meus filhos — disse a mãe de Olívia.
A avó já sorria.
A tia Roberta também estava ali.
— Olha eles… já estão no ritmo de fazenda — comentou Roberta.
Olívia riu sem graça.
— Eu vou montar um pouco hoje, tá?
A avó imediatamente reagiu:
— Nada disso, mocinha. Primeiro café da manhã.
A mãe completou:
— Não monta com a barriga vazia.
Olívia suspirou.
— Tá bom…
Felipe se sentou ao lado dela, tranquilo.
— Acho que vou sobreviver a esse café da manhã de fiscalização familiar.
Ela riu baixo.
— Bem-vindo à minha vida antiga.
Ele olhou pra ela de lado.
— Eu tô começando a gostar dela.
Olívia desviou o olhar… mas sorriu.
E pela primeira vez desde que chegaram ali…
ela não sentiu pressa de sair daquela mesa.